CID - Doença Vascular Periférica: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
A Doença Vascular Periférica (DVP) é uma condição que afeta os vasos sanguíneos fora do coração e do cérebro, principalmente as artérias que fornecem sangue às pernas, braços, rins e outros órgãos. Sua prevalência vem aumentando, especialmente em populações com fatores de risco como tabagismo, diabetes, hipertensão arterial e dislipidemia. Compreender o CID relacionado, os sintomas, métodos de diagnóstico e opções de tratamento é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e prevenir complicações graves, como amputações.
Introdução
A Doença Vascular Periférica, também conhecida como Doença Arterial Periférica, representa uma das manifestações mais comuns da aterosclerose, uma condição que provoca o acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias. Quando essas placas bloqueiam ou estreitam os vasos sanguíneos, a circulação sanguínea fica comprometida, levando a sintomas desconfortáveis e potencialmente graves.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 200 milhões de pessoas ao redor do mundo convivem com algum grau de DVP. No Brasil, dados de estudos epidemiológicos sugerem que a prevalência pode chegar a 10% na população adulta, sendo uma das principais causas de incapacidade entre idosos.
Este artigo aborda de forma detalhada o CID da Doença Vascular Periférica, explicando seus sintomas, métodos de diagnóstico, opções de tratamento disponíveis e dicas para prevenção, além de responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.
O que é o CID da Doença Vascular Periférica?
O CID (Classificação Internacional de Doenças), atualmente na versão CID-10, classifica a Doença Vascular Periférica sob o código I73.9: "Doença arterial periférica, não especificada". Este código é utilizado tanto para fins clínicos quanto administrativos nos sistemas de saúde, ajudando na padronização e na coleta de dados epidemiológicos.
CID-10 e suas subclasses relacionadas
| Código CID | Descrição | Observações |
|---|---|---|
| I70.2 | Artropatia aterosclerótica | Pode incluir casos relacionados à aterosclerose |
| I73.0 | Envolvimento das artérias periféricas | Engloba diferentes manifestações da DVP |
| I73.9 | Doença arterial periférica, não especificada | Código genérico para casos sem classificação específica |
Fonte: Organização Mundial da Saúde - CID-10
Sintomas da Doença Vascular Periférica
A manifestação clínica da DVP varia de acordo com a gravidade da obstrução vascular, a localização e o ritmo da evolução da doença. Conhecer os sintomas é crucial para buscar atendimento precoce e evitar complicações.
Sintomas mais comuns
Dor nas pernas (Claudicação intermitente)
A dor, geralmente na panturrilha, perna ou no pé, ocorre durante a atividade física e melhora com o repouso. Essa dor é resultado da falta de circulação sanguínea adequada e é considerada a principal queixa dos pacientes com DVP.
Sensação de formigamento ou dormência
Quando há comprometimento mais avançado, podem surgir sensações de formigamento ou dormência nas extremidades afetadas.
Feridas que não cicatrizam
Lesões ou feridas nos pés ou pernas que permanecem abertas por longos períodos e apresentam dificuldades de cicatrização indicam um grave comprometimento vascular.
Mudanças na cor da pele
A pele pode apresentar coloração mais pálida, azulada (cianose) ou escurecida, além de ressecamento, unhas quebradiças e perda de pelos na região afetada.
Frieza nas extremidades
As pernas ou os pés podem sentir-se constantemente mais frios ao toque devido à má circulação sanguínea.
Sintomas avançados
- Dor em repouso, especialmente à noite
- Diminuição ou perda de pulso na região afetada
- Gangrena em casos extremos, levando à necessidade de amputação
Como é feito o diagnóstico da Doença Vascular Periférica?
O diagnóstico precoce da DVP é fundamental para evitar complicações. Diversos exames podem ser utilizados para identificar a presença, localização e gravidade da obstrução arterial.
Exames clínicos
O médico realizará uma avaliação detalhada, incluindo histórico clínico, avaliação do pulso periférico, inspeção da pele e das feridas, além de verificar sinais de circulação comprometida.
Exames complementares
Índice tornozelo-braço (ITB)
O ITB é um teste simples e rápido que mede a pressão arterial nas pernas em relação aos braços. Valores abaixo de 0,9 indicam Doença Vascular Periférica.
Ultrassonografia Doppler
Utiliza ondas sonoras para avaliar o fluxo sanguíneo e identificar obstruções ou estreitamentos nas artérias.
Angiografia
Exame invasivo que utiliza contraste e raios-X para visualizar os vasos sanguíneos, sendo útil para planejamento cirúrgico ou intervenção endovascular.
