Cid: Doença Hipertensiva Específica da Gravidez - Guia Completo
A saúde da mulher durante a gestação é uma preocupação primordial na medicina, principalmente quando se trata de condições que podem afetar tanto a mãe quanto o bebê. Entre essas condições, as doenças hipertensivas específicas da gravidez representam uma das principais causas de morbidade e mortalidade materna em todo o mundo. Neste guia completo, abordaremos o Código Internacional de Doenças (CID) relacionado à doença hipertensiva específica da gravidez, esclarecendo conceitos, classificação, diagnóstico, tratamento e curiosidades importantes.
Introdução
As doenças hipertensivas na gestação incluem uma variedade de condições que comprometem a saúde da mãe e do bebê, podendo evoluir para quadros graves se não forem identificadas e tratadas adequadamente. Elas representam uma enfermidade com implicações que vão além do período gestacional, podendo deixar sequelas importantes. Conhecer o CID correspondente é essencial para fins de codificação, estatísticas de saúde, pesquisa e planejamento de políticas públicas.

Segundo o Instituto de Medicina Intensiva (IMI), “a atenção primária à saúde desempenha papel crucial na detecção precoce dessas patologias, reduzindo assim suas complicações”. Assim, compreender profundamente a classificação e os aspectos relacionados à doença hipertensiva específica da gravidez é fundamental para profissionais de saúde e gestantes.
O que é a Doença Hipertensiva Específica da Gravidez?
A doença hipertensiva específica da gravidez é um conjunto de condições caracterizadas por hipertensão arterial que surge durante a gravidez, geralmente após a 20ª semana, sem uma causa previamente conhecida. Essa condição pode evoluir para uma pressão arterial elevada grave, levando a complicações como pré-eclâmpsia, eclâmpsia, síndrome HELLP, entre outras.
Definição de CID relacionado
De acordo com a Classificação Internacional de Doenças, a condição é codificada principalmente pelo código O14, que corresponde à pré-eclâmpsia e hipertensão gestacional. Essas classificações facilitam a padronização do diagnóstico, tratamento e análise epidemiológica. A seguir, exploraremos essa classificação.
Classificação da Doença Hipertensiva Específica da Gravidez segundo CID
A classificação oficial do CID-10 para doenças hipertensivas específicas da gravidez é a seguinte:
| Código CID | Descrição | Detalhes |
|---|---|---|
| O13 | Hipertensão arterial devido à gravidez, parto ou abortamento | Enfoca hipertensão secundária à gestação |
| O14 | Pré-eclâmpsia | Crescente risco de complicações graves |
| O15 | Eclâmpsia | Cincos; convulsões em contexto de hipertensão gestacional |
| O16 | Hipertensão secundária do puerpério | Hipertensão que ocorre após o parto |
| O11 | Hipertensão arterial preexistente com proteinúria durante a gravidez | Hipertensão prévia que piora na gestação |
Importante
Esses códigos ajudam profissionais a classificarem corretamente as condições presentes em registros médicos, além de orientar o tratamento adequado.
Diagnóstico da Doença Hipertensiva da Gravidez
Sintomas comuns
- Pressão arterial elevada (acima de 140/90 mmHg)
- Edema facial e de mãos
- Proteínas na urina (proteinúria)
- Cefaleia intensa
- Visão turva ou escotomas
- Dor abdominal, especialmente no quadrante superior direito
Exames complementares
- Medida da pressão arterial (duas medidas em momentos distintos)
- Exame de urina para verificar proteinúria
- Hemograma completo e testes de função hepática
- Eco Doppler fetal e ultrassom obstétrico
- Exames laboratoriais de sangue: eletrólitos, provas de coagulação, entre outros
Critérios diagnósticos
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), diagnóstico de pré-eclâmpsia requer:
- Hipertensão arterial após a 20ª semana de gestação, com uma ou mais das seguintes:
- Proteinúria (> 300 mg em 24h)
- Edema excessivo
- Alterações nos exames laboratoriais (trombocitopenia, função hepática alterada)
Tratamento e manejo
O manejo da doença hipertensiva na gravidez deve ser multidisciplinar, envolvendo obstetra, cardiologista e neonatologista. Podem variar conforme o estágio da doença e a gravidade.
