CID G-91: Classificação da Febre Tifoide e suas Implicações
A classificação internacional de doenças (CID) é uma ferramenta essencial para a codificação, registro e análise de doenças e condições de saúde ao redor do mundo. No contexto brasileiro, o CID G-91 refere-se à febre tifoide, uma enfermidade infecciosa causada pela bactéria Salmonella enterica serotipo Typhi. Apesar de sua tendência a diminuir em algumas regiões, a febre tifoide ainda representa um problema de saúde pública, especialmente em áreas com condições sanitárias precárias.
Este artigo aborda de forma detalhada o CID G-91, a classificação da febre tifoide, suas implicações clínicas, epidemiológicas e de saúde pública, além de fornecer orientações importantes para profissionais de saúde, pesquisadores e o público em geral.

O que é o CID G-91?
Significado do Código G-91
O código CID G-91 corresponde à febre tifóide dentro da Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10). O "G" indica que a doença pertence ao capítulo de doenças do sistema nervoso e do sistema imunológico, embora portadores ou complicações de doenças infecciosas possam ser classificados neste grupo.
Importância da Classificação CID G-91
A classificação correta permite um melhor entendimento, registro e monitoramento da febre tifóide, contribuindo para ações de vigilância epidemiológica eficazes. Além disso, permite que profissionais de saúde e gestores de saúde pública possam tomar decisões baseadas em dados precisos.
Epidemiologia da Febre Tifoide
Distribuição Geográfica
A febre tifóide prevalece principalmente em regiões com desafios sanitários, saneamento básico inadequado e acesso limitado a água potável. Países em desenvolvimento na África, Ásia e América Latina apresentam taxas fluctuantes de incidência, embora melhorias na infraestrutura tenham contribuído para a redução dos casos.
Dados recentes e estatísticas
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que haja aproximadamente 11-20 milhões de casos de febre tifóide anualmente, causando cerca de 128.000 mortes por ano. A maioria desses óbitos ocorre em crianças e adultos jovens com acesso restrito a cuidados médicos.
Fatores de risco
- Contato com água contaminada
- Más condições sanitárias
- Desnutrição
- Falta de saneamento básico
- Viagens para regiões endêmicas
Etiologia e Patogênese
Causador da doença
A febre tifóide é causada pela bactéria Salmonella enterica serotipo Typhi, que é altamente adaptada à infecção humana, não havendo reservatórios animais significativos na transmissão.
Modo de transmissão
A transmissão ocorre principalmente por via fecal-oral, através do consumo de água ou alimentos contaminados com fezes ou urina de indivíduos infectados. A ingestão de alimentos contaminados por manipulação inadequada também é comum.
Patogênese
Após a ingestão, a bactéria atravessa o intestino delgado e invade a mucosa intestinal, alcançando o sistema linfático e após isso a corrente sanguínea, levando à disseminação sistêmica. O período de incubação varia de 6 a 30 dias, sendo típico entre 8 a 14 dias.
Sintomas e Diagnóstico da Febre Tifoide
Sintomas principais
- Febre alta e prolongada
- Cefaleia intensa
- Pode ocorrer dor abdominal
- Perda de apetite
- Cansaço extremo
- Erupção cutânea (roséola sifilítica)
- Hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e do baço)
Diagnóstico clínico e laboratorial
O diagnóstico definitivo é realizado por meio de exames laboratoriais, como:
| Exame | Descrição | Frequência de uso |
|---|---|---|
| Hemocultura | Detecta Salmonella Typhi na corrente sanguínea | Alta |
| Coprocultura | Identifica o germens nas fezes | Moderada |
| Testes sorológicos (Widal) | Detecta anticorpos contra Salmonella Typhi | Complementar |
| Hemograma | Pode indicar leucopenia ou leucocitose | Complementar |
"A febre tifóide, apesar de antiga, ainda representa um desafio de diagnóstico e controle em regiões vulneráveis." - Fonte: Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)
Tratamento e Prevenção
Tratamento medicamentoso
O tratamento padrão envolve a administração de antibióticos específicos, como ciprofloxacino, azitromicina ou ceftriaxona, dependendo da resistência bacteriana local. O tratamento deve ser acompanhado por profissionais de saúde e completado adequadamente para evitar recaídas ou resistência.
Medidas de prevenção
- Vacinação: Existem vacinas contra a febre tifóide, recomendadas em áreas endêmicas ou para viajantes.
- Melhoria do saneamento básico
- Garantia de água potável
- Educação em higiene pessoal e manipulação de alimentos
Programas de vigilância
A vigilância epidemiológica eficiente é crucial para identificar surtos ou surtos potenciais e implementar intervenções rápidas.
Implicações da Classificação CID G-91 na Saúde Pública
A classificação da febre tifóide como CID G-91 possui diversas implicações:
- Facilita a coleta de dados epidemiológicos precisos
- Orienta políticas de saneamento e vacinação
- Apoia campanhas de conscientização
- Auxilia no planejamento de recursos para atendimento de surtos
A efetividade dessas ações aumenta com registros adequados segundo o código CID, garantindo uma resposta coordenada a nível nacional e internacional.
Perguntas Frequentes
1. Como preveni a febre tifóide?
A prevenção envolve a vacinação, uso de água limpa, higiene adequada, manipulação correta de alimentos, além de melhorar as condições sanitárias.
2. A febre tifóide é contagiosa?
Sim, a febre tifóide é altamente transmissível, principalmente por via fecal-oral, podendo passar de uma pessoa infectada para outras por meio de água ou alimentos contaminados.
3. Quais são as complicações mais comuns?
Se não tratada, a febre tifóide pode levar a complicações graves, como perfuração intestinal, peritonite, septicemias, e, em casos extremos, óbito.
4. Existe uma vacina contra a febre tifóide?
Sim, existem vacinas disponíveis, recomendadas especialmente para viajantes ou populações em áreas endêmicas.
5. Qual a diferença entre G-91 e outras doenças similares?
G-91 é exclusivo para classificação da febre tifóide; doenças como a paratifoide, causadas por Salmonella Paratyphi, possuem códigos diferentes dentro do CID.
Conclusão
A classificação CID G-91 desempenha papel fundamental na monitorização, tratamento e controle da febre tifóide. Ainda que considerada uma doença antiga, sua incidência em regiões vulneráveis demanda ações constantes de vigilância, educação e melhorias sanitárias.
Profissionais de saúde, gestores públicos e a sociedade como um todo devem estar atentos às implicações do código G-91, que representa uma ameaça contínua à saúde pública e à qualidade de vida das populações mais vulneráveis.
Ao entender melhor a classificação e suas implicações, podemos avançar na prevenção e controle da febre tifóide, contribuindo para um mundo com menores índices de doenças transmissíveis.
Referências
Organização Mundial da Saúde (OMS). Typhoid. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/typhoid. Acesso em outubro de 2023.
Ministério da Saúde, Brasil. Manual de Vigilância Epidemiológica. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Prevenção da Febre Tifóide. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=1234&Itemid=123. Acesso em outubro de 2023.
Brasil. Ministério da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cid-10. Acesso em outubro de 2023.
Este artigo foi elaborado para ampliar seu entendimento sobre o CID G-91, destacando sua importância na documentação e controle da febre tifóide, uma doença que, apesar do avanço da medicina, ainda constitui risco em muitas comunidades.
MDBF