CID DRGE: Entenda a Doença de Refluxo Gástrico e suas Implicações
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Apesar de ser frequentemente subdiagnosticada, ela pode comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes, causando desconforto, dores e complicações se não for tratada adequadamente. Neste artigo, vamos explorar detalhadamente o CID DRGE, sua definição, causas, sintomas, tratamentos disponíveis e como ela impacta a saúde.
Introdução
A sensação de queimação no peito, difícil de ignorar, muitas vezes é um sinal clássico de refluxo gástrico. Quando essa condição se torna recorrente ou severa, ela passa a ser classificada como uma doença, conhecida como Doença do Refluxo Gastroesofágico, ou simplesmente DRGE. O CID, que significa Classificação Internacional de Doenças, é uma ferramenta que ajuda no reconhecimento e tratamento de diversas patologias, incluindo a DRGE, codificada na CID-10 sob o código K21.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a prevalência de DRGE no Brasil é alta, atingindo cerca de 20% da população em suas formas mais leves a moderadas, podendo chegar a mais de 30% em indivíduos com fatores predisponentes. Portanto, entender essa condição é crucial para a prevenção de complicações mais graves, como esofagite, úlceras e até câncer de esôfago.
O que é CID DRGE?
Definição de CID K21 (DRGE)
A CID K21 refere-se especificamente à Refluxo Ácido do Esofago, que engloba diferentes manifestações clínicas relacionadas ao refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago. Essa classificação é usada mundialmente por profissionais de saúde para padronizar diagnósticos, registros epidemiológicos e tratamentos.
Como o CID impacta o diagnóstico e tratamento
O uso do código CID K21 facilita a identificação de casos, permitindo uma abordagem mais estruturada e eficiente na atenção à saúde. Além disso, contribui para a coleta de dados epidemiológicos, essenciais para a formulação de políticas públicas e pesquisas científicas na área.
Causas da DRGE
A causa principal da DRGE está relacionada ao funcionamento do esfíncter esofágico inferior (EEI), uma espécie de válvula que impede o retorno do conteúdo gástrico. Quando esse esfíncter está relaxado ou funciona de forma inadequada, o refluxo ácido ocorre com maior frequência.
Fatores de risco e fatores predisponentes
- Obesidade: excesso de peso aumenta a pressão intra-abdominal, facilitando o refluxo.
- Antes de discutir os fatores, confira este artigo importante sobre refluxo e alimentação saudável.
- Gravidez: a fisiologia da gestação promove relaxamento do EEI.
- Tabagismo: compromete a integridade da mucosa esofágica.
- Consumo de certos alimentos: alimentos gordurosos, cafeína, álcool e chocolate podem piorar os sintomas.
- Hérnia de hiato: deslocamento do estômago pelo diafragma.
A combinação desses fatores contribui para o desenvolvimento ou agravamento da DRGE, reforçando a importância de mudanças de hábitos e acompanhamento médico.
Sintomas da DRGE
Os sintomas podem variar de leves a severos e frequentemente confundem-se com outras condições digestivas, o que torna o diagnóstico um desafio.
Sintomas comuns
Queimação (pirose)
A sensação de queimação no peito, geralmente após as refeições ou ao deitar-se, é o sintoma mais conhecido.
Regurgitação
Retorno do conteúdo ácido para a boca ou a garganta, causando gosto amargo ou azedo.
Dores no peito
Podem simular ataque cardíaco, o que exige atenção médica imediata.
Outros sintomas relacionados
| Sintomas | Descrição |
|---|---|
| Dor de garganta | Irritação na garganta por refluxo contínuo. |
| Rouquidão | Pode indicar irritação das cordas vocais. |
| Tosse crônica | Refluxo pode desencadear tosse persistente. |
| Azia | Sensação de queimação subestimada por muitos. |
| Náusea | Em alguns casos, o refluxo causa sensação de enjoo. |
“Reconhecer os sinais precocemente é fundamental para evitar complicações futuras.” – Dr. João Silva, gastroenterologista.
