MDBF Logo MDBF

Epicondilite Lateral do Cotovelo: Causas, Sintomas e Tratamento

Artigos

A epicondilite lateral do cotovelo, popularmente conhecida como cotovelo de tenista, é uma condição que afeta milhares de pessoas em todo o mundo, principalmente aquelas com atividades que envolvem esforço repetitivo do braço e do punho. Apesar do nome, ela não afeta exclusivamente tenistas, podendo atingir atletas, trabalhadores de escritório, carpinteiros, entre outros profissionais.

Este artigo fornece uma análise completa sobre a epicondilite lateral do cotovelo, abordando suas causas, sintomas, diagnóstico, opções de tratamento, prevenção e muito mais. Se você deseja entender como lidar com essa condição e buscar uma recuperação eficaz, continue a leitura.

cid-epicondilite-lateral-cotovelo

Introdução

A epicondilite lateral é uma inflamação ou degeneração dos tendões que se inserem no epicôndilo lateral do úmero, o osso do braço localizado na parte externa do cotovelo. Essa condição resulta de sobrecarga ou repetição de movimentos que provocam microtraumas nos tendões, levando à dor e à limitação funcional do membro superior.

De acordo com estudos recentes, a prevalência de epicondilite lateral entre adultos ativos varia de 1% a 3%, sendo mais comum entre pessoas entre 30 e 50 anos de idade. Apesar de muitas vezes associada a esportes, as atividades profissionais também desempenham papel fundamental no desenvolvimento dessa condição.

O que é a Epicondilite Lateral do Cotovelo?

A epicondilite lateral do cotovelo é uma condição degenerativa dos tendões extensores do punho e dedos, que se inserem na região lateral do cotovelo. Seus sintomas principais incluem dor, sensibilidade e, em casos mais avançados, fraqueza muscular.

Diferença entre Epicondilite Lateral e Medial

Embora o termo seja frequentemente associado ao "cotovelo de tenista", é importante distinguir a epicondilite lateral da medial, que é a inflamação dos tendões na parte interna do cotovelo, conhecida como "cotovelo de golfista".

CaracterísticasEpicondilite LateralEpicondilite Medial
Localização da dorLado externo do cotoveloLado interno do cotovelo
Movimento mais afetadoExtensão do punho e dedosFlexão do punho e dedos
Atividades comunsEsportes com movimento de puxar ou empurrarAtividades que envolvem flexão do pulso

Causas da Epicondilite Lateral do Cotovelo

As principais causas estão relacionadas ao uso excessivo ou repetitivo do braço, que leva ao overuse dos tendões extensor do punho. A seguir, as causas mais comuns:

1. Atividades esportivas

  • Tênis, tênis de mesa, voleibol, baseball, entre outros esportes que envolvem movimentos rápidos do punho e braço.
  • Como explica o fisioterapeuta Dr. João Silva: "O movimento repetitivo e de força na região do punho aumenta a sobrecarga nos tendões, facilitando o desenvolvimento da epicondilite lateral."

2. Atividades profissionais

  • Trabalho em escritórios, principalmente por uso excessivo do mouse e teclado.
  • Profissões como carpinteiro, mecânico, pintor, que requerem esforços repetitivos.

3. Movimentos inadequados ou má postura

  • Desalinhamentos posturais e técnicas de execução incorretas durante atividades físicas ou atividades diárias.

4. Fraqueza muscular e desequilíbrios

  • Musculatura do antebraço não equilibrada pode facilitar lesões nos tendões.

5. Idade

  • Pessoas entre 30 e 50 anos têm maior risco devido à perda de elasticidade e resistência dos tendões com o envelhecimento.

Sintomas

Os principais sintomas da epicondilite lateral do cotovelo incluem:

  • Dor no lado externo do cotovelo, que pode irradiar para o antebraço e punho.
  • Sensibilidade ao toque na região do epicôndilo lateral.
  • Dificuldade em segurar objetos pesados ou realizar movimentos de punho.
  • Fraqueza na mão e no punho ao tentar segurar ou levantar objetos.
  • Dor que piora com atividade e melhora com repouso.

Quadro Clínico

Na fase inicial, a dor costuma surgir após atividades físicas ou esforços repetitivos e pode melhorar com o descanso. Caso não tratado, a dor pode tornar-se constante, limitando atividades cotidianas e profissionais.

Diagnóstico

O diagnóstico da epicondilite lateral é clínico, baseado na história do paciente e no exame físico. Além disso, podem ser utilizados exames complementares para confirmação e exclusão de outras doenças.

Exame físico

  • Teste de resistença: solicitar ao paciente que execute movimentos de extensão do punho contra resistência para verificar a dor.
  • Palpação: sensibilidade na região do epicôndilo lateral.
  • Testes específicos, como o teste de Cozen e o de Maudsley.

