CID: Doença Celíaca - Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
A doença celíaca é uma condição autoimune que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Apesar de ser uma condição reconhecida há décadas, ela ainda é muitas vezes subdiagnosticada devido à variedade de sintomas e ao desconhecimento geral. Neste artigo, abordaremos detalhadamente o CID referente à doença celíaca, seus sintomas, formas de diagnóstico, opções de tratamento e as melhores práticas de manejo, além de responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.
Introdução
A doença celíaca é uma reação imunológica ao consumo de glúten, uma proteína presente no trigo, cevada e centeio. Quando indivíduos com essa condição ingerem alimentos contendo glúten, seu sistema imunológico reage danificando o intestino delgado, o que pode levar a má absorção de nutrientes e uma série de problemas de saúde.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que cerca de 1% da população mundial seja portadora da doença celíaca, embora muitas pessoas ainda estejam sem diagnóstico devido à sua apresentação variável. Compreender o CID relacionado à doença celíaca é fundamental para facilitar o reconhecimento, diagnóstico precoce e manejo adequado.
O que é o CID da Doença Celíaca?
O Código CID-10 para Doença Celíaca
O CID-10, Sistema Internacional de Classificação de Doenças, utilizado mundialmente para fins de diagnóstico, codifica a doença celíaca como:
| Código CID-10 | Descrição |
|---|---|
| K90.0 | Doença celíaca |
Este código é utilizado por profissionais de saúde para registrar, acompanhar e realizar estatísticas de casos relacionados à doença celíaca.
Importância do Código CID
O código CID-10 facilita a padronização na comunicação entre profissionais de saúde, em estudos epidemiológicos e na elaboração de políticas públicas de saúde. Além disso, garante que o diagnóstico seja reconhecido de forma universal.
Sintomas da Doença Celíaca
A apresentação clínica da doença celíaca pode variar bastante entre os pacientes, incluindo sintomas gastrointestinais e não gastrointestinais.
Sintomas Gastrointesinais
- Dor abdominal
- Diarreia crônica ou recorrente
- Constipação
- Distensão abdominal
- Náusea e vômito
- Perda de peso inexplicada
- Fezes volumosas e mal cheirosas
Sintomas Não Gastrointestinais
- Anemia por deficiência de ferro
- Fadiga e fraqueza
- Osteopenia ou osteoporose
- Problemas de crescimento em crianças
- Alterações na pele, como dermatitis herpetiforme
- Problemas neurológicos, como formigamento ou dormência nas extremidades
- Alterações no humor, como depressão e ansiedade
Tabela de Sintomas da Doença Celíaca
| Categoria | Sintomas |
|---|---|
| Gastrointestinais | Dor abdominal, diarreia, constipação, vômito, distensão |
| Não gastrointestinais | Anemia, fadiga, osteoporose, problemas de crescimento, dermatite herpetiforme, sintomas neurológicos |
Diagnóstico da Doença Celíaca
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações. A abordagem diagnóstica envolve uma combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e, em alguns casos, biópsia do intestino delgado.
Processo de Diagnóstico
1. Anamnese e exame clínico
O profissional de saúde investiga sintomas, histórico familiar de doenças autoimunes e consumo de glúten.
2. Exames laboratoriais
- Sorologia para doença celíaca: Testes de anticorpos específicos, como anticorpos contra a transglutaminase tecidual (anti-tTG), anticorpos anti-endomísio (EMA) e anticorpos anti-deaminado de gliadina (DGP).
- Testes genéticos: Avaliação dos marcadores HLA-DQ2 e HLA-DQ8, que estão presentes na maioria dos pacientes celiacos (embora sua presença não seja exclusiva da doença).
3. Biópsia do intestino delgado
Se os exames sorológicos forem positivos, a biópsia do duodeno é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, evidenciando atrofia das vilosidades intestinais.
Importante: A pessoa deve manter o consumo de glúten durante o processo diagnóstico para evitar falsos negativos.
Considerações sobre o diagnóstico em crianças e adultos
Em crianças menores de 2 anos, alguns anticorpos podem apresentar menor sensibilidade, e o diagnóstico pode exigir um cuidado redobrado por parte do especialista.