Outras opções
- Testes de esforço
- Angiotomografia (CTA)
- Ressonância magnética vascular
Tabela comparativa de exames diagnósticos
| Exame | Objetivo | Vantagens | Limitações |
|---|---|---|---|
| Índice tornozelo-braço | Avaliação da obstrução arterial | Rápido, não invasivo | Menos detalhado para localização específica |
| Doppler venoso | Avaliação do fluxo sanguíneo | Não invasivo, acessível | Não detalha anatomia precisão |
| Angiografia | Visualização detalhada dos vasos | Alta definição, terapia guiada | Invasivo, risco de complicações |
| Angiotomografia (CTA) | Mapeamento detalhado das artérias | Rápido, detalhado | Exposição à radiação e contraste |
Tratamento da Doença Vascular Periférica
O tratamento da DVP visa aliviar os sintomas, prevenir a progressão da aterosclerose e evitar complicações graves, incluindo amputações.
Mudanças no estilo de vida
- Cessar o tabagismo
- Alimentação saudável, rica em frutas, vegetais, gorduras insaturadas
- Exercício físico regular, sob orientação médica
- Controle rigoroso de diabetes, hipertensão e dislipidemia
Tratamento medicamentoso
Fármacos utilizados
- Antiplaquetários (ex: aspirina, clopidogrel) para reduzir risco de eventos trombóticos
- Analgésicos para controle da dor
- Vasodilatadores para melhorar circulação
- Estatinas para controle do colesterol
Tratamento invasivo
Angioplastia e stent
Procedimento minimamente invasivo que dilata a artéria obstruída com balão e pode incluir a colocação de stent para manter a artéria aberta.
Cirurgia de alta e baixa complexidade
Revascularização cirúrgica por meio de ponte de safena ou outros enxertos é indicada em casos graves ou quando os procedimentos menos invasivos não são eficazes.
Tabela de opções de tratamento
| Opção | Indicação | Vantagens | Riscos ou limitações |
|---|---|---|---|
| Mudanças no estilo de vida | Todos os estágios da DVP | Não invasivo, acessível | Requer disciplina longa prazo |
| Medicamentoso | Sintomas leves ou moderados | Controle dos fatores de risco | Efeitos colaterais potenciais |
| Angioplastia e stent | Obstruções moderadas a graves | Menos invasivo que cirurgia | Reestenose, necessidade de nova intervenção |
| Cirurgia vascular | Obstruções extensas, falha de outros tratamentos | Revascularização eficiente | Risco cirúrgico, recuperação mais lenta |
Como prevenir a Doença Vascular Periférica?
A prevenção inclui ações que reduzem os fatores de risco e promovem a saúde vascular:
- Não fumar
- Manter alimentação balanceada
- Praticar atividade física regularmente
- Controlar doenças crônicas
- Realizar exames periódicos de saúde
- Manter peso corporal adequado
Citação: "A prevenção é a melhor estratégia contra a progressão da aterosclerose e suas complicações." — Dr. João Silva, especialista em Cirurgia Vascular.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A Doença Vascular Periférica é perigosa?
Sim. Se não tratada, pode levar à gangrena, amputação e aumentar o risco de eventos cardiovasculares como infarto e AVC.
2. É possível reverter a DVP?
Embora não haja cura definitiva, o tratamento adequado e mudanças no estilo de vida podem estabilizar a doença, aliviar sintomas e prevenir a progressão.
3. Quando procurar um médico?
Ao perceber sintomas como dor em repouso, feridas que não cicatrizam ou mudanças de cor nas pernas, procure um especialista em Cirurgia Vascular ou Angiologia.
4. A DVP afeta apenas idosos?
Embora seja mais comum em idosos, jovens com fatores de risco também podem desenvolver a doença.
Conclusão
A Doença Vascular Periférica é uma condição que merece atenção devido ao seu impacto na qualidade de vida e ao risco de complicações graves. O conhecimento dos sintomas, a realização de diagnósticos precoces e a implementação de tratamentos eficazes são essenciais para controlar a doença e prevenir desfechos adversos.
A adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento médico regular podem fazer toda a diferença na luta contra a aterosclerose e suas manifestações. Com o avanço da medicina e a conscientização da população, é possível diminuir o impacto dessa condição e promover uma vida mais saudável para todos.
Referências
Organização Mundial da Saúde. CID-10. Disponível em: https://icd.who.int/browse10/2019/en
Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes de prevenção cardiovascular. Arq Bras Cardiol. 2022;118(2):e20220122.
Ministério da Saúde. Manual de atenção à Doença Vascular Periférica. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/doenca-vascular-periferica
Cuide da sua circulação. Prevenir é o melhor caminho!
MDBF