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CID de Hipogonadismo: Guia Completo para Diagnóstico e Tratamento

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O hipogonadismo é uma condição clínica caracterizada pela produção insuficiente de hormônios sexuais pelos testículos nos homens ou pelos ovários nas mulheres. Essa disfunção hormonal pode impactar significativamente a qualidade de vida, influenciando desde o desenvolvimento puberal até a fertilidade, além de causar alterações físicas e metabólicas. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para melhorar o bem-estar do paciente e prevenir complicações a longo prazo.

Este artigo apresenta um guia completo sobre o CID de hipogonadismo, abordando suas classificações, sintomas, diagnóstico, tratamento e considerações relevantes para profissionais de saúde e pacientes interessados no tema.

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O que é o CID de Hipogonadismo?

O Código Internacional de Doenças (CID), atualmente na sua 10ª revisão (CID-10), classifica o hipogonadismo no capítulo de doenças do sistema geniturinário e dos órgãos reprodutores, sob os códigos E29.0 a E34.9, dependendo do tipo e etiologia.

Código CID de Hipogonadismo

Classificação CIDDescrição
E29.0Hipogonadismo hipogonadotrófico (central)
E29.1Hipogonadismo hipergonadotrófico (periférico)
E34.9Hipogonadismo, não especificado

É fundamental entender que o CID de hipogonadismo não apenas facilita o reconhecimento da condição, mas também é utilizado para registros médicos, estatísticas epidemiológicas e suporte à pesquisa clínica.

Tipos de Hipogonadismo

O hipogonadismo pode ser classificado em diferentes tipos, considerando sua origem e mecanismo fisiopatológico.

Hipogonadismo Primário (Periférico ou Testicular)

Ocorre quando há uma disfunção nos testículos ou ovários, levando à insuficiência hormonal apesar de estímulo adequado pelo eixo hipotalâmico-hipofisário.

Causas comuns

  • Anomalias congênitas (síndrome de Klinefelter, síndrome de Turner)-trauma ou infecção testicular
  • Radioterapia ou quimioterapia
  • Aging (declínio fisiológico na produção hormonal)

Hipogonadismo Secundário (Hipogonadotrófico ou Central)

Resultado de disfunção no hipotálamo ou hipófise, levando à baixa produção de GnRH, FSH e LH, e consequentemente, baixa produção hormonal pelos testículos ou ovários.

Causas comuns

  • Tumores hipofisários
  • Trauma craniano
  • Doenças sistêmicas
  • Uso de medicamentos que suprimem o eixo hormonal

Sintomas e sinais do hipogonadismo

Os sintomas variam conforme o sexo, idade de início e tipo do hipogonadismo, podendo incluir:

Em homens

  • Disfunção erétil
  • Baixa libido
  • Perda de massa muscular
  • Aumento de gordura corporal
  • Osteoporose
  • Alterações de humor e fadiga
  • Desenvolvimento de ginecomastia

Em mulheres

  • Amenorreia ou irregularidades menstruais
  • Falta de desenvolvimento mamário (estimulação hormonal insuficiente)
  • Perda de pelos corporais
  • Osteoporose
  • Libido diminuída
  • Sesepção de fadiga e alterações de humor

Diagnóstico do Hipogonadismo

Avaliação clínica

O diagnóstico deve começar com uma anamnese detalhada, incluindo histórico familiar, sintomas, medicamentos em uso e fatores de risco. O exame físico deve avaliar características sexuais secundárias, sinais de disfunção endócrina e possíveis sinais de causas secundárias.

Exames laboratoriais

Para confirmação, os exames de sangue variam conforme o sexo e suspeita clínica, incluindo:

Testes de hormônios

TestePropósitoValores de referência (hipogonadismo)
Testosterona (homens)Avaliar produção de hormônio masculino< 300 ng/dL
Estrogênio (mulheres)Avaliar produção ovarianaVariável dependendo da fase do ciclo
GnRH, FSH, LHAvaliação do eixo hipotálamo-hipófise-gônadasBaixo em hipogonadismo primário, alto em secundário
Inibina BMarcador de função gonadalBaixo em hipogonadismo primário

Outros exames complementares

  • Ultrassonografia testicular ou ovariana
  • Ressonância magnética cerebral (hipófise)
  • Testes genéticos (quando indicado)

Classificação do Hipogonadismo de acordo com o CID

Conforme o CID-10, o hipogonadismo é classificado principalmente em:

  • E29.0 - Hipogonadismo hipogonadotrófico (central): devido a alterações no eixo hipotalâmico-hipofisário.
  • E29.1 - Hipogonadismo hipergonadotrófico (primário): devido a disfunção testicular ou ovariana.

