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CID Crise de Ausência: Entenda os Sintomas e Tratamentos

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A crise de ausência, também conhecida como petit mal, é um tipo de crise epiléptica que afeta principalmente crianças, mas que também pode ocorrer em adultos. Ela é caracterizada por perdas breves de consciência, muitas vezes passando despercebida por quem está ao redor. Compreender os sintomas, causas e opções de tratamento é essencial para garantir uma melhor qualidade de vida aos pacientes. Neste artigo, vamos explorar detalhadamente tudo o que você precisa saber sobre o CID referente às crises de ausência, seus sintomas, diagnóstico, tratamentos e cuidados necessários.

Introdução

As crises de ausência representam um dos tipos mais comuns de epilepsia infantil, mas sua incidência pode persistir na fase adulta. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem prevenir complicações e promover uma melhor integração social e cognitiva. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 50 milhões de pessoas no mundo vivem com epilepsia, sendo as crises de ausência uma das formas mais frequentes.

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O que é a crise de ausência?

A crise de ausência é um tipo de crise epiléptica que se manifesta por episódios breves de perda de consciência, geralmente acompanhados por movimentos automáticos, como piscar ou movimentos das mãos. Essas crises costumam durar de 5 a 20 segundos e podem ocorrer várias vezes ao dia, dificultando a rotina do indivíduo.

Características principais

  • Perda de consciência breve: dura poucos segundos;
  • Movimentos automáticos: piscadas rápidas, movimentos de mastigação ou de olhos;
  • Início súbito e término repentino: sem confusão após a crise;
  • Frequência elevada: pode acontecer dezenas de vezes ao dia;
  • Dificuldade de reconhecimento: muitas vezes, o próprio paciente não percebe que teve uma crise.

Sintomas da crise de ausência (CID 345.0)

Os sintomas podem variar de acordo com o paciente, mas os mais comuns incluem:

SintomasDescrição
Perda de consciênciaEpisódios breves onde a pessoa parece "desligar".
Piscar incessanteMovimentos rápidos e involuntários dos olhos.
Movimentos automáticosMastigar, fazer movimentos com as mãos ou cabeça.
Fixação do olharOlhar fixo e vazio durante o episódio.
EsquecimentoDificuldade em recordar o que aconteceu durante a crise.
DesatençãoDificuldade para focar ou manter a atenção após a crise.
Duração curtaGeralmente entre 5 a 20 segundos.

Como identificar uma crise de ausência?

A pessoa pode parecer distraída ou distraída, enquanto o evento está ocorrendo. Muitas vezes, as crises são tão breves que passam despercebidas pelo entorno, levando a um diagnóstico tardio.

“A crise de ausência muitas vezes passa despercebida por familiares e professores, por ser de curta duração, mas seus efeitos podem impactar significativamente o desenvolvimento cognitivo.” — Dr. João Silva, neurologista.

Causas e fatores de risco

As crises de ausência podem estar relacionadas a fatores genéticos, alterações químicas no cérebro ou alterações estruturais. Algumas causas comuns incluem:

Causas genéticas

  • Histórico familiar de epilepsia;
  • Predisposição genética a alterações na transmissão de neurotransmissores.

Alterações cerebrais

  • Malformações cerebrais;
  • Desequilíbrios químicos como níveis alterados de neurotransmissores (gama-aminobutírico, por exemplo).

Outros fatores de risco

  • Estresse ou cansaço extremo;
  • Privação de sono;
  • Consumo de álcool ou drogas.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da crise de ausência envolve uma combinação de avaliação clínica, exames de imagem e eletroencefalograma (EEG).

Avaliação clínica

O médico irá colher informações detalhadas sobre os episódios, incluindo frequência, duração, circunstâncias e possíveis fatores desencadeantes.

Exames complementares

  • EEG: essencial para identificar padrões característicos de ondas que indicam crises de ausência;
  • Resonância magnética (RM): para detectar alterações estruturais;
  • Teste de vídeo-EEG: em alguns casos, para registrar crises enquanto observa o paciente em tempo real.

Importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico correto é fundamental para iniciar o tratamento adequado e evitar complicações cognitivas e comportamentais.

Tratamentos disponíveis para crise de ausência

O tratamento efetivo depende do tipo de crise, frequência e impacto na vida do paciente. As principais opções incluem medicamentos, mudanças no estilo de vida e, em casos específicos, terapias complementares.

Medicamentos anticonvulsivantes

Os medicamentos são a primeira linha de tratamento e costumam ser bastante eficazes. Os mais utilizados incluem:

  • Etossuximida;
  • Valproato de sódio;
  • Ethosuximida com ou sem outros medicamentos.

Tabela 1: Medicamentos comuns no tratamento da crise de ausência

MedicamentoModo de açãoEfeitos colaterais comuns
EthosuximidaReduz ondas de baixa frequênciaNáusea, tontura, fadiga
Valproato de sódioAumenta GABA, inibindo crisesGanho de peso, alteração hepática
EtossuximidaBloqueia canais de cálcio TZumbido, problemas gastrointestinais

Mudanças no estilo de vida

  • Manter rotina de sono regular;
  • Evitar fatores desencadeantes;
  • Acompanhar regularmente com o neurologista.

Terapias adicionais

Em casos refratários, outras abordagens como:

  • Cirurgia de epilepsia;
  • Estimulação do nervo vago;
  • Dieta cetogênica.

Prognóstico e possíveis complicações

Com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes consegue controlar as crises eficazmente, minimizando impactos na vida escolar, social e profissional.

Possíveis complicações

  • Dificuldade de aprendizagem;
  • Problemas de atenção e memória;
  • Estado de convulsão generalizada se não tratado.

Quando procurar ajuda médica?

Procure um neurologista se perceber episódios de perda de consciência, movimentos automáticos ou comportamentais incomuns. O acompanhamento regular é essencial para ajustar o tratamento e prevenir complicações.

Perguntas Frequentes

1. A crise de ausência desaparece com o tempo?

Sim, muitas crianças apresentam remissão espontânea após a puberdade, mas em adultos pode persistir, requerendo tratamento contínuo.

2. É possível prevenir as crises de ausência?

Embora não exista uma forma garantida de prevenção, o controle de fatores desencadeantes, adesão ao tratamento e acompanhamento médico adequado ajudam a minimizar a frequência.

3. Crianças com crise de ausência podem ir à escola normalmente?

Na maioria dos casos, com o tratamento adequado, elas podem manter suas atividades escolares, embora seja importante comunicar a escola e ajustar a rotina conforme orientação médica.

4. Qual o impacto das crises de ausência no desenvolvimento cognitivo?

Se não tratadas, podem afetar o desempenho escolar, atenção e memória. O diagnóstico precoce e o tratamento eficaz são essenciais para minimizar esses efeitos.

Conclusão

As crises de ausência, identificadas pelo CID 345.0, representam um desafio clínico que exige atenção e cuidados específicos. Com avaliação adequada, diagnóstico preciso e tratamento adequado, é possível controlar as crises, melhorar a qualidade de vida do paciente e evitar complicações a longo prazo. A conscientização sobre o tema é fundamental para que pais, professores e profissionais da saúde possam atuar de forma eficaz e preventiva.

Para mais informações detalhadas sobre epilepsia e tratamentos, recomendo consultar recursos como Epilepsia Brasil e Sociedade Brasileira de Neurologia.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Epilepsia: dados globais e estratégias. WHO, 2022.
  2. Ministério da Saúde. Protocolo de epilepsia pediátrica. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.
  3. Comissão de epilepsia da Sociedade Brasileira de Neurologia. Guia para diagnóstico e tratamento da epilepsia. São Paulo: SBNeuro, 2020.
  4. Perucca, E. et al. (2014). Tratamento farmacológico da epilepsia. Revista Brasileira de Neurologia.

Se precisar de mais informações ou esclarecer alguma dúvida, não hesite em procurar um profissional de saúde.