CID F 90.2: Entenda o Código Médico Sobre Transtornos de Tiques
O Sistema de Classificação Internacional de Doenças (CID), mantido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma ferramenta fundamental para a padronização do diagnóstico médico. Entre os diversos códigos presentes nessa classificação, o CID F 90.2 refere-se a um transtorno neurológico caracterizado por tiques, especificamente o transtorno de tiques persistentemente episódicos ou crônicos, conhecido popularmente como transtorno de tiques ou Tourette quando apresenta múltiplos tiques motores e vocais.
A compreensão correta deste código é essencial para profissionais de saúde, pacientes e familiares, pois auxilia na formulação de planos de tratamento adequados, afeta a documentação clínica e impacta na obtenção de benefícios sociais. Neste artigo, exploraremos detalhadamente o CID F 90.2, abordando suas características, diagnósticos, tratamentos e dados relevantes.

O que é o CID F 90.2?
O CID F 90.2 classifica um transtorno de tiques que persiste por pelo menos um ano, podendo envolver tiques motores e/ou vocais. Esse código é utilizado por profissionais de saúde mental e neurologia para registrar diagnósticos precisos.
Definição de Transtorno de Tiques Persistentes ou Crônicos
De acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno de tiques persistentes ou crônicos, codificado como F 90.2, é caracterizado por tiques motor ou vocais que:
- Persistem por mais de um ano;
- Não são atribuíveis a outra condição neurológica ou psiquiátrica;
- Podem variar em intensidade e frequência ao longo do tempo.
Diferença entre Tiques Transitórios e Persistentes
| Característica | Tiques Transitórios | Tiques Persistentes (F 90.2) |
|---|---|---|
| Duração | Menos de 12 meses | Mais de 12 meses |
| Tipo de tiques | Podem ser motores ou vocais | Podem ser motores, vocais ou ambos |
| Frequência | Variável, costumam desaparecer | Mais constante, com períodos de agravamento e melhora |
Para um diagnóstico preciso, é fundamental avaliar a duração e o padrão dos tiques.
Características dos Transtornos de Tiques de acordo com o CID F 90.2
Tiques Motores
Podem incluir movimentos rápidos, repetitivos e involuntários, como piscar, encolher os ombros, fazer caretas ou outros movimentos bruscos.
Tiques Vocais
São sons involuntários, como pigarrear, gritar ou emitir palavras de forma involuntária, inclusive palavrões em alguns casos.
Exemplos de Tiques
- Piscar excessivamente
- Encolher os ombros
- Ranger os dentes
- Gritar ou emitir sons repetitivos
Fatores que Podem Agravar os Tiques
- Estresse
- Ansiedade
- Cansaço
- Frustração
Tratamentos e Abordagens Para o CID F 90.2
O tratamento depende da gravidade, impacto na qualidade de vida e presença de sintomas associados. Geralmente, é adotada uma abordagem multidisciplinar.
Diagnóstico do CID F 90.2
Critérios Diagnósticos
De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e as diretrizes da OMS, o diagnóstico de transtorno de tiques persistentes envolve:
- Presença de tiques motores e/ou vocais por mais de 1 ano;
- Início na infância, geralmente antes dos 18 anos;
- Os tiques não se devem a substâncias ou outras condições médicas;
- Os tiques causam sofrimento ou prejuízo social, acadêmico ou laboral.
Como o diagnóstico é realizado?
- Anamnese detalhada
- Observação clínica
- Exclusão de outras condições neurológicas
Importante: O diagnóstico diferencial deve incluir outras doenças, como distonia, tremores ou transtornos obsessivo-compulsivos.
Tratamentos para CID F 90.2
Tratamento Farmacológico
Embora nem todos os pacientes necessitem de medicação, alguns medicamentos podem ajudar a reduzir a intensidade dos tiques:
| Medicação | Indicação | Observação |
|---|---|---|
| Antipsicóticos (ex: haloperidol) | Tiques severos ou incômodos | Podem ter efeitos colaterais, como ganho de peso |
| Tetrabenazina | Tiques múltiples ou severos | Utilizada em casos mais resistentes |
| Inibidores de serotonina (ex: fluoxetina) | Tiques associados a transtornos psiquiátricos | Podem ajudar também na ansiedade |
Terapias Não Farmacológicas
- Terapia comportamental (exemplo: Treinamento de Remoção de Tiques): Ensina o paciente a controlar ou reduzir os tiques.
- Apoio psicológico: Manejo do impacto emocional e social.
- Educação e compreensão: Fundamental para o paciente e familiares.
Considerações importantes
Segundo estudos publicados pela American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, o tratamento deve ser individualizado, levando em conta a gravidade e o impacto do transtorno na vida do paciente.
Como Viver com um Transtorno de Tiques (CID F 90.2)?
Embora os tiques possam ser desconfortáveis ou embaraçosos, a maioria das pessoas consegue conviver bem com o transtorno, se adequadamente acompanhada.
Dicas práticas
- Manter uma rotina de sono e alimentação adequada
- Reduzir estresse e ansiedade
- Buscar apoio psicológico
- Informar amigos e familiares sobre a condição
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. O CID F 90.2 é uma condição hereditária?
Sim, há evidências de que fatores genéticos podem influenciar o desenvolvimento de transtornos de tiques, embora não seja exclusivamente hereditário.
2. Os tiques desaparecem com a idade?
Em muitos casos, especialmente na adolescência, os tiques podem diminuir ou até desaparecer. Contudo, alguns pacientes podem apresentar sintomas persistentes na fase adulta.
3. O que diferencia o Tourette do CID F 90.2?
O Síndrome de Tourette inclui múltiplos tiques motores e vocais que persistem por mais de um ano. O CID F 90.2 cobre transtornos de tiques crônicos, que podem ter menos sintomas ou uma combinação diferente.
4. Como é o tratamento em crianças?
O tratamento envolve abordagem multidisciplinar, muitas vezes com terapia comportamental e, em casos mais severos, medicamentos prescritos por um especialista.
Conclusão
O CID F 90.2 representa uma classificação importante para o diagnóstico de transtornos de tiques persistentes ou crônicos. Conhecer suas características, diferenças de outros transtornos e opções de tratamento permite uma melhor gestão clínica e qualidade de vida para os pacientes.
A compreensão e o apoio de familiares, amigos e profissionais de saúde são essenciais para o convívio saudável com esse transtorno. A pesquisa contínua e a atenção aos fatores emocionais e comportamentais são passos fundamentais para melhorar os caminhos de tratamento e assistência.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 2023.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). 2013.
- Ministério da Saúde. Guia de diagnóstico e tratamento dos transtornos de tiques. Brasil. 2020.
- KILLILAN, J. et al. Guia de Transtornos de Tiques. Journal of Child and Adolescent Psychiatry, 2022.
- Associação Brasileira de Psiquiatria – Recursos sobre transtornos psiquiátricos.
Para Saber Mais
Se deseja informações atualizadas ou suporte, consulte um especialista ou acesse Portal da Saúde para orientações e recursos disponíveis.
“A compreensão é o primeiro passo para a cura. Conhecer o CID F 90.2 é fundamental para oferecer o melhor cuidado aos que convivem com transtornos de tiques.”
MDBF