MDBF Logo MDBF

CID G821: Diagnóstico de Violência Contra a Mulher no SUS

Artigos

A violência contra a mulher é uma problemática que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo, sendo uma grave violação dos direitos humanos. No Brasil, esse tema é tratado com seriedade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que dispõe de protocolos e códigos específicos para identificar e registrar essas ocorrências. Um desses códigos é o CID G821, que se refere ao diagnóstico de violência contra a mulher.

Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o que significa o CID G821, sua importância para o sistema de saúde, os passos para o diagnóstico e registro, além de explorar sua relevância na luta contra a violência de gênero. Você entenderá por que esse código é fundamental para o reconhecimento e o enfrentamento dessa problemática, contribuindo para um diagnóstico preciso e a implementação de políticas públicas eficazes.

cid-g821

O que é o CID G821?

Significado do CID G821

O CID G821 faz parte da classificação internacional de doenças (CID), utilizada globalmente para padronizar o registro de diagnósticos médicos. Especificamente, o código G821 identifica vítimas de violência física, psicológica ou sexual, praticada contra mulheres, independentemente do local ou circunstância.

"O registro adequado da violência contra a mulher é uma ferramenta crucial para o planejamento de ações de proteção e prevenção." — Ministério da Saúde, 2022.

Classificação e Características

O código G821 é utilizado quando há confirmação de violência, seja ela física, psicológica ou sexual. Além de registrar a ocorrência, o objetivo do código é fornecer subsídios para elaboração de políticas públicas, monitoramento de casos e aprimoramento do atendimento às vítimas.

Importância do CID G821 no SUS

O registro correto do CID G821 permite ao SUS monitorar a incidência de violência contra a mulher, avaliar a eficácia das ações de combate e implementar estratégias específicas para diferentes regiões e grupos populacionais.

Como é feito o diagnóstico de violência contra a mulher?

Etapas do diagnóstico

O diagnóstico de violência contra a mulher envolve uma abordagem multidisciplinar e sensível, composta por:

  • Entrevista clínica cuidadosa: Ouvir a vítima de forma acolhedora, sem julgamentos.
  • Análise de sinais e sintomas: Hematomas, escoriações, sinais de abuso sexual, comportamentos de medo ou ansiedade.
  • Exames complementares: Quando necessário, para documentar ferimentos ou alterações físicas.
  • Registro do caso: Utilização do CID G821 para formalizar o diagnóstico.

Papel do profissional de saúde

O profissional de saúde deve estar preparado para reconhecer sinais de violência, criar um ambiente de confiança e orientar a vítima, além de registrar o caso de forma adequada e ética.

Importância do registro preciso da violência

A correta utilização do código CID G821 é fundamental para:

  • Mapeamento de casos: Entender a dimensão do problema.
  • Preparação de políticas públicas: Planejar ações específicas.
  • Acesso a serviços de proteção: Encaminhamento para assistência jurídica, psicológica e social.
  • Proteção das vítimas: Garantir o acompanhamento e suporte necessário.

Legislação e políticas públicas relacionadas

No Brasil, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) reforça o combate à violência contra a mulher, estabelecendo medidas de proteção e mecanismos de prevenção. A utilização do CID G821 é uma ferramenta que apoia a implementação dessas políticas, públicas e privadas, para que seja possível identificar, monitorar e combater essa violência.

Tabela: Comparativo entre os principais códigos relacionados à violência contra a mulher

Código CIDDescriçãoTipo de ViolênciaAtuação Principal
CID G821Violência contra a mulher, confirmadaFísica, Psicológica, SexualDiagnóstico, registro e monitoramento
CID T74.31Violência por negligência ou abuso domésticoFísica, Psicológica, SexualNotificação, ações de proteção
CID Z63.7Problemas relacionados à perda ou abandonoEmocional, SocioeconômicoAvaliação do impacto social e familiar

Nota: Essa tabela apresenta alguns códigos utilizados na classificação de violência, destacando o papel do CID G821.

Como registrar e comunicar casos de violência no SUS

Procedimentos para o registro

Para o profissional de saúde, seguir o protocolo correto é essencial:

  1. Realizar acolhimento sensível: Garantir privacidade e confidencialidade.
  2. Coletar informações detalhadas: Relatos da vítima, sinais físicos e emocionais.
  3. Documentar com precisão: Utilizar o CID G821 e demais registros complementares.
  4. Encaminhar para equipes multidisciplinares: Psicologia, assistência social, jurídico.
  5. Reportar às autoridades competentes: Quando necessário, nos casos de risco iminente.

Importância do treinamento e capacitação

Capacitações constantes garantem que os profissionais estejam preparados para abordar as vítimas de forma adequada, contribuindo para o sucesso do diagnóstico e do registro.

Desafios no diagnóstico e registro da violência contra a mulher

Apesar dos esforços, há dificuldades que dificultam a identificação e registro, incluindo:

  • Medo ou vergonha da vítima.
  • Falta de treinamento adequado dos profissionais.
  • Subnotificação devido ao estigma social.
  • Limitações na infraestrutura do sistema de saúde.

Como superar esses desafios?

Investir em capacitação, campanhas de sensibilização e políticas de incentivo ao relato são estratégias essenciais para melhorar a coleta de dados e o enfrentamento da violência.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. O que significa CID G821?

O CID G821 é o código utilizado para identificar vítimas de violência contra a mulher, confirmada através de avaliação clínica e/ou investigação.

2. Como o CID G821 ajuda no combate à violência?

Ele permite o diagnóstico oficial, monitoramento, elaboração de políticas públicas mais efetivas e oferece proteção legal às vítimas.

3. Como denunciar casos de violência contra a mulher?

A denúncia pode ser feita através do número 180 (Delegacia da Mulher), ou procurando unidades de saúde, assistência social ou delegacias imediatamente.

4. Quais são os principais sinais de violência física e sexual?

Hematomas, cicatrizes, machucados inexplicáveis, relatos de dor ou desconforto, além de comportamentos de medo ou ansiedade.

5. O profissional de saúde precisa relatar todos os casos de violência?

Sim, sempre que detectar sinais de violência, o profissional deve orientar a vítima, registrar corretamente o caso utilizando o CID G821 e encaminhar às autoridades competentes.

Conclusão

O CID G821 desempenha um papel essencial no diagnóstico e enfrentamento da violência contra a mulher no SUS. Sua utilização adequada garante a identificação correta das vítimas, possibilitando ações de proteção, monitoramento e elaboração de políticas públicas mais eficazes. Frente a uma realidade onde a violência de gênero ainda é uma problemática persistente, a sensibilização dos profissionais de saúde e a correta utilização dos códigos de classificação contribuem significativamente para um país mais justo e seguro para todas as mulheres.

A realização de ações contínuas de capacitação, campanhas de conscientização e fortalecimento das redes de apoio são passos decisivos rumo à diminuição dessa violência e à garantia do direito das mulheres de viverem sem medo.

Referências

  • Brasil. Ministério da Saúde. Protocolos de atuação na atenção às vítimas de violência. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
  • Organização Mundial da Saúde. Prevenção da Violência contra as Mulheres. Geneva: OMS, 2021.
  • Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Lei Maria da Penha. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm
  • Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Guia de atendimento às vítimas de violência de gênero. Disponível em: https://www.gov.br/mdh