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CID F22: Diagnóstico de Transtorno de Percepção Persecutória

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O transtorno de percepção persecutória, classificado pelo código CID F22 na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS), refere-se a um transtorno psicótico caracterizado por delírios de perseguição. Este diagnóstico é fundamental para a compreensão, tratamento e manejo de pacientes que experienciam essas alterações na percepção da realidade. Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o que é o CID F22, seus sintomas, fatores de risco, diagnóstico, tratamento e perspectivas, de modo a fornecer uma compreensão aprofundada sobre o tema.

O que é o CID F22?

CID F22 refere-se ao código utilizado na classificação internacional para identificar o transtorno de percepção persecutória, um tipo de transtorno psicótico. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa condição inclui delírios de perseguição, onde o indivíduo acredita estar sendo alvo de alguém ou de um grupo, sem evidências reais que sustentem estas percepções.

cid-f22

Definição formal

Segundo o DSM-5 e a CID-10, o transtorno de percepção persecutória se caracteriza por:

  • Presença de delírios de perseguição, frequentemente acompanhados por ideias de referência.
  • Desequilíbrio na percepção da realidade.
  • Ausência de alucinações auditivas ou visuais predominantes, diferentemente de outras psicoses.

Sintomas do CID F22

Delírios de Perseguição

O aspecto central do CID F22 é a presença de delírios persecutórios, em que o indivíduo acredita firmemente que está sendo vítima de conspirações, espionagem ou ações mal-intencionadas por parte de outros.

Quais são os sintomas associados?

SintomaDescrição
Ideias de referênciaAcreditar que acontecimentos aleatórios têm relação direta com si próprio.
Ansiedade e medoSensação constante de estar em risco ou sendo alvo de alguém.
ParanoiaDesconfiança extrema de pessoas próximas ou desconhecidas.
Retraimento socialIsolamento devido à desconfiança ou medo.
Alterações no humorPode variar de irritabilidade a tristeza profunda.

Como diferenciar do transtorno paranoide?

Embora compartilhem características, o transtorno paranoide possui maior duração e resistência ao tratamento, além de delírios mais organizados e menos fragmentados.

Causas, fatores de risco e epidemiologia

Causas do transtorno de percepção persecutória

A origem do CID F22 é multifatorial, envolvendo fatores biológicos, ambientais e psicossociais.

  • Fatores biológicos: predisposição genética, alterações na química cerebral, especialmente em neurotransmissores comodopamina.
  • Fatores ambientais: estresse, trauma na infância, abuso e uso de substâncias psicotrópicas.
  • Fatores psicossociais: isolamento social, conflitos familiares e ambientes de alta tensão.

Fatores de risco

  • Histórico familiar de transtornos psicóticos.
  • Uso de drogas como anfetaminas, LSD ou cannabis.
  • Eventos estressantes ou traumáticos recentes.
  • Baixa escolaridade e situação social desfavorecida.

Epidemiologia

O transtorno de percepção persecutória costuma aparecer na adolescência ou início da idade adulta, com maior prevalência em homens do que em mulheres. Estima-se que a prevalência da psicose em geral seja de cerca de 1%, com variações no tipo de apresentação clínica, incluindo o CID F22.

Diagnóstico do CID F22

Critérios diagnósticos segundo a CID-10

Para o diagnóstico, é necessário que:

  • O indivíduo apresente delírios persecutórios por pelo menos um mês.
  • Os delírios não estejam associados a outros transtornos, como transtorno delirante ou esquizofrenia em sua forma mais ampla.
  • Não haja sintomas de alucinações, embora elas possam ocorrer ocasionalmente.

Avaliação clínica e exames complementares

O diagnóstico é clínico, realizado por psiquiatras através de entrevista detalhada e observação do comportamento.

ExameObjetivo
Entrevista clínica aprofundadaCompreender histórico, delírios e funcionamento atual.
Exames laboratoriais e de neuroimagemRejeitar causas orgânicas ou neurológicas.
Observação do comportamentoAvaliar sintomas concomitantes e grau de prejuízo.

Importância do diagnóstico precoce

O reconhecimento correto do CID F22 possibilita intervenções mais eficazes, prevenindo o agravamento do quadro psicótico e o impacto na vida do paciente e de seus familiares.

Tratamento do CID F22

Terapia medicamentosa

O tratamento padrão envolve o uso de antipsicóticos, que ajudam a controlar os delírios e a reduzir o risco de exacerbações.

Medicamentos comumente utilizados:

ClasseExemplosObjetivo
Antipsicóticos típicosHaloperidol, ClorpromazinaControle dos sintomas positivos como delírios e alucinações.
Antipsicóticos atípicosRisperidona, OlanzapinaMenor efeito colateral e controle mais amplo dos sintomas.

Psicoterapia

A psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC), é essencial para ajudar o paciente a lidar com os delírios e desenvolver estratégias de enfrentamento.

Apoio familiar e social

Incluir a família no processo de tratamento melhora a adesão ao regime terapêutico e oferece suporte emocional necessário.

Outras abordagens

  • Reabilitação psicossocial
  • Programas de apoio comunitário
  • Intervenção em crises e manejo de medicação

Perspectivas e prognóstico

O prognóstico do CID F22 varia de acordo com a intensidade dos sintomas, a adesão ao tratamento e o suporte social disponível. Com tratamento adequado, muitos pacientes conseguem levar uma vida relativamente normal, mantendo suas funções e relacionamentos.

"A esperança é o pilar da cura." — Desconhecido

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quais são as diferenças entre CID F22 e esquizofrenia?

A principal diferença é que o CID F22 refere-se especificamente a delírios persecutórios, enquanto a esquizofrenia possui uma gama mais ampla de sintomas, incluindo alucinações, pensamentos desorganizados e dificuldades de funcionamento social.

2. Quanto tempo dura o tratamento para CID F22?

O tratamento pode variar de alguns meses a vários anos, dependendo do grau de sintomas e da resposta ao tratamento. A continuidade da terapia é fundamental para evitar recaídas.

3. O CID F22 pode evoluir para outros transtornos psicóticos?

Sim, sem o tratamento adequado, o transtorno persecutório pode evoluir para esquizofrenia ou outros transtornos psicóticos mais severos.

Conclusão

O CID F22, que caracteriza o transtorno de percepção persecutória, é uma condição psiquiátrica que requer atenção especializada para um diagnóstico correto e um tratamento eficaz. O reconhecimento precoce, aliado ao uso de medicações, psicoterapia e suporte social, pode promover uma melhora significativa na qualidade de vida do paciente. Conhecer suas características, sintomas e formas de manejo é essencial para profissionais da saúde, familiares e toda a sociedade.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Geneva: WHO; 1992.
  2. American Psychiatric Association. DSM-5. Diagnóstico e Estatísticas de Transtornos Mentais. Arlington: American Psychiatric Publishing; 2013.
  3. Ministério da Saúde. Guia de atenção à saúde mental. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.
  4. Silva, J. R. et al. Transtornos psicóticos: diagnóstico e tratamento. Revista Brasileira de Psiquiatria, 2020.

Para mais informações sobre transtornos psicóticos e tratamentos, acesse:
Centro de Valorização da Saúde Mental
Instituto Nacional de Saúde Mental

Este conteúdo foi elaborado para fornecer uma compreensão ampla e atualizada sobre o CID F22, promovendo o entendimento e o debate sobre o diagnóstico e tratamento do transtorno de percepção persecutória.