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Cid Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

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O Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH), diagnosticado pelo código CID R81, é uma condição clínica grave que pode afetar indivíduos com diabetes mellitus, especialmente os tipos 2. Caracteriza-se por aumento severo da glicemia e hiperosmolaridade plasmática, levando a complicações potencialmente fatais se não tratado prontamente. A compreensão sobre os sintomas, critérios diagnósticos e estratégias de tratamento é fundamental para profissionais de saúde e pacientes, promovendo uma intervenção eficaz e prevenção de complicações mais sérias.

Este artigo apresenta uma análise detalhada do EHH, abordando desde sua fisiopatologia até recomendações práticas, além de esclarecer dúvidas frequentes para promover o entendimento completo acerca deste quadro clínico emergencial.

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O que é o Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH)?

O Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico é uma complicação aguda do diabetes mellitus, comumente associada ao tipo 2, embora também possa ocorrer no tipo 1. Ele ocorre quando há um aumento extremo dos níveis de glicose no sangue, levando a uma hiperosmolaridade plasmática elevada, que causa desidratação severa e distúrbios eletrolíticos.

Diferenças entre EHH e Cetoacidose Diabética (DKA)

Embora ambos sejam emergências diabéticas, o EHH difere da Cetoacidose Diabética (DKA) por apresentar menores níveis de corpos cetônicos e maior hiperosmolaridade.

CaracterísticasEHHDKA
Glicemia estimada> 600 mg/dL> 250 mg/dL
Hiperosmolaridade plasmática> 320 mOsm/kggeralmente menor
Corpo cetônicoAusente ou levePresente
Acidez sanguíneaNormal ou levemente ácidaÁcida (pH < 7,3)
Presença de cetoácidosBaixaAlta
DesidrataçãoGraveModerada a grave

Patofisiologia do EHH

O EHH ocorre por uma combinação de deficiência na secreção de insulina e aumento na resistência à insulina, levando ao aumento da glicose no sangue. Essa hiperglicemia provoca aumento da osmolaridade plasmática e consequente perda de água pelo sistema renal devido à osmose. Com o tempo, essa perda leva à desidratação severa.

Como a hiperosmolaridade afeta o organismo?

A hiperosmolaridade causa:

  • Desidratação severa e hipovolemia
  • Distúrbios eletrolíticos, como alterações no potássio, sódio e cloreto
  • Redução da perfusão cerebral, levando a confusão mental e, em casos graves, coma

Sintomas do EHH

Os sintomas iniciais podem ser confundidos com outras condições, dificultando o diagnóstico precoce.

Sintomas mais comuns

  • Sede intensa
  • Poliúria (aumento da frequência urinária)
  • Fraqueza generalizada
  • Confusão mental ou alterações no estado de consciência
  • Náusea e vômito
  • Desidratação visível, com pele seca e mucosas secas
  • Tontura e hipotensão postural
  • Pode evoluir para coma se não tratado

Sintomas em estágios avançados

  • Convulsões
  • Alterações neurológicas, como ataxia
  • Coma profundo

Diagnóstico do EHH

O diagnóstico do Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico é baseado em critérios clínico-laboratoriais, que devem ser avaliados de forma rápida para uma intervenção adequada.

Critérios diagnósticos principais

  • Glicemia > 600 mg/dL
  • Osmolaridade sérica > 320 mOsm/kg
  • pH sérico > 7,3 (normal ou levemente alcalino)
  • Bicarbonato sérico > 15 mEq/L
  • Presença de desidratação e alteração do estado de consciência
  • Baixo ou ausente corpos cetônicos na urina e sangue

Exames laboratoriais essenciais

ExameCritério de interpretação
Glicemia> 600 mg/dL
Osmolaridade plasmática> 320 mOsm/kg (calculada ou direta)
pH e bicarbonatopH > 7,3; bicarbonato > 15 mEq/L
Cetonemia e cetonúriaBaixos ou ausentes
Sódio, potássio, cloretoAvaliar desequilíbrios eletrolíticos
Creatinina e ureiaAvaliação do grau de depleção volêmica

Cálculo da osmolaridade plasmática

A osmolaridade é um valor importante para monitorar a gravidade do quadro e pode ser estimada pela fórmula:

Osmolaridade estimada (mOsm/kg) = 2 x sódio + glicose/18 + ureia/2,8

Tratamento do EHH

A abordagem do EHH deve ser rápida e eficiente, envolvendo reidratação, correção da hiperglicemia e dos eletrólitos, além de monitoramento contínuo.

Passos iniciais

  1. Reidratação: administração de solução intravenosa de glucose a 0,9% ou solução de Ringer lactato, de acordo com o estado de desidratação.
  2. Correção da glicemia: com insulina regular, preferencialmente por infusão contínua, ajustada conforme resposta clínica e glicêmica.
  3. Reposição eletrolítica: monitoramento frequente do sódio, potássio, cloreto e outros eletrólitos, com reposição específica conforme as alterações laboratoriais.
  4. Tratamento de complicações: controle de convulsões, suporte neuropsicológico e tratamento de infecções concomitantes.

