CID de Fingindo Doença: Compreenda o Transtorno e Seus Sinais
Fingir uma doença pode parecer algo simples ou até mesmo uma estratégia de obtenção de atenção ou benefícios, mas, na verdade, esse comportamento está associado a transtornos psiquiátricos complexos e desafiadores. O CID (Código Internacional de Doenças) fornece uma classificação oficial para diversas condições clínicas, incluindo os transtornos relacionados ao fingimento de doença. Compreender esse tema é fundamental para profissionais de saúde mental, familiares e indivíduos que podem estar enfrentando esse problema, buscando uma abordagem adequada e empática.
Neste artigo, iremos explorar detalhadamente o que é o fingimento de doença, qual é o seu CID correspondente, os sinais de alerta, causas possíveis e estratégias de tratamento eficazes. Além disso, abordaremos perguntas frequentes, forneceremos uma tabela explicativa e referências confiáveis para aprofundamento.

O que é o Fingimento de Doença?
Fingir uma doença, também conhecido como simulação de sintomas ou "fingimento de sintomas", é um comportamento no qual uma pessoa finge ou exagera sintomas físicos ou mentais, buscando certos benefícios. Esses benefícios podem incluir atenção, evitar responsabilidades, obter medicamentos ou afastamento do trabalho ou estudos.
Diferença entre Simulação, Mal-esser e Transtorno Factício
Antes de avançar, é importante diferenciar alguns conceitos relacionados:
| Termo | Definição | Diferença Principal |
|---|---|---|
| Simulação (fingimento) | Personagem apresenta sintomas falsos ou exagerados para obter benefício. | Intencionalidade e motivação externa. |
| Mal-essere | Sentimentos de mal-estar sem demonstração de sintomas físicos claros. | Não necessariamente intencional ou consciente. |
| Transtorno Factício | Pessoa finge ou produz sintomas para assumir o papel de doente. | Motivação interna, sem benefício externo claro. |
CID de Fingindo Doença
O CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão) que mais se relaciona ao comportamento de fingir doença é:
F63.8 - Outros transtornos de comportamento disruptivo e de controle de Impulsos
Embora não exista um código específico exclusivo para fingimento de doença, esse comportamento pode ser enquadrado em categorias que envolvem transtornos de controle, como o transtorno factício ou outras condutas disfuncionais.
Transtorno Factício (Código F68.10)
Mais próximo do fingimento de doença, está o Transtorno Factício (F68.10), que é caracterizado por a pessoa intencionalmente falsificar ou criar sintomas físicos ou mentais, muitas vezes buscando assumir o papel de doente, sem motivo aparente externo.
Importante: A distinção entre fingir doença e transtorno factício é delicada e exige avaliação clínica especializada.
Sinais e Comportamentos de Fingimento de Doença
Identificar um comportamento de fingir doença não é simples e deve ser feito por profissionais qualificados. No entanto, alguns sinais podem indicar essa conduta:
Sinais físicos e comportamentais
- Queixas de sintomas múltiplos e inconsistentes.
- Histórico médico com várias internações e exames sem diagnóstico conclusivo.
- Recusa em realizar determinados exames que possam esclarecer a condição.
- Sintomas que pioram na ausência de monitoramento ou quando há ameaça de descoberta.
- Uso de medicamentos de forma manipulativa ou exagerada.
- Busca constante por atenção ou pena.
Sinais emocionais e psicológicos
- Desejo intenso de ser atendido ou cuidado.
- Comportamento manipulado ou dramático.
- Baixa autoestima ou dificuldades de enfrentamento emocional.
- Histórico de transtornos de personalidade ou delinquência.
Causas Possíveis do Fingimento de Doença
As razões que levam uma pessoa a fingir sintomas físicos ou mentais podem variar bastante, incluindo fatores psicológicos, sociais e biológicos.
Fatores psicológicos
- Desejo de obter atenção ou cuidados especiais.
- Evitar responsabilidades ou punições.
- Expressar ansiedade, depressão ou outros transtornos mentais não resolvidos.
- Baixa autoestima ou sentimento de desvalorização.