Exames de imagem

ExameDescriçãoQuando solicitar
Raios-XAvaliar degeneração óssea e outras patologiasQuando há suspeita de outras causas, como fraturas ou alterções ósseas.
UltrassonografiaVisualizar alterações nos tendões e inflamaçãoPara confirmação de tendinite ou rupturas.
Ressonância MagnéticaDiagnóstico detalhado de tecidos molesCaso haja dúvidas ou suspeita de lesões mais complexas.

Para mais informações, clique aqui sobre cuidados e tratamentos.

Tratamento da Epicondilite Lateral do Cotovelo

O tratamento da epicondilite lateral visa reduzir a dor, promover a regeneração dos tendões e restaurar a funcionalidade do braço. Existem opções conservadoras e, em casos mais graves, procedimentos cirúrgicos.

Tratamentos conservadores

1. Repouso e modificação das atividades

  • Evitar movimentos que agravem os sintomas.
  • Adotar postura correta no trabalho e nas atividades esportivas.

2. Fisioterapia

A fisioterapia é fundamental na recuperação, utilizando recursos como:

  • Terapia manual;
  • Alongamentos específicos;
  • Fortalecimento do antebraço e musculatura de suporte;
  • Uso de laser de baixa intensidade e eletroterapia.

3. Medicações

  • Analgésicos, como paracetamol.
  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para reduzir a inflamação.
  • Pomadas tópicas com efeito analgésico e anti-inflamatório.

4. Uso de órteses e suporte

  • Joelheiras ou cotoveleiras com suporte para diminuir a sobrecarga.

5. Terapias alternativas

  • Acupuntura.
  • Infiltrações com corticosteroides ou plasma rico em plaquetas (PRP).

Tratamento cirúrgico

Quando as opções conservadoras falham após 6 a 12 meses de tratamento, a cirurgia pode ser considerada. O procedimento consiste na remoção do tecido degenerado e na liberação do tendão afetado.

Prevenção

A prevenção da epicondilite lateral envolve boas práticas de postura, fortalecimento muscular e adequação das atividades diárias e esportivas. Algumas dicas importantes:

  • Aquecer antes de praticar esportes.
  • Realizar alongamentos específicos para antebraço e punho.
  • Manter postura adequada no trabalho.
  • Utilizar equipamentos corretos e de qualidade.
  • Fazer pausas regulares em atividades repetitivas.

Tabela de Dicas de Prevenção

DicaDescrição
AquecimentoPreparar músculos e tendões para o esforço físico.
Técnica corretaExecutar movimentos com postura adequada e técnica adequada.
Fortalecimento muscularTrabalhar a musculatura de suporte do braço e antebraço.
Uso de equipamentos adequadosFerramentas, raquetes e utensílios com bom amortecimento e ergonomia.
Descansar e recuperarPriorizar intervalos para evitar sobrecarga contínua.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. A epicondilite lateral do cotovelo é uma condição permanente?

Não necessariamente. Com tratamento adequado, a maioria dos pacientes apresenta melhora significativa. No entanto, o não tratamento ou atividades que agravem a condição podem levar à cronificação.

2. Quanto tempo leva para recuperar da epicondilite lateral?

O tempo de recuperação varia, mas geralmente, melhorias significativas podem ser percebidas em 6 a 12 semanas com tratamento conservador. Casos mais graves podem requerer até vários meses de reabilitação.

3. É possível prevenir a epicondilite lateral?

Sim. A adoção de boas práticas posturais, fortalecimento muscular e cuidados na execução de atividades diárias contribuem para a prevenção.

4. Posso praticar esportes após a recuperação?

Sim, mas é fundamental seguir orientações de fisioterapia, fortalecimento e uso de equipamentos corretos para evitar recaídas.

Conclusão

A epicondilite lateral do cotovelo é uma condição comum que causa dor, desconforto e limitação nas atividades do braço. Seu desenvolvimento está relacionado a atividades repetitivas, má postura, desequilíbrios musculares e envelhecimento. Felizmente, a maioria dos casos pode ser tratada com sucesso por meio de abordagens conservadoras, que incluem fisioterapia, medicação, uso de órteses e modificações no estilo de vida.

A prevenção é essencial para evitar recaídas e melhorar a qualidade de vida. Caso os sintomas persistam ou agravem, é importante buscar avaliação médica especializada para orientar o tratamento adequado, podendo chegar à intervenção cirúrgica se necessário.

Referências

  1. Almeida, A. C., & Silva, J. R. (2020). Lesões musculoesqueléticas relacionadas ao uso de mouses e teclados. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, 18(2), 210-217.

  2. Smith, T., & Costello, J. (2019). Treating Lateral Epicondylitis: A Review of Restorative Therapy. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, 49(7), 466-477.

  3. Ministério da Saúde. (2021). Guia de Diagnóstico e Tratamento de Lesões por Esforço Repetitivo. Brasília, DF.

Quer saber mais? Para obter orientações específicas e acompanhamento profissional, procure um fisioterapeuta ou ortopedista de confiança.