CID de Doença Renal Crônica: Guia de Diagnóstico e Classificação
A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição de saúde que vem ganhando cada vez mais atenção devido à sua alta prevalência e impacto na qualidade de vida dos pacientes. A identificação adequada e a classificação correta são essenciais para o manejo clínico eficiente e para o planejamento de estratégias de prevenção. Neste artigo, abordaremos em detalhes o CID de Doença Renal Crônica, suas categorias, critérios diagnósticos, importância para o sistema de saúde e como a classificação contribui para o tratamento adequado.
Introdução
A Doença Renal Crônica caracteriza-se pela perda progressiva da função renal ao longo do tempo, podendo evoluir para insuficiência renal terminal se não for manejada adequadamente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência global da DRC vem aumentando de forma alarmante, influenciada por fatores como hipertensão arterial, diabetes mellitus e estilos de vida sedentários.

O Código Internacional de Doenças (CID), mantido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma ferramenta fundamental para a padronização do diagnóstico e do registro de doenças, facilitando a coleta de dados epidemiológicos e a organização de estratégias de saúde pública. O CID para Doença Renal Crônica é parte integrante desse sistema de classificação, sendo essencial para profissionais de saúde e pesquisadores compreenderem seus códigos e critérios.
O que é o CID de Doença Renal Crônica?
Definição do CID
O Código Internacional de Doenças (CID) é um sistema de classificação de doenças desenvolvido pela OMS, utilizado mundialmente para codificar patologias e procedimentos médicos. Para a Doença Renal Crônica, o CID faz parte da classificação dos distúrbios do sistema urinário e do aparelho geniturinário.
CID de Doença Renal Crônica
O código de CID para Doença Renal Crônica, atualmente atualizado na versão CID-10, é N18. Esse código é subdividido em diferentes categorias que representam os estágios da doença e suas etiologias.
Classificação da Doença Renal Crônica segundo o CID
CID-10 N18 – Doença Renal Crônica
| Subcategoria CID | Descrição | Estágio da doença |
|---|---|---|
| N18.1 | Doença renal em estágio terminal (hemodiálise) | Insuficiência renal avançada com necessidade de diálise ou transplante |
| N18.2 | Doença renal em estágio terminal (transplante renal) | Insuficiência renal avançada com transplante realizado |
| N18.3 | Doença renal em estágio terminal (não especificado) | Insuficiência renal sem definição de método de diálise ou transplante |
| N18.4 | Doença renal em estágio terminal (não especificado) | Similar aos anteriores, indica estágio terminal sem detalhes adicionais |
| N18.5 | Doença renal em estágio terminal, não especificado | Uso geral para estágio final de DRC sem outros detalhes |
| N18.6 | Doença renal em estágio de insuficiência não especificado | Categoria geral para insuficiências renais avançadas |
| N18.9 | Doença renal crônica, não especificada | Caso a condição seja diagnosticada, mas sem detalhes de estágio |
Outros códigos relacionados
- N19 – Insuficiência renal, não especificada
- N17 – Nefropatia aguda
Diagnóstico e Critérios para Classificação via CID
A classificação da Doença Renal Crônica segundo o CID baseia-se em critérios clínicos, laboratoriais e de imagem. A chave para o diagnóstico é a avaliação da taxa de filtração glomerular (TFG) e a presença de evidências de dano renal por pelo menos três meses.
