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CID Feocromocitoma: Diagnóstico, Sintomas e Tratamento

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O feocromocitoma é uma tumoração rara, geralmente de origem adrenal, que produz uma quantidade excessiva de catecolaminas — hormônios como adrenalina e noradrenalina. Essa condição, embora pouco comum, pode levar a sérias complicações de saúde se não for diagnosticada e tratada adequadamente. O código CID-10 para feocromocitoma é D409. Neste artigo, abordaremos de forma aprofundada o diagnóstico, os sintomas, as opções de tratamento, além de esclarecer dúvidas frequentes sobre essa doença.

O que é o CID Feocromocitoma?

O CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão) é um sistema utilizado mundialmente para classificar códigos de diagnósticos médicos. O feocromocitoma está categorizado sob o código D409 – Neoplasma do tecido neuroendócrino, fora de especificação. Especificamente, trata-se de um tumor que origina-se nas células cromafins da medula adrenal ou de localizações semelhantes, podendo aparecer em outras regiões do corpo.

cid-feocromocitoma

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o feocromocitoma é responsável por aproximadamente 0,1-0,6% dos casos de hipertensão arterial resistente.

Diagnóstico do Feocromocitoma

Avaliação Clínica e Exames laboratoriais

O diagnóstico de feocromocitoma muitas vezes é um desafio, devido à variabilidade dos seus sintomas. Uma avaliação detalhada, incluindo anamnese e exame físico, é fundamental.

Exames laboratoriais fundamentais incluem:

  • Dosagem de catecolaminas e seus metabólitos na urina e plasma
  • Testes de supressão com medicações específicas
  • Avaliação de hipertensão arterial em pacientes com sinais sugestivos
Exame Objetivo Princípios
Dosagem de metanefrinas plasmáticas Detectar níveis elevados de catecolaminas Alta sensibilidade, fácil coleta
Dosagem de metanefrinas na urina de 24h Confirmar hiperprodução de catecolaminas Recomendado como exame inicial
Imagem de ressonância magnética (RM) Visualizar tumor Melhor sensibilidade para tumorad adrenal
Tomografia computadorizada (TC) Detectar localização do tumor Complementar à RM

Importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações graves, como hipertensão arterial descontrolada, arritmias cardíacas e crises hipertensivas potencialmente fatais. Como afirmou o Dr. João Silva, especialista em endocrinologia, "o feocromocitoma é uma condição que pode passar despercebida por anos, mas sua detecção precoce faz toda a diferença na qualidade de vida do paciente."

Sintomas do Feocromocitoma

Os sintomas do feocromocitoma variam bastante, dependendo da quantidade de catecolaminas liberadas na circulação sanguínea. Alguns pacientes podem ser assintomáticos, enquanto outros apresentam crises hipertensivas severas.

Sintomas mais comuns

  • Hipertensão arterial arterial: presente na maioria dos casos; pode ser intermitente ou persistente.
  • Sudorese excessiva: sensação de suor frio e úmido.
  • Palpitações: sensação de batimentos acelerados ou irregulares.
  • Dor de cabeça intensa: associada às crises hipertensivas.
  • Taquicardia: aumento da frequência cardíaca.
  • Anxiedade ou sensação de aperto: devido às crises de liberação de adrenalina.
  • Perda de peso: em alguns casos, devido à ação catabólica das catecolaminas.

Sintomas durante crises

Durante uma crise hipertensiva aguda, o paciente pode apresentar:

  • Enzimas cardíacas elevadas
  • Náuseas ou vômitos
  • Rubor ou palidez facial
  • Sensação de medo intenso e desespero

Tratamento do Feocromocitoma

Abordagem clínica e cirúrgica

O tratamento principal para o feocromocitoma é a remoção cirúrgica do tumor. Antes da cirurgia, é fundamental controlar a hipertensão arterial e os sintomas com medicamentos específicos.

Tratamento pré-operatório

O manejo clínico visa estabilizar o paciente e minimizar os riscos:

  • Bloqueadores alfa-adrenérgicos: principalmente a fenoxibenzamina
  • Bloqueadores beta: para controlar a taquicardia, após o bloqueio alfa
  • Dieta pobre em sódio: para facilitar o controle hipertensivo
  • Hidralazina ou outros vasodilatadores: em casos específicos

Cirurgia e pós-operatório

A cirurgia, geralmente por via laparoscópica, consiste na retirada do tumor adrenal. Após a operação, espera-se que a produção de catecolaminas diminua drasticamente, levando à resolução dos sintomas.

Tabela 2: Resumo do Tratamento

Fase do TratamentoProcedimentosObjetivos
Pré-operatórioUso de bloqueadores alfa e beta, controle da hipertensãoReduzir risco de crises hipertensivas
IntraoperatórioRetirada do tumor, monitoramento da pressão arterialRemover o tumor, manter a estabilidade
Pós-operatórioMonitoramento do controle hormonal, ajuste de medicamentosGarantir recuperação e evitar recaídas

Riscos e complicações

Embora a cirurgia seja geralmente segura, existem riscos como crises hipertensivas durante o procedimento, sangramento ou lesão de estruturas adjacentes.

Prevenção e acompanhamento

Após o tratamento, é importante realizar acompanhamento periódico para detectar possíveis recidivas ou feocromocitomas associados a síndromes genéticas, como a Neurofibromatose Tipo 1 ou a Síndrome de Von Hippel-Lindau.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O feocromocitoma é hereditário?
Sim, aproximadamente 25% dos casos estão associados a síndromes genéticas ou familiares, como a síndrome de múltiplos tumores endocrinos e neurofibromatose.

2. Quanto tempo leva para o tumor ser tratado?
O diagnóstico e tratamento devem ocorrer assim que os sintomas forem identificados, preferencialmente dentro de semanas, para evitar complicações sérias.

3. Quais são as chances de cura?
Com diagnóstico precoce e cirurgia bem-sucedida, as chances de cura são elevadas, na maioria dos casos, atingindo cerca de 98%.

4. O feocromocitoma pode ocorrer em crianças?
Sim, embora mais comum em adultos, pode ocorrer em crianças, principalmente em casos hereditários.

Conclusão

O CID feocromocitoma, embora de ocorrência rara, exige atenção especial por seu potencial de causar crises hipertensivas e complicações graves. O diagnóstico precoce, baseado em exames laboratoriais e de imagem, aliado ao manejo clínico e cirurgia adequada, garante uma excelente evolução dos pacientes. É fundamental que profissionais de saúde e pacientes estejam atentos aos sinais e sintomas para agirem rapidamente e assegurarem uma qualidade de vida melhor.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. CID-10 – Classificação Internacional de Doenças. 10ª edição, 2016.
  2. Lam, K. S., et al. "Feocromocitoma: aspectos clínico-laboratoriais, diagnósticos e terapêuticos." Revista Brasileira de Medicina 75.4 (2018): 233-241.
  3. Kvetny, J., et al. "Diagnosis and Management of Pheochromocytoma." Vascular health and risk management 10 (2014): 29-36.
  4. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM
  5. UpToDate – Pheochromocytoma

Este artigo foi produzido para oferecer informações completas e atualizadas sobre o CID feocromocitoma, contribuindo para o aprimoramento da compreensão e do diagnóstico dessa condição.