CID Dor Precordial a Esclarecer: Guia Completo para Profissionais de Saúde
A dor precordial representa uma das queixas clínicas mais comuns nos serviços de emergência e atenção primária. Sua origem pode ser multifatorial, envolvendo desde condições benignas até patologias potencialmente fatais. O diagnóstico preciso é fundamental para determinar a conduta adequada, evitar complicações e proporcionar um tratamento eficaz ao paciente. Este artigo tem como objetivo oferecer um panorama completo sobre o CID (Código Internacional de Doenças) relacionado à dor precordial a esclarecer, discutindo suas possíveis causas, condutas diagnósticas e condutas terapêuticas.
O que é CID e sua importância?
O CID é uma classificação internacional que padroniza os diagnósticos em saúde, facilitando a coleta de dados epidemiológicos, pesquisas, além de orientar a prática clínica e as políticas de saúde pública. Para dor precordial, diversos códigos podem estar associados, dependendo da etiologia suspeitada ou confirmada.

Diagnóstico de dor precordial: aspectos iniciais
A avaliação de uma paciente ou paciente com dor precordial deve seguir uma abordagem sistemática, incluindo anamnese detalhada, exame físico completo e exames complementares apropriados. Conhecer os diferentes tipos de dor, fatores desencadeantes, duração, intensidade e características auxilia na diferenciação das causas possíveis.
Características da dor precordial
| Característica | Descrição | Observação |
|---|---|---|
| Localização | Região anterior do tórax, região retroesternal | Pode irradiar para pescoço, braço esquerdo ou mandíbula |
| Tipo | Pontada, queimação, pressão, aperto | Pode indicar isquemia, refluxo ou outras causas |
| Duração | Segundos a horas | Duração curta sugere causas benignas, longa pode indicar graves |
| Fatores de alívio ou agravamento | Alívio com medicamentos, alterações pós-esforço | Importante para diagnóstico diferencial |
Classificação das causas de dor precordial (CID)
A seguir, apresentamos uma tabela com os principais códigos CID relacionados às causas de dor precordial a esclarecer, divididos por categorias etiológicas.
| Código CID | Categoria | Causas principais |
|---|---|---|
| R07.4 | Dor torácica, não classificada em outra parte | Dor inespecífica, de origem não clarificada |
| I20–I25 | Doenças isquêmicas do coração | Angina do peito, infarto do miocárdio |
| K21 | Refluxo gastroesofágico | Refluxo ácido causando dor torácica |
| M54.6 | Dor regional e dor neurálgica | Neuralgia intercostal, neuralgia cervica |
| J18.9 | Pneumonia não especificada | Pode causar dor precordial por inflamação pulmonar |
| R09.1 | Dispneia e dor no peito não especificada | Situações de pneumonia ou trauma pulmonar |
Avaliação clínica e conduta diagnóstica
Anamnese detalhada
Ao identificar uma dor precordial, o primeiro passo é colher informações essenciais:
- Início abrupto ou gradual?
- Associada a esforço, repouso ou esforço físico?
- Relacionada a alimentos ou postura?
- Acompanhada de sintomas como sudorese, náusea, tontura ou síncope?
- Histórico de doenças cardíacas, hipertensão, diabetes ou outras comorbidades?
Exame físico
- Avaliação da frequência cardíaca e pressão arterial
- Ausculta cardíaca e pulmonar
- Palpação e avaliação de pontos sensíveis e regiões de dor
- Exame de extremidades para sinais de insuficiência cardíaca ou trombose
Exames complementares
- Eletrocardiograma (ECG)
- Angiotomografia coronariana ou coronariografia
- Exames laboratoriais (troponina, hemograma, eletrólitos)
- Raios-X de tórax
- Ecocardiograma
Diagnóstico diferencial de dor precordial
A seguir, apresentamos uma análise resumida das principais causas de dor precordial a esclarecer, suas características clínicas e códigos CID relacionados.
