CID de Surto Psicótico: Entenda os Sintomas e Tratamentos
O surto psicótico é uma condição que impacta significativamente a vida de quem o vivencia e de seus familiares. Caracterizado por episódios agudos de perda de contato com a realidade, ele pode manifestar-se de diversas formas, dificultando o funcionamento diário do indivíduo. Para profissionais de saúde, entender o Código Internacional de Doenças (CID) que descreve essa condição é fundamental para o diagnóstico correto e a implementação de um tratamento eficiente. Neste artigo, abordaremos o CID de surto psicótico, seus sintomas, tratamentos, e responderemos às perguntas mais frequentes. Nosso objetivo é fornecer informações claras e atualizadas a profissionais de saúde, pacientes e familiares.
O que é o CID de Surto Psicótico?
O CID (Classificação Internacional de Doenças) é um sistema utilizado mundialmente para padronizar o diagnóstico de doenças e condições médicas. No contexto da saúde mental, é essencial para registrar, comunicar e tratar condições psiquiátricas de forma estruturada.

Código CID de Surto Psicótico
O surto psicótico, em termos de classificação, não possui um código específico próprio, pois é considerado uma apresentação clínica de várias condições psiquiátricas. Geralmente, é classificado sob o código:
| Código CID | Descrição | Observação |
|---|---|---|
| F23 | Episódios agudos de transtornos psicóticos | Inclui surtos psicóticos transitórios ou agudos |
| F32.3 | Episódios depressivos graves com sintomas psicóticos | Em casos de depressão com componentes psicóticos |
| F31.2 | Transtorno bipolar tipo I com episódios maníaco ou misto e sintomas psicóticos | Para transtorno bipolar com psicose |
Nota: O mais utilizado para surto psicótico é o código F23, que abrange episódios agudos de transtornos psicóticos.
Quais os sintomas de um surto psicótico?
Reconhecer os sintomas de um surto psicótico é fundamental para busca de ajuda e intervenção precoce. A seguir, apresentamos os sinais mais comuns:
Sintomas Positivos
São manifestações que representam uma adição ou exagero de funções normais. Incluem:
- Alucinações: ouvir, ver ou sentir coisas que não existem. As mais comuns são as alucinações auditivas, onde a pessoa ouve vozes.
- Delírios: crenças falsas e fixas que não se baseiam na realidade, como acreditar que está sendo perseguida ou que tem poderes especiais.
- Pensamento desorganizado: dificuldade em manter uma linha lógica de raciocínio, podendo apresentar fala incoerente ou desconexa.
- Atitudes agitação ou catatonia: comportamento incomum, agitação, ou imobilidade excessiva.
Sintomas Negativos
São dificuldades na expressão de emoções ou comportamentos considerados "normais":
- Emolição: diminuição da expressão emocional.
- Falta de motivação ou interesse.
- Apatia.
- Dificuldade de organização de tarefas.
Outros Sintomas
- Perda de contato com a realidade.
- Dificuldade na comunicação.
- Comportamentos bizarros.
Como é feito o diagnóstico de um surto psicótico?
O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos sintomas, histórico do paciente, e, quando necessário, exames complementares para excluir outras causas. Os profissionais de saúde mental utilizam critérios do DSM-5 ou CID-10 para orientar o diagnóstico.
Diagnóstico diferencial
É importante distinguir o surto psicótico de outras condições, como:
| Condição | Características principais |
|---|---|
| Esquizofrenia | Presença de sintomas por pelo menos 6 meses, com episódios de surtos e períodos de melhora. |
| Transtorno delirante | Delírios persistentes, sem outros sintomas psicóticos. |
| Psicose induzida por drogas | Após uso de substâncias psicoativas, como anfetaminas ou psicodélicos. |
| Manifestações de transtornos orgânicos ou médicos | Como tumores cerebrais, infecções ou intoxicações. |
Tratamentos para o surto psicótico
O tratamento adequado é essencial para estabilizar o paciente e prevenir recorrências. Inclui intervenções farmacológicas, psicológicas e sociais.
Tratamento farmacológico
Os medicamentos antipsicóticos são a base do tratamento. Eles ajudam a reduzir sintomas positivos, como as alucinações e delírios.
| Classe de Antipsicóticos | Exemplos | Observação |
|---|---|---|
| Antipsicóticos típicos | Haloperidol, Clorpromazina | Geralmente utilizados inicialmente. |
| Antipsicóticos atípicos | Risperidona, Olanzapina, Quetiapina | Menor chance de efeitos colaterais extrapiramidais. |
Tratamento psicológico e social
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC): auxilia na compreensão dos sintomas e no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento.
- Acompanhamento psicossocial: inclusão em grupos de apoio, reabilitação psicossocial e suporte familiar.
- Hospitalização: em casos de crises graves, para garantir a segurança do paciente.
Importância do acompanhamento contínuo
De acordo com estudos, o acompanhamento regular com equipe multidisciplinar garante maior controle dos sintomas e uma melhor reintegração social do indivíduo.
Como prevenir recaídas?
A prevenção de novas crises envolve:
- Adesão ao tratamento medicamentoso.
- Acompanhamento psiquiátrico regular.
- Apoio familiar e social.
- Evitar o uso de substâncias psicoativas.
- Gerenciamento do estresse e fatores desencadeantes.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. O surto psicótico é uma condição definitiva ou pode ser curada?
O surto psicótico é um episódio agudo de uma condição psiquiátrica e pode ser controlado com tratamento adequado. No entanto, muitas vezes, indivíduos apresentam recaídas, por isso a adesão ao tratamento e acompanhamento são essenciais para manter a estabilidade.
2. Quais são as diferenças entre surto psicótico e esquizofrenia?
O surto psicótico refere-se a um episódio agudo com sintomas psicóticos que pode ocorrer em várias condições, como transtorno bipolar ou depressão com características psicóticas. A esquizofrenia é um transtorno crônico caracterizado por episódios recorrentes de sintomas psicóticos, além de sintomas negativos e desorganização do pensamento.
3. Existe alguma cura para o surto psicótico?
Não há cura definitiva, mas o tratamento adequado permite que o paciente leve uma vida produtiva e equilibrada. O objetivo é a remissão dos sintomas e a prevenção de recaídas.
4. Como ajudar alguém que está passando por um surto psicótico?
Mantenha a calma, ofereça suporte emocional, não julgue ou confronte a pessoa, e procure ajuda profissional imediatamente. Em casos de risco à integridade física ou à vida, procure emergência psiquiátrica ou ligada à saúde mental.
Conclusão
O CID de surto psicótico é uma classificação abrangente que auxilia na identificação e no tratamento de episódios agudos com sintomas psicóticos. Conhecer os sintomas, entender a importância do diagnóstico precoce e seguir as recomendações de tratamento são passos essenciais para oferecer o suporte necessário e promover a recuperação do paciente. A integração de equipe multidisciplinar, suporte familiar, e o cuidado contínuo fazem toda a diferença na qualidade de vida de quem vivencia esses episódios.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). CID-10. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª edição, 1992.
- American Psychiatric Association. DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª edição, 2013.
- Silva, P. R. et al. (2020). Tratamento de surtos psicóticos: uma abordagem integrativa. Revista Brasileira de Psiquiatria, 42(2), 123-130.
- Ministério da Saúde. Cuidado e tratamento de transtornos mentais graves. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
Lembre-se: procurara ajuda especializada ao notar sinais de surto psicótico em alguém ou em si próprio. A intervenção precoce pode modificar significativamente o curso do transtorno.
MDBF