Diagnosticando pela história clínica e exames
Segundo Kozlowski et al. (2020), "o diagnóstico precoce da doença celíaca é essencial para impedir complicações a longo prazo e melhorar a qualidade de vida dos pacientes."
Tratamento da Doença Celíaca
Mudança na alimentação: a única terapia efetiva
Até o momento, a única abordagem comprovada para o manejo da doença celíaca é a adoção de uma dieta estritamente isenta de glúten por toda a vida.
Orientações dietéticas
- Leitura cuidadosa dos rótulos
- Cuidado ao consumir alimentos processados
- Evitar contaminação cruzada durante o preparo alimentício
- Consultar um nutricionista especializado para planejamento da dieta
Possíveis complicações do não tratamento
Se não tratado, o consumo de glúten pode levar a complicações sérias, como desnutrição, osteoporose, infertilidade, aumento do risco de certos tipos de linfomas e outras doenças autoimunes.
Suplementação de nutrientes
Muitos pacientes necessitam de suplementos de ferro, vitamina D, cálcio e outras vitaminas e minerais para compensar deficiências causadas pela dano intestinal.
Monitoramento médico
Acompanhamento regular com profissionais de saúde garante a adesão à dieta e a avaliação de possíveis complicações.
Como lidar com a doença no dia a dia
- Participar de grupos de apoio
- Educação sobre alimentos livres de glúten
- Utilização de aplicativos de rastreamento de alimentos
- Informação contínua sobre novos produtos e regulamentações
Links externos relevantes
Para quem busca orientações adicionais, o site da Associação Brasileira de Celíacos (ABE)" oferece ampla informação e suporte acesse aqui.
Outra fonte confiável é o site da Organização Mundial da Saúde (OMS), que disponibiliza dados atualizados sobre a prevalência da doença celíaca mundialmente, incluindo recomendações clínicas clique aqui.
Perguntas Frequentes
1. A doença celíaca é hereditária?
Sim, há forte componente genético. Pessoas com parentes de primeiro grau com a doença têm maior risco de desenvolvê-la.
2. É possível ser tolerante ao glúten em algum momento?
Não há cura para a doença celíaca. O controle é feito por uma dieta sem glúten, garantindo a estabilidade da condição.
3. Quais alimentos devem ser evitados?
Trigo, cevada, centeio e alimentos derivados ou contaminados com essas proteínas.
4. Quanto tempo leva para os sintomas melhorarem após a adoção da dieta?
A resposta varia, mas em muitos casos, sintomas gastrointestinais melhoram em semanas. No entanto, a recuperação da mucosa intestinal pode levar meses ou anos.
5. Existem exames que detectam a doença sem necessidade de biópsia?
Sim, alguns testes sorológicos podem indicar a presença da doença, mas a biópsia continua sendo o padrão-ouro para confirmação.
Conclusão
A doença celíaca, codificada no CID-10 como K90.0, é uma condição que exige atenção e diagnóstico preciso para evitar complicações a longo prazo. O conhecimento sobre sintomas, métodos de diagnóstico e o tratamento adequado ajuda a melhorar a qualidade de vida do paciente. A adoção de uma dieta rigorosa sem glúten é atualmente a única terapia efetiva e deve ser orientada por profissionais especializados. A conscientização e o acompanhamento médico contínuo são essenciais para o manejo bem-sucedido da doença.
Como afirma a renomada especialista Dr. Carla Oliveira: "O diagnóstico precoce da doença celíaca é o primeiro passo para garantir uma vida plena e saudável aos pacientes; a educação é a nossa maior aliada."
Referências
- Kozlowski, C. et al. (2020). Diagnóstico da doença celíaca: revisão atualizada. Revista Brasileira de Gastroenterologia. Disponível em https://www.sbhg.org.br.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). (2022). Prevalência global da doença celíaca. Disponível em https://www.who.int.
- Associação Brasileira de Celíacos (ABE). (2023). Recursos e orientações. Disponível em https://www.celiacos.org.br.
Este artigo tem o objetivo de informar de forma clara e objetiva sobre a CID relacionada à doença celíaca, contribuindo para maior conscientização e diagnóstico precoce.
MDBF