Fatores sociais
- Pressões familiares ou ambientais.
- Busca por benefícios legais ou financeiros.
- Tentativa de escapismo de problemas pessoais.
Fatores biológicos
- Ainda que não haja uma relação direta, alguns estudos sugerem que predisposições genéticas ou neuroquímicas podem influenciar determinados comportamentos de mentira compulsiva ou manipulação.
Como é Feita a Avaliação e Diagnóstico?
A avaliação de um possível transtorno relacionado ao fingimento de doença envolve:
- Entrevistas clínicas detalhadas.
- Histórico médico completo.
- Observação do comportamento e dos sintomas apresentados.
- Exclusão de condições médicas reais.
- Aplicação de instrumentos psicológicos específicos.
Devido à complexidade do tema, o diagnóstico deve ser feito por um psiquiatra ou psicólogo qualificado, que poderá distinguir entre um comportamento pontual e um transtorno mais grave, como o transtorno factício.
Tratamento e Abordagem
O tratamento do fingimento de doença pode variar conforme a gravidade do comportamento e o diagnóstico clínico. Geralmente, inclui:
Terapia psicológico
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC): ajuda a identificar e modificar padrões de pensamento disfuncionais.
- Terapia familiar: visando melhorar as relações e o ambiente social do indivíduo.
- Acompanhamento psiquiátrico: em casos que envolvem transtornos de humor ou personalidade.
Médicação
- Quando há associação com transtornos psiquiátricos, como depressão ou ansiedade, o médico pode indicar medicamentos específicos.
Intervenções adicionais
- Educação da família.
- Apoio social e grupos de apoio.
Importante: A motivação do tratamento deve sempre ser a melhora do bem-estar psicológico, evitando punições ou julgamento.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Fingir uma doença é considerado um transtorno psicológico?
Sim, quando o comportamento é constante, intencional e causa prejuízo no funcionamento social, pode estar relacionado a um transtorno psicológico, como o transtorno factício.
2. Como diferenciar um fingimento de doença de uma doença real?
A avaliação deve sempre ser feita por profissionais de saúde, que investigam a consistência dos sintomas, a história clínica e a motivação do indivíduo.
3. Qual a importância de buscar ajuda especializada?
Pois o fingimento de doença pode mascarar transtornos mais profundos e requer tratamento adequado para evitar complicações emocionais e sociais.
4. Existem leis que protegem pessoas que fingem doença?
O comportamento de fingimento não é uma infração legal por si só, mas pode estar relacionado a questões judiciais (por exemplo, na tentativa de obter benefícios indevidos).
5. O que fazer se alguém suspeita que um familiar está fingindo uma doença?
Procure aconselhamento com profissionais de saúde mental, evitando julgamento e oferendo apoio para que essa pessoa procure auxílio adequado.
Conclusão
Fingir uma doença é uma conduta complexa que pode estar relacionada a diversos fatores emocionais, sociais e psiquiátricos. O código CID mais associado a esse comportamento é o F68.10 - Transtorno Factício, que evidencia a intenção consciente do indivíduo em simular sintomas com ou sem benefício externo.
O diagnóstico precoce, o acompanhamento especializado e uma abordagem empática são essenciais para ajudar quem apresenta esse comportamento a buscar tratamento e entender suas motivações de forma saudável. Como afirma o psiquiatra Carl Jung, “Em cada um de nós há uma sombra que precisa ser reconhecida e integrada, para que a cura possa acontecer.”
Para mais informações, recomenda-se consultar fontes confiáveis como o Portal da Psicologia e o Ministério da Saúde.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). CID-10: Classificação Internacional de Doenças.
- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5).
- Silva, J. et al. (2018). Transtornos factícios e comportamento de fingimento de doença. Revista Brasileira de Psiquiatria.
- Ministério da Saúde. Guia de Diagnóstico e Tratamento de Transtornos Psicológicos.
Este artigo foi elaborado para fornecer informações completas e atualizadas sobre o CID de Fingindo Doença, promovendo compreensão e conscientização sobre esse transtorno.
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