CID de Politrauma: Guia Completo para Diagnóstico e Tratamento
O politrauma é uma condição médica que representa uma emergência de grande complexidade, envolvendo múltiplas lesões simultâneas que comprometem diferentes sistemas do organismo. Essa condição demanda uma abordagem rápida, precisa e multidisciplinar para aumentar as chances de sobrevivência e minimizar sequelas. O código CID (Classificação Internacional de Doenças), atualmente na versão CID-10, é fundamental para padronizar o diagnóstico clínico, facilitar o registro estatístico e orientar o encaminhamento terapêutico.
Neste guia completo, abordaremos o CID de Politrauma, seus aspectos diagnósticos, condutas clínicas e a importância de uma atuação integrada no tratamento dessas vítimas. Além disso, responderemos às principais dúvidas frequentes e forneceremos recursos úteis para profissionais da área de saúde.

O que é Politrauma?
Politrauma é definido como a ocorrência de duas ou mais lesões graves em diferentes regiões do corpo, geralmente resultantes de acidentes com alta energia, como acidentes de trânsito, quedas de altura ou acidentes industriais. Essa condição pode levar a instabilidade hemodinâmica, risco de falência multissistêmica e, em casos mais graves, óbito.
Segundo o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, o politrauma é responsável por uma parcela significativa das admissões em unidades de emergência e necessita de uma avaliação rápida e eficiente para evitar complicações fatais.
Código CID de Politrauma: Classificação e Significado
CID-10 e Politrauma
Na CID-10, não há um código específico exclusivo para "politrauma". Em vez disso, os profissionais de saúde utilizam uma combinação de códigos para descrever as lesões envolvidas, além de um código geral que indica múltiplas lesões de natureza traumática.
O código geralmente empregado para politrauma é:
| Código CID | Descrição | Observações |
|---|---|---|
| T07 | Traumatismo múltiplo não especificado | Pode ser usado para casos onde há múltiplos traumatismos sem especificação detalhada |
| T06 | Traumatismo envolvendo múltiplas regiões do corpo | Utilizado quando há múltiplas regiões afetadas |
Como interpretar esses códigos?
Embora não exista um código único específico para "politrauma", o código T07 ou T06 fornece uma classificação geral que indica múltiplas lesões traumáticas. Na prática clínica, esses códigos são complementados pelos códigos específicos de cada lesão identificada, como fraturas, hemorragias ou traumatismos cranianos.
Como fazer o Diagnóstico do Politrauma
Avaliação Inicial
De acordo com o protocolo de avaliação primária (ABCDE), o profissional deve:
- A – Airway (Via Aérea): Garantir passagem adequada e prevenir obstruções.
- B – Breathing (Respiração): Avaliar respiração, oxigenação e ventilação.
- C – Circulation (Circulação): Monitorar sinais vitais, controlar hemorragias e estabelecer acesso vascular.
- D – Disability (Nível de Consciência): Avaliar estado neurológico através do Escore de Coma de Glasgow.
- E – Exposure (Exposição): Expor o paciente para identificar possíveis lesões ocultas, mantendo as condições de temperatura.
Exames Complementares
Após a avaliação clínica inicial, exames complementares essenciais incluem:
| Exame | Objetivo | Quando solicitar |
|---|---|---|
| Radiografias e Tomografia | Detectar fraturas, hemorragias internas e lesões cranianas | Com sinais de trauma ou em avaliação secundária |
| Ultrassom FAST | Avaliação rápida de hemorragia intra-abdominal e pericárdica | Em situações de emergência |
| Hemograma, gasometria arterial | Monitorar sinais de sangramento e insuficiência respiratória | Atualizações de estado clínico |
| Outros exames específicos | Baseados na suspeita clínica (hemorragia, trauma craniano, etc.) | Conforme necessidade clínica |
Critérios de gravidade
A classificação do politrauma depende da gravidade e do número de lesões. Alguns critérios utilizados são:
- Lesões graves: Escore de Resto de Abbreviated Injury Scale (AIS) ≥ 3 em mais de uma região.