Doenças Cardíacas
Angina do peito (I20–I25)
Causa comum de dor precordial de início súbito, geralmente associada ao esforço físico ou estresse emocional. A angina clássica apresenta-se como uma sensação de pressão ou aperto no centro do peito, podendo irradiar para braço esquerdo, pescoço ou mandíbula. A presença de fatores de risco cardiovascular aumenta a suspeição.
Infarto do miocárdio (I21–I22)
Dor intensa, prolongada, muitas vezes acompanhada de sudorese, náusea e dispneia. Requer intervenção imediata.
Causas Gastrointestinais
Refluxo gastroesofágico (K21)
Dor que pode mimetizar angina, geralmente ao deitar ou após refeições gordurosas. Pode melhorar com antiácidos.
Dispepsia ou problemas pancreáticos
Dor difusa ou persistentemente localizada na região epigástrica e região precordial.
Causas Pulmonares
Pleurite ou pneumonia (J18.9, J86)
Dor que piora com a respiração profunda ou tosse.
Embolia pulmonar
Dor súbita, intensa, relacionada à dispneia e possível síncope.
Outras causas
- Neuralgias intercostais (M54.6)
- Ansiedade e ataques de pânico
Quando suspeitar de uma causa grave?
A presença de dor precordial associada aos seguintes sinais e sintomas deve levantar suspeita de uma causa grave e requer avaliação emergencial:
- Dor de início súbito e intensa
- Irradiação para pescoço, mandíbula ou braço esquerdo
- Sudorese fria
- Dispneia intensa
- Tontura ou desmaio
- Náusea ou vômito
- Sinais de choque ou hipotensão
Conduta e encaminhamento
Após avaliação, a conduta adequada deve ser determinada com base na suspeita clínica:
- Estabilizar o paciente e solicitar exames de emergência em caso de suspeita de IAM
- Iniciar terapias empíricas para refluxo ou dispepsia
- Encaminhar para especialista em cardiologia ou pneumologia conforme a causa suspeitada
Perguntas frequentes
1. Qual a diferença entre dor precordial de origem cardíaca e não cardíaca?
A dor cardíaca geralmente apresenta-se como sensações de pressão ou aperto, de início súbito, muitas vezes irradiada e relacionada ao esforço. Já a dor não cardíaca pode ser de características variadas, como queimação (pirexia), ou situada na região superior do abdômen ou região intercostal, e pode estar relacionada à digestão ou problemas pulmonares.
2. Quais exames solicitar primeiro?
O eletroucardiograma (ECG) é o exame inicial mais importante. Posteriormente, podem ser solicitados exames de imagem ou laboratoriais conforme a suspeita clínica.
3. Como diferenciar uma dor de origem cardíaca de uma gastrointestinal?
Observando-se a história clínica, fatores desencadeantes, características da dor, além de exames complementares como a resposta ao uso de antiácidos e os exames de imagem.
Conclusão
A dor precordial a esclarecer representa um desafio diagnóstico para profissionais de saúde, dados seus múltiplos etiológicos e potencial gravidade. Uma abordagem sistemática, aliada a uma avaliação clínica detalhada com uso racional de exames complementares, é essencial para identificar rapidamente as causas graves e garantir o manejo adequado do paciente. Como disse o renomado cardiologista Dr. Paulo Machado, “a precisão no diagnóstico de uma dor precordial pode salvar vidas”.
Para aprofundamento, recomenda-se consultar artigos especializados e diretrizes atualizadas, como os disponíveis na Sociedade Brasileira de Cardiologia e no Ministério da Saúde.
Referências
Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes de Doenças Cardiovasculares. 2022. Disponível em: https://www.sbcc.org.br.
Ministério da Saúde. Protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br.
Fernandes, A. C. et al. Dor precordial: etiologias e condutas. Revista Brasileira de Emergências, 2020; 26(2): 159-167.
World Health Organization. International Classification of Diseases (ICD-10). 2019.
Este artigo buscou oferecer um guia completo para que profissionais de saúde possam orientar o diagnóstico e manejo da dor precordial, promovendo assim uma assistência mais segura e eficiente.
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