Tabela 2: Classificação do Hipogonadismo de acordo com o CID

CIDDescriçãoCaracterísticas principais
E29.0Hipogonadismo hipogonadotrófico (central)Deficiência de GnRH, FSH, LH; disfunção hipotalâmica ou hipófise
E29.1Hipogonadismo hipergonadotrófico (primário)Disfunção testicular ou ovariana; resistência à FSH e LH

Tratamento do Hipogonadismo

O manejo do hipogonadismo depende do tipo, causa, faixa etária e objetivos do paciente, como melhora da qualidade de vida, manutenção da densidade óssea ou fertilidade.

Tratamentos disponíveis

Terapia de reposição hormonal (TRH)

  • Testosterona (para homens): géis, adesivos, injeções
  • Estrogênio e progesterona (para mulheres): pílulas, patches, estradiol transdérmico

Terapia de indução da ovulação (mulheres com desejo de fertilidade)

  • Clomifeno ou gonadotrofinas para estimular a ovulação

Tratamentos específicos para causas secundárias

  • Cirurgia para tumores hipofisários
  • Correção de anomalias congênitas

Considerações importantes

• O tratamento deve ser individualizado, considerando efeitos colaterais, com acompanhamento clínico e hormonal periódico.

• Em casos de hipogonadismo primário, a reposição hormonal é fundamental para prevenir osteoporose e melhorar a qualidade de vida.

• Para pacientes desejando fertilidade, a abordagem deve incluir técnicas de reprodução assistida.

Outros fatores a considerar

  • Monitoramento: Avaliação regular dos níveis hormonais, densidade mineral óssea e saúde geral.
  • Efeitos colaterais: Riscos de terapia hormonal, como aumento da pressão arterial, alterações lipídicas e risco cardiovascular.
  • Estilos de vida saudáveis: Exercício regular, alimentação equilibrada e cessação do tabaco.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Como saber se tenho hipogonadismo?

Se você apresenta sintomas como baixa libido, disfunção erétil ou irregularidades menstruais, deve procurar um endocrinologista para avaliação clínica e exames laboratoriais.

2. O hipogonadismo pode ser curado?

Depende da causa; alguns casos, especialmente os secundários, podem ser revertidos com tratamento, enquanto outros requerem reposição hormonal contínua.

3. Quais os riscos do tratamento com testosterona?

Podem incluir acne, alterações nos níveis de colesterol, aumento da pressão arterial e potencial impacto na saúde cardiovascular, motivo pelo qual o acompanhamento médico é imprescindível.

4. Existe relação entre envelhecimento e hipogonadismo?

Sim, principalmente em homens, ocorre o chamado andropausa, um declínio natural dos hormônios sexuais com o envelhecimento, que pode se assemelhar ao hipogonadismo.

5. O hipogonadismo afeta a fertilidade?

Sim, especialmente nos casos de deficiência de gonadotrofinas, afetando a produção de óvulos e espermatozoides. Técnicas de reprodução assistida podem ajudar nesses casos.

Conclusão

O CID de hipogonadismo representa uma ferramenta fundamental para o reconhecimento e classificação dessa condição endocrinológica, facilitando o diagnóstico e o tratamento adequado. A compreensão dos diferentes tipos, sintomas e abordagens terapêuticas é essencial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

O manejo efetivo do hipogonadismo é multidisciplinar, contando com endocrinologistas, urologistas, ginecologistas e outros profissionais de saúde. A educação do paciente, o acompanhamento regular e a medicina personalizada são pilares para uma estratégia de sucesso na tratação dessa condição.

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. CID-10 - Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. OMS, 2019.

  2. Mancuso, F., et al. "Diagnosis and Management of Male Hypogonadism." Endocrinology and Metabolism Clinics, vol. 48, no. 2, 2019, pp. 213-231.

  3. Kumar, K., et al. "Clinical Approach to Male Hypogonadism." Indian Journal of Endocrinology and Metabolism, vol. 17, no. 6, 2013, pp. 802–808.

  4. American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª edição, 2013.

Links úteis

Nota final

Identificar precocemente o CID de hipogonadismo e buscar tratamento adequado pode transformar a vida de muitas pessoas. Se você suspeita de qualquer sintoma, procure um profissional da saúde para avaliação completa.