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CID do Autista: Guia Completo Sobre Diagnóstico e Classificação

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A compreensão do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é fundamental para oferecer reconhecimentos precoces, intervenções eficazes e apoio adequado às pessoas autistas e suas famílias. Nesse contexto, o Classificação Internacional de Doenças (CID) desempenha um papel crucial na definição do diagnóstico, contribuindo para padronizar critérios e facilitar o acesso a recursos de saúde. Este artigo apresenta um guia completo sobre o CID do Autista, abordando sua classificação, critérios diagnósticos, diferenças em relação ao DSM, além de responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.

Introdução

O Transtorno do Espectro Autista representa um conjunto de condições neurológicas que influenciam o comportamento, a comunicação e o desenvolvimento social. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o TEA afeta aproximadamente 1 em cada 100 crianças mundialmente, tornando-se uma das principais causas de necessidades de suporte ao desenvolvimento infantil.

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A detecção precoce e a classificação adequada são essenciais para garantir intervenções eficazes e inclusão social. Para isso, o CID é uma ferramenta importantíssima, sendo utilizado por profissionais de saúde, órgãos públicos e entidades de pesquisa.

O que é o CID e qual sua importância no diagnóstico de autismo?

O CID (Classificação Internacional de Doenças) é um sistema de classificação mantido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), utilizado internacionalmente para codificar doenças, condições de saúde e motivos de atenção à saúde. O CID oferece critérios padronizados que facilitam a identificação, o tratamento e a pesquisa de diversas condições, incluindo o autismo.

Na prática, o CID serve para:

  • Definir critérios diagnósticos claros;
  • Facilitar a comunicação entre profissionais de saúde;
  • Garantir acesso a tratamentos e benefícios previdenciários;
  • Contribuir para monitoramento epidemiológico.

CID do Autismo: história e evolução

O que diz a Classificação Internacional de Doenças?

Desde sua primeira edição, publicada em 1893, o CID passou por diversas atualizações. No que diz respeito ao autismo, as mudanças mais relevantes ocorreram ao longo do tempo, especialmente na transição do CID-10 para o CID-11.

CID-10 e Autismo

Na versão CID-10, publicada em 1992, o autismo ficou classificado sob o código F84 - Transtornos do desenvolvimento psicológico, sendo subdividido em:

CódigoDescrição
F84.0Autismo infantil (Autismo de Kanner)
F84.1Sindrome de Rett
F84.2Outras formas específicas de transtornos do espectro autista
F84.3Disfunções globais do desenvolvimento

CID-11 e as Mudanças Recentes

Lançado oficialmente em 2018, o CID-11 trouxe uma abordagem mais moderna e inclusiva, redefinindo critérios e classificações para o TEA. Agora, o autismo está enquadrado dentro de um capítulo mais abrangente de transtornos do neurodesenvolvimento, facilitando uma compreensão mais integrada.

No CID-11, o código para transtornos do neurodesenvolvimento com autismo permanece sob o código 6A02, denominado “Transtorno do espectro do autismo (TEA)”.

"A atualização do CID-11 reflete a crescente compreensão de que o autismo é um espectro, com variações e necessidades distintas de suporte." — Organização Mundial da Saúde

Classificação do Autismo no CID

CID-10: F84.0 - Autismo infantil (Autismo de Kanner)

Este código refere-se ao autismo clássico, caracterizado por dificuldades na comunicação, comportamentos repetitivos e dificuldades na interação social.

CID-11: 6A02 - Transtorno do espectro do autismo (TEA)

A classificação do CID-11 reconhece um espectro, que abrange diferentes níveis de suporte e manifestação de sintomas, facilitando o diagnóstico mais preciso e individualizado.

Tabela comparativa entre CID-10 e CID-11 do Autismo

AspectoCID-10CID-11
CódigoF84.06A02
EnfoqueDiagnóstico específico de autismo infantilTranstorno do espectro do autismo, com classificação por níveis de suporte
PrecisãoDescrições mais rígidasAbordagem mais flexível e abrangente
Consideração do espectroLimitadoCompleto, com níveis de suporte

Critérios diagnósticos do CID para autismo

Critérios do CID-10

O diagnóstico de autismo segundo o CID-10 geralmente envolve:

  • Dificuldade na comunicação e na interação social
  • Comportamentos repetitivos e interesses restritos
  • Início na primeira infância
  • Presença de dificuldades significativas no funcionamento social e ocupacional

Critérios do CID-11

Na versão atual, o TEA é caracterizado por:

  • Dificuldades persistentes na comunicação e interação social
  • Comportamentos repetitivos ou interesses restritos
  • Níveis variados de suporte necessários (nível 1: suporte, nível 2: suporte substancial, nível 3: suporte muito substancial)

Como o diagnóstico é feito?

