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CID de Vaginose Bacteriana: Causas, Sintomas e Tratamentos

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A saúde íntima feminina é um tema que merece atenção e cuidado. Entre as condições que podem afetar o bem-estar da mulher, a vaginose bacteriana é uma das mais comuns, porém muitas vezes mal compreendida. Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o CID de vaginose bacteriana, explicando suas causas, sintomas, tratamentos e orientações gerais, de modo a esclarecer dúvidas e oferecer informações confiáveis para quem busca entender melhor essa condição.

Introdução

A vaginose bacteriana é uma infecção comum que afeta a flora vaginal, provocando o desequilíbrio entre as bactérias boas e ruins presentes na região. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), ela é a infecção vaginal mais frequente entre mulheres de idade reprodutiva, sendo responsável por aproximadamente 60% dos casos de secreção vaginal anormal.

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Apesar de ser uma condição amplamente difundida, muitas mulheres não sabem identificar os sinais ou possuem receio de procurar ajuda médica. Além disso, a classificação médica e o código CID para essa condição são essenciais para o diagnóstico, tratamento e estatísticas epidemiológicas.

Neste artigo, exploraremos o CID de vaginose bacteriana, suas causas, sintomas, fatores de risco e tratamentos recomendados, além de responder às perguntas mais frequentes.

O que é CID e qual o CID de Vaginose Bacteriana?

O que é CID?

CID (Classificação Internacional de Doenças) é um sistema de codificação usado mundialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para categorizar doenças, transtornos, sinais e sintomas. Essa classificação facilita o registro, análise e comunicação de informações sobre saúde, além de ser utilizada para fins de faturamento e estatísticas epidemiológicas.

CID de Vaginose Bacteriana

O CID-10, que é a versão atual da classificação internacional, define a vaginose bacteriana sob o código N77.1 - Vaginose bacteriana. Este código é utilizado por profissionais de saúde para documentar o diagnóstico de forma padronizada e uniforme.

Tabela de Códigos Relacionados

Código CIDDoença/CondiçãoDescrição
N77.1Vaginose bacterianaInfecção vaginal causada pelo desequilíbrio bacteriano
N76.0Vaginite (sem especificação)Inflamação na mucosa vaginal, incluindo outras causas
N77.0Vaginite não infecciosaInflamação não relacionada a infecção bacteriana

Causas da Vaginose Bacteriana

A vaginose bacteriana ocorre devido ao desequilíbrio na flora vaginal, onde as bactérias "favoráveis" à saúde são substituídas por bactérias anaeróbicas nocivas. As principais causas e fatores de risco incluem:

Causas Diretas

  • Desequilíbrio na flora vaginal: diminuição das lactobacilos, que normalmente mantêm o pH ácido e inibem o crescimento de bactérias nocivas.
  • Atividade sexual sem proteção: troca de fluídos corporais pode facilitar o crescimento de bactérias patogênicas.
  • ** Uso de duchas vaginais ou sabonetes agressivos**: interferem na microbiota natural da vagina.

Fatores de Risco

  • Multiparidade: ter múltiplos parceiros ou relações frequentes.
  • Fumar: está associado a um aumento na incidência de vaginose.
  • Uso de antidepressivos ou antibióticos: medicamentos que podem alterar a flora vaginal.
  • Gravidez: alterações hormonais facilitam o desequilíbrio bacteriano.
  • Condições imunossupressoras: tornam o organismo mais suscetível às infecções.

Sintomas da Vaginose Bacteriana

Muitas mulheres podem não apresentar sintomas ou confundir os sinais com outras condições. A seguir, os principais sintomas associados à vaginose bacteriana:

Sintomas Comuns

  • Corrimento abundante: de cor cinza ou branco, com aspecto ralo ou escorrendo.
  • Odor forte: especialmente ao contato com ar, muitas vezes descrito como odor de peixe.

Sintomas Possíveis

SintomaDescrição
Odor desagradávelOdor forte, especialmente após relação sexual ou ducha
Corrimento branco ou cinzaSecreção de aspecto fino, com odor forte
Irritação ou coceiraEm alguns casos, pode ocorrer leve desconforto ou irritação
Ardor ao urinarPoucas vezes, sensação de desconforto ao urinar

Quando Procurar um Médico

  • Se houver mudanças na cor, odor ou quantidade do corrimento.
  • Caso sinta desconforto, dor ou ardência.
  • Se houver sangramento inesperado.
  • Se apresentar sintomas de infecção associada.

