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CID de Hérnia Inguinal: Guia Completo Sobre Diagnóstico e Tratamento

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A hérnia inguinal é uma das condições mais comuns na prática clínica, especialmente entre homens. Ela ocorre quando uma parte do conteúdo abdominal, como intestino ou tecido adiposo, protrai através de uma fraqueza na parede abdominal na região inguinal. Além de causar desconforto e dor, a hérnia inguinal pode evoluir para complicações mais graves, como estrangulação ou incarceramento. Por isso, entender o CID de hérnia inguinal, bem como os métodos de diagnóstico e tratamento, é fundamental para profissionais de saúde e pacientes.

Este artigo oferece um guia completo sobre o CID de hérnia inguinal, abordando aspectos clínicos, epidemiológicos, diagnóstico, classificação, tratamento e dicas importantes para a gestão dessa condição.

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O que é o CID de Hérnia Inguinal?

O Código Internacional de Doenças (CID), atualmente na versão CID-10, classifica as hérnias inguinais sob o código K40. Este código abrange diferentes tipos de hérnias inguinais, incluindo as diretas e indiretas, que representam as principais variações dessa patologia.

CID de Hérnia Inguinal na CID-10

Código CID-10Descrição
K40Hérnia inguinal
K40.0Hérnia inguinal indireta
K40.1Hérnia inguinal direta
K40.9Hérnia inguinal, não especificada

A classificação detalhada permite uma abordagem mais precisa na documentação médica, no controle epidemiológico e na elaboração de estratégias de tratamento.

Anatomia e Classificação da Hérnia Inguinal

Anatomia da Região Inguinal

A região inguinal é uma área da parede abdominal situada na região inferior do abdômen, onde o canal inguinal se encontra. Este canal é uma passagem natural que, durante a vida fetal, permite o descenso testicular e, posteriormente, permite a passagem de estruturas como vasos sanguíneos, nervos e o cordão espermático nos homens.

Tipos de Hérnia Inguinal

As hérnias inguisn podem ser classificadas em diretas e indiretas, com base na sua origem anatômica.

Hérnia Inguinal Indireta

  • A mais comum, responsável por aproximadamente 75% dos casos.
  • Ocorre quando o conteúdo herniado passa pelo anel inguinal profundo, geralmente devido a uma fraqueza congênita ou adquirida na parede abdominal.
  • Pode atingir o escroto em homens.

Hérnia Inguinal Direta

  • Comum em indivíduos mais idosos.
  • Surge devido a um enfraquecimento da parede inguinal posterior, na região do Triângulo de Hesselbach.
  • Geralmente, não alcança o escroto.

Tabela de Classificação das Hérnias Inguinais

TipoLocal de OrigemCaracterísticasFrequência
Hérnia indiretaAnel inguinal profundoPassa pelo canal inguinal, pode atingir o escroto75% dos casos
Hérnia diretaTriângulo de HesselbachEnfraquecimento da parede, não passa pelo canalAproximadamente 25% dos casos
Hérnia inguinal bilateralAmbos os ladosPode ocorrer em ambos os ladosVariável, geralmente menos comum

Diagnóstico da Hérnia Inguinal

Anamnese

A história clínica é fundamental e deve incluir:

  • Presença de uma protuberância na região inguinal ou escrotal.
  • Associada ou não a dor ou desconforto ao esforço, tosse ou ficar em pé.
  • Evolução do quadro clínico.
  • Antecedentes cirúrgicos ou familiares.

Exame Físico

É o método mais confiável para o diagnóstico:

  • Inspeção visual da região inguinal.
  • Palpação com o paciente em pé e deitado.
  • Requisição de manobras como tosse ou esforço para facilitar a protrusão do conteúdo herniado.

Métodos Complementares

Em casos duvidosos ou complicados, podem ser solicitados exames de imagem:

ExameDescriçãoVantagens
UltrassonografiaDetecta a presença de hérnia e identifica o conteúdo herniadoNão invasivo, acessível, útil em casos controversos
Tomografia ComputadorizadaAvalia detalhadamente a parede abdominal e estruturas adjacentesIdeal para hérnias complexas

Para mais detalhes, consulte sites especializados como Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal.

Tratamento da Hérnia Inguinal

Tratamento Cirúrgico

A cirurgia é o tratamento de escolha na hérnia inguinal, sendo recomendada mesmo na ausência de sintomas para evitar complicações futuras.

Técnicas Cirúrgicas

Existem duas principais abordagens:

  • Cirurgia aberta (Lichtenstein): Técnica mais comum, com uso de tela de poliéster para reforçar a parede inguinal.
  • Laparoscopia: Técnica minimamente invasiva, indicada em casos recorrentes ou bilaterais.

Cuidados Pós-operatórios

Incluem repouso relativo, controle da dor, orientações sobre cuidados com a ferida e retorno às atividades habituais após estabelecido pelo cirurgião.

Tratamentos não cirúrgicos

Em casos de hérnias pequenas e assintomáticas, acompanhamento médico pode ser uma alternativa, embora a cirurgia seja preferida para evitar complicações.

Complicações e Prognóstico

Complicações Associadas

  • Estrangulação do conteúdo herniado.
  • Incarceramento, que pode requerer intervenção emergencial.
  • Infecção pós-operatória.
  • Recorrência da hérnia.

Prognóstico

Após a cirurgia, a maioria dos pacientes apresenta excelente recuperação, e as chances de recorrência, hoje, com técnicas modernas, são bastante reduzidas.

Perguntas Frequentes

1. Qual o CID de hérnia inguinal mais utilizado?

O CID-10 para hérnia inguinal geral é K40, sendo que os subcódigos detalham o tipo específico.

2. Pode-se fazer atividade física após a cirurgia?

Sim, mas recomenda-se seguir as orientações médicas para evitar esforços excessivos até a completa cicatrização.

3. Quais os sinais de complicação?

Dor intensa, vermelhidão, inchaço, náuseas, vômitos e dificuldade para evacuar ou urinar podem indicar complicações.

4. Qual a diferença entre hérnia direta e indireta?

A direta ocorre por enfraquecimento da parede abdominal na região do Triângulo de Hesselbach, enquanto a indireta passa pelo canal inguinal, geralmente de origem congênita.

5. Qual é a prevalência da hérnia inguinal?

Ela é responsável por cerca de 75% das hérnias inguinais e é mais comum em homens, especialmente na faixa de idade adulta.

Conclusão

A hérnia inguinal é uma condição clínica de alta prevalência, cuja correta classificação, diagnóstico e tratamento são essenciais para evitar complicações graves. O CID de hérnia inguinal na CID-10, representado pelo código K40, subdivide-se em tipos específicos que auxiliam na padronização e no controle epidemiológico. A cirurgia permanece como o tratamento de escolha, apresentando excelentes taxas de cura e baixa reincidência na prática moderna.

Manter-se informado, realizar acompanhamento médico regular e adotar hábitos que previnam o enfraquecimento da parede abdominal são ações fundamentais para o manejo eficaz dessa condição.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal. hernia.org.br
  2. Silva AC, Guimarães MM. Hérnia inguinal: diagnóstico e manejo clínico. Rev Bras Cir. 2020;50(3):275-280.
  3. Ministério da Saúde. CID-10 - Classificação Internacional de Doenças. saude.gov.br

“A prevenção e o tratamento precoce são as melhores estratégias contra as complicações da hérnia inguinal.” – Dr. Luiz Costa, Cirurgião Geral