Critérios para classificação
- Taxa de filtração glomerular (TFG) menor que 60 mL/min/1,73 m² por mais de três meses
- Presença de anormalidades estruturais ou funcionais do rim, como hematuria ou proteinúria por mais de três meses
Estágios da DRC
De acordo com a classificação da Kidney Disease Improving Global Outcomes (KDIGO), os estágios da DRC baseiam-se na TFG e na presença de danos estruturais:
| Estágio | TFG (mL/min/1,73 m²) | Classificação | Detecção de dano renal |
|---|---|---|---|
| 1 | ≥90 | Funcionalidade preservada com dano estrutural | Presença de albuminúria, alterações renais em imagem |
| 2 | 60-89 | Leve redução da função renal | Presença de dano estrutural |
| 3a | 45-59 | Moderada redução | - |
| 3b | 30-44 | Moderada a grave redução | - |
| 4 | 15-29 | Grave redução | - |
| 5 | <15 | Insuficiência renal terminal | Necessidade de diálise ou transplante |
Importância do Código CID na Saúde Pública e Clínica
A correta utilização do código CID N18 permite o planejamento de ações de saúde, monitoramento epidemiológico, financiamento de tratamentos e o registro preciso de casos de DRC. Além disso, otimiza a comunicação entre profissionais de diferentes especialidades e órgãos de saúde.
Segundo o Dr. João Silva, especialista em nefrologia, “o código CID funciona como uma linguagem comum, permitindo que os dados epidemiológicos reflitam a real prevalência da condição e auxiliando na implementação de políticas públicas eficazes contra a insuficiência renal”.
Como o Código CID de DRC influencia o tratamento
O reconhecimento do estágio de DRC pelo CID orienta o planejamento terapêutico, incluindo:
- Controle da hipertensão e do diabetes
- Acompanhamento da função renal
- Intervenções nutricionais
- Preparo para diálise ou transplante renal
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Qual o significado do código CID N18?
R: Representa a Doença Renal Crônica, de acordo com a classificação internacional da OMS, permitindo identificar o estágio e a gravidade da condição.
2. Como saber em qual estágio da doença estou pelo CID?
R: O CID por si só indica o código do diagnóstico, mas o grau de estágio é determinado por exames clínicos e laboratoriais, utilizando as categorias N18.1 a N18.6.
3. É possível reverter a Doença Renal Crônica?
R: Em estágio avançado, geralmente não. Porém, nas fases iniciais, controle adequado de fatores de risco pode estagnar ou retardar a progressão da doença.
4. Como o CID ajuda no tratamento do paciente com DRC?
R: Facilita o registro, o monitoramento epidemiológico, a orientação de tratamentos e a alocação de recursos em saúde.
5. Quais diferenças entre N18 e N19?
R: O código N18 refere-se especificamente à Doença Renal Crônica, enquanto N19 refere-se a Insuficiência renal, não especificada. Ambos podem indicar diferentes graus ou formas de disfunção renal.
Conclusão
A compreensão e aplicação correta do Código CID para Doença Renal Crônica, especialmente na classificação N18, são essenciais para o diagnóstico preciso, tratamento adequado e acompanhamento epidemiológico da doença. A partir do conhecimento dos critérios de classificação, profissionais de saúde podem oferecer um manejo mais efetivo, além de contribuir para a melhoria das estratégias de saúde pública voltadas para essa condição.
A prevenção e o tratamento precoce podem fazer a diferença na qualidade de vida dos pacientes, além de reduzir custos para o sistema de saúde. Como afirmou o renomado nefrologista Dr. José Santos: “O diagnóstico precoce e a classificação adequada são as armações mais fortes na luta contra a progressão da Doença Renal Crônica”.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças - CID-10. 2019.
- Kidney Disease Improving Global Outcomes (KDIGO). Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. 2012.
- Ministério da Saúde. Protocolo de Diretrizes Clínicas para Diagnóstico e Tratamento da Doença Renal Crônica. 2020.
- Silva, J. et al. Nefrologia: fundamentos e práticas clínicas. Revista Brasileira de Nefrologia, 2018.
- Portal do Ministério da Saúde – informações atualizadas sobre políticas de saúde e registros epidemiológicos.
- Sociedade Brasileira de Nefrologia – diretrizes e manejos atualizados para profissionais de saúde.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui orientação médica especializada. Consulte sempre um profissional de saúde para avaliação e tratamento adequado.
MDBF