Diagnóstico da Vaginose Bacteriana

Como é realizado?

O diagnóstico clínico é feito por meio de exame ginecológico, análise do histórico e exames laboratoriais, incluindo:

  • Exame especular: avaliação visual do corrimento e da mucosa vaginal.
  • Teste de pH vaginal: frequentemente elevado acima de 4,5 na vaginose.
  • Teste de Salida de Whiff: mistura de secreção vaginal com hidróxido de potássio, que gera odor de peixe.
  • Scrapings ou cultura bacteriana: análise laboratorial para identificar o desequilíbrio bacteriano.

Importância do diagnóstico correto

O diagnóstico preciso evita confusões com outras infecções, como candidíase ou tricomoníase, que requerem tratamentos diferentes. Além disso, a vaginose bacteriana, se não tratada, pode estar associada a complicações, como maior risco de DSTs ou complicações na gravidez.

Tratamentos para Vaginose Bacteriana

Tratamento farmacológico

O tratamento padrão envolve o uso de antibióticos, geralmente:

  • Metronidazol: comprimidos ou creme vaginal, por 5 a 7 dias.
  • Clindamicina: creme vaginal ou comprimidos, também indicado por 7 dias.

Cuidados e recomendações adicionais

  • Uso de preservativos durante o tratamento.
  • Evitar duchas vaginais ou higiene agressiva.
  • Manter uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis.
  • Consultar regularmente o ginecologista, especialmente durante gravidez.

Tratamentos Naturais e Complementares

Embora a base do tratamento seja medicamentosa, algumas mulheres recorrem a soluções naturais, como:

  • Probióticos específicos para a saúde vaginal.
  • Alterações na alimentação para manter o pH adequado.

Obs.: Sempre consulte um profissional antes de iniciar qualquer tratamento alternativo.

Prevenção da Vaginose Bacteriana

Para reduzir o risco de desenvolver vaginose bacteriana, recomenda-se:

  • Manter uma higiene íntima adequada, utilizando produtos suaves.
  • Evitar duchas vaginais frequentes ou uso de sabonetes agressivos.
  • Utilizar preservativos nas relações sexuais.
  • Evitar múltiplos parceiros ou relações sem proteção.
  • Manter hábitos de vida saudáveis, como evitar o tabaco e uma alimentação equilibrada.

Perguntas frequentes (FAQs)

1. A vaginose bacteriana é uma DST?

Não, a vaginose bacteriana não é considerada uma Doença Sexualmente Transmissível, mas sua presença pode aumentar o risco de contrair outras DSTs, incluindo HIV.

2. É possível prevenir a vaginose bacteriana?

Sim, adotando hábitos de higiene adequados, uso de preservativos e evitando fatores que desequilibram a flora vaginal.

3. O tratamento com antibióticos é eficaz para a vaginose bacteriana?

Sim, quando indicado e sob orientação médica, o antibiótico costuma ser eficaz na eliminação da infecção.

4. A vaginose bacteriana pode voltar após o tratamento?

Sim, a recidiva é comum em alguns casos. Consultar o ginecologista para acompanhamento é fundamental.

Conclusão

A CID de vaginose bacteriana, identificada pelo código N77.1, é uma condição comum porém potencialmente desconfortável, que requer atenção e cuidado. Compreender suas causas, sinais e tratamentos permite que as mulheres cuidem melhor de sua saúde íntima, evitando complicações maiores. A consulta regular ao ginecologista, aliada a hábitos de vida saudáveis, são essenciais para a prevenção e manejo adequado dessa condição.

Se suspeita de vaginose bacteriana ou apresenta sintomas, procure ajuda médica para um diagnóstico preciso e tratamento adequado. Manter-se informada e consciente sobre a saúde feminina é o melhor caminho para o bem-estar integral.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Guia para Diagnóstico e Tratamento de Infecções Vaginais. 2023.
  • Ministério da Saúde. Protocolo de Vigilância e Controle de Infecções Vaginais. Brasília: MS, 2022.
  • Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO). Recomendações para o Diagnóstico e Tratamento da Vaginose. 2021.
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Bacterial Vaginosis (Vaginosis Bacteriana). Disponível em: https://www.cdc.gov/std/bv/stdfact-bacterial-vaginosis.htm

Lembre-se: A saúde íntima feminina merece atenção contínua. Faça consultas regularmente e não hesite em buscar orientação médica sempre que necessário.