- Hemorragia significativa: Necessidade de transfusão ou intervenção cirúrgica urgente.
- Instabilidade hemodinâmica: Hipotensão persistente, taquicardia, sinais de choque.
Abordagem do Tratamento do Politrauma
Conduta de emergência (Protocolo de Estabilização)
- Manutenção da Via Aérea: Garantir a permeabilidade por meio de intubação, se necessário.
- Ventilação: Fornecer suporte ventilatório adequado.
- Controle de hemorragias: Compressão, torniquetes ou intervenção cirúrgica.
- Reposição volêmica: Administração de fluidos e, se necessário, sangue.
- Estabilização do paciente: Após estabilização inicial, continuidade do suporte em unidade de terapia intensiva.
Tratamento específico de lesões
- Fraturas: Imobilização e cirurgia, quando indicada.
- Lesões cranianas: Monitoramento neurológico, possível neurocirurgia.
- Lesões torácicas: Drenagem de pneumotórax, tratamento de contusões pulmonares.
- Lesões abdominais: Cirurgia de emergência para controlar hemorragias internas.
- Lesões ortopédicas: Redução, fixação ou amputações, conforme o caso.
Importância da equipe multidisciplinar
O atendimento deve envolver equipes multidisciplinares, incluindo cirurgiões, traumatologistas, neurocirurgiões, radiologistas, fisioterapeutas, entre outros, para garantir a abordagem integral e direcionada para cada lesão.
Prevenção do Politrauma
A prevenção de acidentes é a estratégia mais eficaz para reduzir a incidência de politrauma. Algumas ações incluem:
- Uso de cintos de segurança e capacetes.
- Respeito às normas de trânsito.
- Manutenção de equipamentos industriais seguros.
- Campanhas educativas sobre segurança no trabalho e no trânsito.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Qual a diferença entre traumatismo simples e politrauma?
O traumatismo simples envolve uma única lesão, muitas vezes de menor gravidade, enquanto o politrauma envolve múltiplas lesões graves, potencialmente fatais, que exigem intervenção rápida e especializada.
2. Como é feito o diagnóstico de politrauma em adultos e crianças?
Embora os princípios sejam semelhantes, a avaliação em crianças requer atenção especial devido às diferenças anatômicas e fisiológicas. Os protocolos de triagem, como o ATLS, são adaptados para cada faixa etária.
3. Quais profissionais fazem parte do manejo do politrauma?
Trauma se trata de uma abordagem colaborativa, envolvendo médicos emergencistas, cirurgiões, neurologistas, radiologistas, fisioterapeutas, enfermeiros especializados e outros profissionais.
4. O que fazer se testemunhar um acidente envolvendo múltiplas vítimas?
Procure garantir sua própria segurança, chame o serviço de emergência (192 ou 193), e, se possível, forneça os primeiros socorros básicos enquanto aguarda a equipe especializada.
Conclusão
O politrauma representa um dos maiores desafios na medicina de emergência devido à sua complexidade e necessidade de intervenção rápida e coordenada. O uso correto do CID de politrauma, aliado a uma avaliação precisa e uma abordagem multidisciplinar, pode fazer a diferença entre a vida e a morte do paciente.
A conscientização sobre a prevenção de acidentes também desempenha papel fundamental na redução dessa ocorrência. A familiaridade com os procedimentos de avaliação, classificação e tratamento é vital para profissionais de saúde e toda a sociedade.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). 2019.
- American College of Surgeons. Advanced Trauma Life Support (ATLS). 10ª edição, 2018.
- Ministério da Saúde. Protocolos de Atendimento ao Politrauma. Brasília: MS, 2020.
- World Health Organization. Injury and Violence Prevention. https://www.who.int/violence_injury_prevention/violence/en/
Recursos adicionais
Para mais informações sobre o manejo do politrauma, visite os seguintes sites:- Sociedade Brasileira de Atendimento ao Trauma e Emergência (SBAUE)- Base de Dados do Trauma
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