O diagnóstico do autismo baseado no CID envolve múltiplas etapas, com avaliação clínica detalhada por equipe multidisciplinar:

  • Entrevistas com os pais ou responsáveis
  • Observação comportamental
  • Avaliações padronizadas
  • Histórico de desenvolvimento

Profissionais como psicólogos, psiquiatras, neurologistas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais colaboram para estabelecer o diagnóstico preciso conforme os critérios do CID.

Importância do diagnóstico precoce

Detectar o autismo precocemente possibilita intervenções mais eficazes e melhora na qualidade de vida do indivíduo. Quanto mais cedo iniciar o suporte adequado, maior a chance de desenvolver habilidades sociais, de comunicação e de autonomia.

Questões frequentes sobre o CID do Autista

1. O CID é o mesmo que o DSM?

Embora ambos os sistemas forneçam critérios diagnósticos, o CID é amplamente utilizado globalmente, enquanto o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) é mais comum em países de língua inglesa. As categorias podem variar, mas ambos ajudam na classificação e no tratamento.

2. Como saber se uma criança tem autismo segundo o CID?

O diagnóstico deve ser feito por profissionais especializados, aplicando critérios específicos do CID, além de considerar a história do desenvolvimento da criança e avaliações comportamentais.

3. O CID reconhece diferentes graus de autismo?

Sim, principalmente no CID-11, onde o transtorno do espectro do autismo é subdividido em níveis de suporte necessário, promovendo uma abordagem mais personalizada.

Como o código do CID pode ajudar no acesso a direitos e benefícios?

O código em si facilita o reconhecimento do transtorno por parte de sistemas de saúde, previdência social e escolas, garantindo acesso a benefícios como:

  • Apoio especializado
  • Recursos educacionais
  • Benefícios previdenciários
  • Programas de inclusão social

Conclusão

O entendimento do CID do Autista é uma ferramenta essencial na promoção de uma assistência mais precisa e humanizada. Com a atualização do CID-11, a classificação do TEA reflete uma compreensão mais ampla e inclusiva, promovendo intervenção precoce e suporte adequado às necessidades de cada indivíduo. Capacitar profissionais, famílias e a sociedade é o caminho para uma maior inclusão e qualidade de vida às pessoas no espectro autista.

Perguntas Frequentes

1. Quais os principais códigos do CID para o autismo?
O principal código do CID-10 é F84.0 para autismo infantil, enquanto no CID-11 é 6A02 para transtorno do espectro do autismo.

2. Como a classificação do CID evoluiu ao longo do tempo?
Houve uma transição do enfoque em categorias específicas (CID-10) para uma visão mais ampla e de espectro (CID-11), refletindo avanços no entendimento neurocientífico do autismo.

3. É possível mudar o diagnóstico ao longo do tempo?
Sim, o diagnóstico pode ser revisado à medida que a pessoa cresce e evolui, especialmente com intervenções e mudanças nos critérios diagnósticos.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde. CID-11: Classificação Internacional de Doenças. Disponível em: https://icd.who.int/
  • Associação Brasileira de Psiquiatria. Diagnóstico e Classificação do Transtorno do Espectro Autista. Disponível em: https://www.abrapsiq.org.br/
  • World Health Organization. Autism Spectrum Disorders. Geneva: WHO; 2020.
  • Instituto de Educação e Pesquisa em Autismo. Diagnóstico Precoce do TEA. Disponível em: https://www.iepautismo.org.br/

Gerenciar o diagnóstico e a classificação do autismo com base no CID é fundamental para garantir direitos iguais, intervenções precoces e uma vida mais plena para essas pessoas. Conhecimento, empatia e trabalho conjunto são essenciais na construção de uma sociedade mais inclusiva.