Medidas gerais
- Repouso relativo ou absoluto em alguns casos
- Controle rigoroso da pressão arterial
- Monitoramento constante do bem-estar fetal
- Administração de medicamentos antihipertensivos seguros na gestação, como hidralazina, labetalol ou nifedipino
Quando considerar a gravidez de risco?
| Situação | Ação recomendada |
|---|---|
| Hipertensão grave (>160/110 mmHg) | Hospitalização, controle hospitalar, medicação intravenosa |
| Presença de proteinúria significativa | Monitoramento intensivo, possível indução do parto precoce |
| Sintomas de complicações (convulsões, dor abdominal) | Atendimento emergencial imediato |
A tabela abaixo resume os principais aspectos do tratamento:
| Aspecto | Recomendação |
|---|---|
| Controle da pressão | Medicação segura, evitar riscos à mãe e ao bebê |
| Monitoramento fetal | Ultrassonografia, cardiotocografia frequente |
| Parto | Induzido quando condição materna ou fetal estiverem sob risco |
Complicações da Doença Hipertensiva na Gravidez
A não intervenção adequada pode levar a complicações graves, como:
- Pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia
- Síndrome HELLP (Hemólise, Enzimas de hepática elevadas, Baixa contagem de plaquetas)
- Descolamento prematuro de placenta
- Restrição de crescimento intrauterino
- Morte fetal
- Hemorragia cerebral na mãe
Tabela de possíveis complicações
| Complicação | Consequência | Diagnóstico | Tratamento |
|---|---|---|---|
| Eclâmpsia | Convulsões | Observação clínica | Estabilização e parto imediato |
| HELLP | Insuficiência hepática | Exames laboratoriais | Tratamento intensivo, parto rápido |
Como prevenir a Doença Hipertensiva na Gravidez?
Embora nem todas as causas sejam evitáveis, algumas atitudes podem reduzir riscos:
- Controle pré-concepcional
- Alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos
- Monitoramento de hipertensão preexistente
- Evitar ganho excessivo de peso na gestação
- Consultas pré-natais regulares
Perguntas Frequentes
1. Quais são os sinais de que a gestante deve procurar ajuda médica imediata?
Sintomas como dores de cabeça intensas, dificuldade de visão, dor abdominal, hipertensão não controlada, edemas acentuados e convulsões devem levar à busca de atendimento de emergência.
2. O que é a síndrome HELLP?
A síndrome HELLP é uma complicação grave, caracterizada por Hemólise, Enzimas hepáticas elevadas e Baixa contagem de plaquetas. Pode surgir em mulheres com pré-eclâmpsia severa e requer atenção urgente.
3. A hipertensão na gravidez pode desaparecer após o parto?
Sim, na maioria dos casos, a hipertensão melhora ou desaparece logo após o parto, especialmente na hipertensão gestacional. Contudo, algumas mulheres podem desenvolver hipertensão crônica posteriormente.
4. Como é feito o acompanhamento após o parto?
O acompanhamento envolve monitoramento da pressão arterial e avaliação de possíveis sequelas. Mulheres com história de doença hipertensiva devem continuar o acompanhamento regular para prevenir futuras hipertensões.
Conclusão
A doença hipertensiva específica da gravidez, codificada sobretudo pelo CID O14 (pré-eclâmpsia), representa um desafio importante na obstetrícia. Seu diagnóstico precoce, controle rigoroso e tratamento adequado são essenciais para a preservação da saúde materna e fetal. A abordagem multidisciplinar, aliada ao acompanhamento antenatal regular, contribui para reduzir complicações e melhorar desfechos.
Como afirmou a Organização Mundial da Saúde, “a atenção à saúde da gestante deve ser prioritária, para garantir uma gestação segura e saudável”. Informar e capacitar profissionais e gestantes é um passo fundamental para diminuir o impacto dessas condições na vida das mulheres.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Pre-eclâmpsia e eclâmpsia. Acesso em: 2023.
- Ministério da Saúde. Classificação Internacional de Doenças - CID-10.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Guia de Prevenção e Controle da Hipertensão na Gestação. Revista Brasileira de Cardiologia, 2020.
- Silva, A. M. et al. Diagnóstico e manejo da pré-eclâmpsia: uma revisão. Rev Bras Ginecol Obstet, 2019.
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