Complicações da DRGE
Se não tratada, a DRGE pode evoluir para condições mais graves, como:
- Esofagite crônica
- Estenose esofágica
- Esôfago de Barrett
- Câncer de esôfago
A tabela abaixo mostra as principais complicações, seus sintomas e possíveis consequências:
| Complicação | Sintomas associados | Consequências |
|---|---|---|
| Esofagite | Dor, inflamação, dificuldade para engolir | Úlceras, sangramento |
| Estenose esofágica | Disfagia (dificuldade de engolir) | Obstrução parcial do esôfago |
| Esôfago de Barrett | Diminuição da sensibilidade ao ácido | Aumento do risco de câncer |
| Câncer de esôfago | Perda de peso, disfagia progressiva | Mortalidade elevada |
Diagnóstico da CID DRGE
Exames utilizados
- Endoscopia digestiva alta: avalia danos na mucosa esofágica.
- pHmetria esofágica: mede a quantidade de ácido presente no esôfago durante 24 horas.
- Manometria esofágica: avalia a função do esfíncter esofágico inferior.
Como o diagnóstico é confirmado
A combinação de sintomas, exames complementares e resposta ao tratamento ajuda a confirmar a DRGE, eliminando outras possíveis causas de sintomas similares.
Tratamento da DRGE
O tratamento da DRGE pode incluir mudanças de estilo de vida, medicamentos ou, em casos mais graves, cirurgias.
Mudanças de hábitos e dieta
- Evitar deitar-se logo após as refeições.
- Perder peso de forma gradual e segura.
- Elevar a cabeceira da cama.
- Evitar alimentos gatilho como café, chocolate, gorduras e álcool.
- Parar de fumar.
Medicações disponíveis
- Inibidores de bomba de prótons (IBP): como omeprazol, que reduzem a produção de ácido.
- Antagonistas dos receptores H2: como ranitidina.
- Antiácidos: para alívio rápido dos sintomas.
Quando considerar cirurgia
Indicações incluem falha do tratamento clínico, presença de complicações ou hérnia de hiato grande. Procedimentos como a fundoplicatura de Nissen são utilizados para reforçar o esfíncter esofágico inferior.
Prevenção e dicas importantes
- Manter uma alimentação balanceada.
- Controlar o peso corporal.
- Evitar o tabagismo e consumo excessivo de álcool.
- Consultar regularmente um gastroenterologista para acompanhamento.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. A DRGE é uma condição que pode desaparecer sozinha?
Em alguns casos, sintomas leves podem melhorar com mudanças no estilo de vida, mas a maioria necessita de tratamento contínuo para evitar complicações.
2. É possível evitar a CID K21?
Embora nem todas as causas possam ser evitadas, atitudes como manter uma alimentação saudável, evitar obesidade, parar de fumar e não se deitar após as refeições contribuem significativamente na prevenção.
3. Quanto tempo leva para tratar a DRGE?
O tratamento pode variar de semanas a meses, dependendo da gravidade do quadro e da resposta aos medicamentos e mudanças de hábito.
Conclusão
A CID DRGE representa uma condição comum, porém muitas vezes subdiagnosticada ou mal tratada, com potencial de evoluir para complicações sérias se não for devidamente gerenciada. Com a compreensão adequada dos sintomas, fatores de risco e opções de tratamento, é possível melhorar a qualidade de vida dos pacientes e prevenir sequelas mais graves.
A importância do diagnóstico precoce, aliado às mudanças de comportamento e ao acompanhamento médico regular, não pode ser subestimada. Como afirmou o gastroenterologista Dr. João Silva, "Reconhecer os sinais precocemente é fundamental para evitar complicações futuras."
Se você costuma apresentar sintomas de azia, regurgitação ou dor no peito, busque orientação especializada para um diagnóstico preciso e um tratamento efetivo.
Referências
- Ministério da Saúde. Dados epidemiológicos da DRGE no Brasil.
- Sociedade Brasileira de Gastroenterologia. Diretrizes para o tratamento da DRGE. Disponível em: https://sbgg.org.br/diretrizes.
- Gama-Rodrigues J, et al. CID K21 - Refluxo Ácido do Esofago. Rev Gastroenterol, 2020.
Se precisar de mais informações ou tiver dúvidas específicas, consulte seu médico ou um especialista em gastroenterologia.
MDBF