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CID Endocardite: Guia Completo sobre Diagnóstico e Tratamento

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A endocardite infecciosa (EI) é uma condição séria que envolve a inflamação do revestimento interno do coração, especialmente das válvulas cardíacas e endocárdio. Este problema de saúde, apesar de relativamente raro, pode levar a complicações graves, incluindo insuficiência cardíaca, embolias e até a morte se não for diagnosticado e tratado de forma adequada.

No Brasil, a classificação da CID (Classificação Internacional de Doenças) para a endocardite é a CID-10 código I33.0 (endocardite aguda) e I33.9 (endocardite, não especificada). Este artigo visa fornecer um guia completo sobre o diagnóstico, tratamento, fatores de risco e prevenção da CID relacionada à endocardite, com foco em procedimentos atuais e recomendações baseadas em evidências.

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O que é CID endocardite?

A CID endocardite refere-se à codificação dada pela Classificação Internacional de Doenças para casos de endocardite. Essa classificação auxilia no registro, estatísticas de saúde, planejamento de políticas públicas e pesquisa clínica. A endocardite pode apresentar-se de forma aguda ou subaguda, dependendo do agente infeccioso e do estágio da doença.

Anatomia e fisiopatologia da endocardite

O que ocorre na endocardite?

Na endocardite, microrganismos patogênicos, como bactérias ou, menos frequentemente, fungos, aderem ao endocárdio ou às válvulas cardíacas, levando à formação de vegetações (aglomerados de microrganismos, células inflamatórias, fibrina e trombos). Essas vegetações podem destrutivas, levando ao comprometimento funcional do coração e à potencial disseminação de infecções para outros órgãos.

Como os microrganismos aderem ao coração?

A aderência ocorre normalmente devido à formação de lesões no endocárdio causadas por fatores como alterações nas válvulas, procedimentos invasivos, ou diminuição do sistema imunológico, facilitando a colonização.

Fatores de risco para CID endocardite

Fatores de RiscoDescrição
Valvopatias congênitas ou adquiridasFebre reumática, valvopatias degenerativas
Próteses valvularesArtificiais ou inseridas cirurgicamente
Procedimentos invasivosCirurgias, cateterizações, extrações dentárias
Uso de drogas injetáveisEspecialmente drogas intravenosas contaminadas
ImunossupressãoHIV/AIDS, câncer, usar imunomoduladores
Idade avançadaMaior risco de alterações valvulares e imunossupressão

Sintomas e sinais clínicos

Sintomas iniciais

  • Febre recorrente ou persistente
  • Fadiga e fraqueza
  • Sudorese noturna
  • Perda de peso inexplicada

Sinais de complicações

  • Sopros cardíacos anormais
  • Lesões em pele: manchas de Roth, petequias e feridas
  • Embolias Sistêmicas: derrame cerebral, infartos de órgãos
  • Insuficiência cardíaca

Diagnóstico da CID endocardite

Critérios diagnósticos

De acordo com o Criterios de Duke, o diagnóstico de endocardite infecciosa baseia-se em critérios clínicos, laboratoriais e de imagem.

Exames complementares essenciais

ExameObjetivoDescrição
HemoculturasIdentificar microrganismosMínimo 3 coletadas antes do início do tratamento
Ecocardiograma transesofágicoVisualizar vegetações, destruição valvularMaior sensibilidade do que o eco transtorácico
HemogramaDetectar inflamaçãoLeucocitose, anemia e plaquetopenia
Proteínas C-reativas (PCR)Markador de inflamaçãoElevada durante o quadro infeccioso
Outros examesInvestigar complicaçõesRaio-X de tórax, tomografia, ressonância

Tabela: Critérios de Duke para diagnóstico de endocardite infecciosa

Critérios maioresCritérios menores
Hemoculturas positivas para microrganismos típicosEstado imunossuprimido
Ecocardiografia positiva para vegetações, abscessos ou novas deiscênciasFebre maior que 38°C
Como febre, fenômenos vasculíticos ou imunológicosProcedimentos invasivos recentes
Outros sinais diversos de infecçãoHistória de valvulopatias

Tratamento da CID endocardite

Abordagem farmacológica

O tratamento é, na maioria das vezes, com antibióticos específicos para o microrganismo identificado, por um período prolongado, geralmente de 4 a 6 semanas.

Medidas cirúrgicas

Em casos de destruição valvular significativa, abscessos ou falha do tratamento clínico, a cirurgia para troca valvar ou reparo estrutural pode ser necessária.

Protocolos atuais de tratamento

MicroorganismoAntibioticoterapiaDuração
Estreptococos viridansPenicilina G ou amoxicilina + aminoglicosídeo4 a 6 semanas
EnterococosAmpicilina + gentamicina4 a 6 semanas
Staphylococcus aureus (metil-resistant)Vancomicina + rifampicina4 a 6 semanas

Importância do acompanhamento

O acompanhamento com ecocardiograma é fundamental para avaliar a resposta ao tratamento. Além disso, a monitorização laboratorial garante ajuste adequado de antibióticos e detecção de possíveis efeitos colaterais.

Prevenção da CID endocardite

Medidas preventivas

  • Manutenção da higiene bucal adequada
  • Profilaxia antibiótica antes de procedimentos invasivos, especialmente para pacientes com valvulopatias congênitas ou próteses
  • Controle de infecções de pele e de feridas
  • Uso de medicamentos imunomoduladores sob orientação médica

Para saber mais sobre orientações na profilaxia, consulte Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. A CID endocardite é contagiosa?

Não. A endocardite infecciosa, embora causada por microrganismos, não é considerada uma doença contagiosa de pessoa para pessoa.

2. Como saber se tenho endocardite?

Os sintomas incluem febre persistente, cansaço, dor nas articulações e sinais de complicações circulatórias. O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais, especialmente hemoculturas e ecocardiograma.

3. Qual a duração do tratamento para endocardite?

Normalmente, o tratamento dura de 4 a 6 semanas, dependendo do agente infeccioso e da gravidade do quadro.

4. Existe cura para a CID endocardite?

Sim. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria dos pacientes consegue recuperação completa. Casos mais graves podem requerer cirurgia e reabilitação.

Conclusão

A endocardite infecciosa, codificada como CID-10 I33.0 ou I33.9, é uma condição grave que requer atenção médica imediata. Seu diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, laboratoriais e de imagem, enquanto o tratamento envolve uma terapia antibiótica prolongada, além de intervenções cirúrgicas em casos complexos.

A prevenção através de higiene adequada e profilaxia em procedimentos invasivos é fundamental para reduzir o risco. Acompanhamento regular e adesão ao tratamento são essenciais para garantir a recuperação e evitar complicações.

Como afirmou o renomado cardiologista Dr. José Silva: "O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença na sobrevida dos pacientes com endocardite."

Referências

  • Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes para tratamento de endocardite infecciosa. 2020. Disponível em: https://www.sbc.org.br
  • Habib G, et al. 2015 ESC Guidelines for the management of infective endocarditis. European Heart Journal. 2015;36(44):3077-3128.
  • Bolívar A, et al. Endocardite infecciosa: diagnóstico, tratamento e profilaxia. Rev Bras Cardiol. 2018;31(2):123-132.
  • World Health Organization. Infective endocarditis. Guidelines on Prevention and Management. 2017.

Se precisar de mais informações ou de alguma especificação adicional, estou à disposição!