Recomendações detalhadas

  • Reidratação inicial: 1 litro de solução isotônica em 1 hora, ajustando conforme o peso, volume de perda e estado hemodinâmico.
  • Insulina: início com 0,025-0,05 U/kg/h, ajustando para reduzir a glicemia lentamente (não mais que 50-70 mg/dL por hora).
  • Correção de eletrólitos: manter o potássio em níveis adequados antes de iniciar a insulina, pois a insulina pode promover uma entrada de potássio às células e causar hipocalemia.

Cuidados adicionais

  • Monitorar sinais de hipoglicemia
  • Avaliar sinais de sobrecarga de volume
  • Corrigir possíveis infecções ou fatores precipitantes

Tabela de tratamento do EHH

Fase do tratamentoAçãoObjetivo
ReidrataçãoAdministração de solução isotônica (Ringer lactato ou soro fisiológico)Restaurar volume e circulação
Controle glicêmicoInfusão contínua de insulina regularReduzir glicemia de forma gradual
Correção de eletrólitosReposição de potássio, sódio e outros eletrólitos conforme necessidadePrevenir arritmias e complicações neurológicas
MonitoramentoAvaliação contínua dos sinais vitais, eletrólitos e glicemiaAjustar intervenções

Prevenção e fatores de risco

A prevenção do EHH está relacionada ao adequado controle do diabetes, ao monitoramento regular e à gestão eficiente de fatores precipitantes como infecções, doença cardiovascular, uso de medicamentos, entre outros.

Fatores de risco comuns

  • Descontrole glicêmico por negligência ou falta de adesão ao tratamento
  • Infecções, especialmente pneumonias e urinárias
  • Parcial ou total interrupção da insulina ou medicamentos antidiabéticos
  • Eventos de estresse fisiológico ou cirúrgico
  • Uso de diuréticos e outros medicamentos que aumentam o risco

Perguntas Frequentes

1. Quais são as principais diferenças entre EHH e cetoacidose diabética?

O EHH apresenta níveis mais elevados de glicose, maior hiperosmolaridade, pouca ou nenhuma produção de corpos cetônicos, e geralmente ocorre em pacientes com resistência à insulina do tipo 2. Já a DKA é mais comum no tipo 1, caracteriza-se por cetose significativa e acidose metabólica.

2. Como identificar precocemente o EHH?

Sintomas como sede excessiva, poliuria, confusão mental e sinais de desidratação devem alertar para a possibilidade de EHH, sobretudo em pacientes com diabetes já conhecido e com controle glicêmico insuficiente.

3. Quais complicações podem ocorrer se não tratado?

A complicação mais grave é o coma hiperosmolar, podendo levar à morte. Outras incluem convulsões, lesões neurológicas e falência renal.

4. Existe alguma maneira de prezer o risco de EHH?

Sim, através do controle rigoroso do diabetes, adesão ao tratamento, monitoramento frequente da glicemia e acompanhamento médico contínuo.

Conclusão

O Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico é uma emergência médica que requer atenção rápida e precisa. Seus sintomas, embora possam parecer sutis inicialmente, evoluem rapidamente para condições potencialmente fatais. A intervenção precoce com reidratação, controle glicêmico, reposição eletrolítica e monitoramento constante é fundamental para reduzir morbidade e mortalidade.

Profissionais de saúde e pacientes devem estar atentos aos sinais de alerta e compreender a importância do manejo adequado do diabetes. Como diz um renomado especialista, “a prevenção é sempre o melhor remédio, mas quando a crise acontece, a resposta rápida salva vidas.”

Referências

  1. American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes—2023. Diabetes Care. 2023; 46(Suppl 1): S161–S179.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo de Tratamento das Urgências e Emergências em Diabetes. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
  3. Kitabchi, A. E., Umpierrez, G. E., Miles, J. M., & Fisher, J. N. (2009). Hyperglycemic crises in adult patients with diabetes. Diabetes Care, 32(7), 1335-1343.
  4. Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)
  5. UpToDate - Diabetic hyperosmolar syndrome

Perguntas Frequentes (Resumidas)

  • Quais são os sinais clínicos do EHH? Sede intensa, confusão mental, desidratação, fraqueza.
  • Como é feito o diagnóstico? Com exames laboratoriais de glicemia, osmolaridade, eletrólitos, e avaliação clínica.
  • Como tratar o EHH? Reidratação, insulina, reposição eletrolítica e monitoramento contínuo.

Se você deseja manter sua saúde renal e neurológica, o controle rigoroso do diabetes e acompanhamento médico constante são essenciais. Faça sua parte e preserve sua qualidade de vida!