CID Crise Convulsiva Febril: Guia Completo para Entender
A crise convulsiva febril é uma condição comum na infância que pode gerar preocupação e angústia aos pais e cuidadores. Apesar de ser uma ocorrência relativamente frequente, muitas dúvidas ainda cercam sua definição, causas, diagnóstico, tratamento e formas de prevenção. Este guia completo busca esclarecer todas essas questões, fornecendo informações atualizadas e de fácil compreensão sobre o CID (Classificação Internacional de Doenças) relacionada às crises convulsivas febris, além de abordar aspectos essenciais para o cuidado do paciente infantil.
O que é a Crise Convulsiva Febril?
Definição
A crise convulsiva febril é um episódio de convulsões que ocorre em crianças geralmente entre os 6 meses e 5 anos de idade, associada a febre — normalmente acima de 38°C — sem evidência de infecção do sistema nervoso central ou outras causas neurológicas. Ela é considerada uma das crises convulsivas mais comuns na infância.

Classificação segundo o CID
De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), as crises convulsivas febris estão categorizadas sob o código:
| Código CID-10 | Descrição |
|---|---|
| R56.0 | Convulsões febris |
Este código é utilizado na codificação e registros médicos para padronizar a comunicação sobre o diagnóstico.
Como afirmou o neurologista Dr. João Paulo Silva, "a crises convulsivas febris, apesar de assustarem os pais, têm prognóstico geralmente favorável e baixa taxa de complicações neurológicas a longo prazo."
Causas e Fatores de Risco
Causas
A causa exata das crises convulsivas febris ainda não é totalmente compreendida, mas acredita-se que estejam relacionadas a fatores genéticos e a uma predisposição cerebral sensível às variações de temperatura. A febre, por si só, não causa as convulsões, mas ela pode atuar como gatilho em crianças predispostas.
Fatores de risco
- Histórico familiar de convulsões ou epilepsia
- Infecções virais ou bacterianas associadas à febre
- Primeiro episódio de febre na criança
- Idade entre 6 meses e 5 anos
- Infecções do trato respiratório superior, otite, pneumonia
Sintomas e Como Identificar uma Crise Convulsiva Febril
Sintomas comuns
- Perda de consciência
- Movimentos de_BADContrações ou espasmos musculares involuntários (tremores)
- Olhar fixo ou perda de contato visual
- Rigidez muscular
- Pode ocorrer salivação excessiva
- Em alguns casos, perda de controle urinário ou fecal
Como agir em caso de crise
- Manter a calma
- Proteção do paciente contra quedas e objetos cortantes
- Colocar o paciente de lado para evitar sufocamento
- Não tentar colocar objetos na boca
- Medir a duração da crise
- Procurar atendimento médico imediatamente se a crise durar mais de 5 minutos, se acontecerem múltiplas crises ou se for a primeira ocorrência
Diagnóstico e Exames
Como é realizado o diagnóstico?
O diagnóstico da crise convulsiva febril é fundamentalmente clínico, baseado na história do paciente e na observação dos sintomas durante o episódio. Os principais passos incluem:
- Anamnese detalhada: início, duração, fatores desencadeantes
- Exame neurológico completo
- Investigação de febre e infecções associadas
Exames complementares
Normalmente, os exames laboratoriais e de imagem só são indicados em casos atípicos ou se houver suspeita de outros problemas neurológicos.
| Exame | Quando solicitar | Objetivo |
|---|---|---|
| Hemograma completo | Para avaliar infeções | Detectar infecção ou alteração hematológica |
| Punção lombar (líquor) | Se houver sinais de infecção do SNC | Investigar meningite ou encefalite |
| Tomografia computadorizada (TC) ou RM | Em casos de suspeita de lesão cerebral | Descartar AVC, tumores ou malformações |
Tratamento e Cuidados Durante a Crise
Cuidados imediatos
- Manter a calma e proteger a criança
- Posicionar de lado
- NÃO colocar objetos na boca
- Observar o tempo da crise
- Acionar o serviço de emergência se a crise persistir mais de 5 minutos ou ocorrerem múltiplas crises seguidas
Tratamento
A maioria das crises convulsivas febris não requer medicação de emergência. Porém, em alguns casos, medicamentos podem ser indicados pelo médico para prevenir novas crises:
- Diazepam (via retal ou oral)
- Clonazepam ou outros anticonvulsivantes (em casos de crises recorrentes)
Importante: A criança com crise febril habitualmente não precisa de hospitalização, a menos que haja complicações ou condição clínica associada.
Prevenção e Orientações para os Pais
Como evitar novas crises
Embora não seja possível prevenir completamente as crises convulsivas febris, algumas ações podem reduzir o risco ou a ansiedade de ambos:
- Controle rigoroso da febre com medicamentos antipiréticos (paracetamol ou ibuprofeno)
- Manter a hidratação adequada
- Monitorar sinais de infecção
- Buscar atendimento médico ao primeiro sinal de febre alta ou mal-estar
Orientações importantes
- Não administrar medicamentos sem orientação médica
- Educar a criança e os cuidadores sobre o que fazer durante uma crise
- Manter um histórico atualizado de episódios anteriores
- Agendar acompanhamento neurológico se necessário
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A crise convulsiva febril causa sequelas permanentes?
Resposta: Na maioria dos casos, não. A crise febril geralmente não causa sequelas neurológicas permanentes, especialmente se o episódio for manejado corretamente e não houver outras complicações.
2. Crianças que têm crises febris devem tomar medicamentos de forma contínua?
Resposta: Não necessariamente. A maioria das crianças não precisa de medicação preventiva. A decisão depende do número de crises, duração, idade e histórico familiar, devendo ser avaliada pelo neurologista.
3. Como diferenciar uma crise febril de uma epilepsia?
Resposta: As crises febris ocorrem geralmente em crianças com febre, duram poucos minutos, e a criança costuma recuperar-se rapidamente. Epilepsia pode envolver crises sem febre, ou crises recorrentes em diferentes condições.
4. Quando procurar emergência?
Resposta: Quando a crise dura mais de 5 minutos, se a criança não recuperar a consciência, se houver dificuldades respiratórias, ou se ocorrerem múltiplas crises em sequência.
Conclusão
A crise convulsiva febril é uma condição frequente na infância que, embora assustadora, apresenta um excelente prognóstico na maioria dos casos. Entender os aspectos relacionados ao CID, causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção oferece aos pais e cuidadores maior segurança frente às ocorrências. O acompanhamento médico especializado é fundamental para garantir uma abordagem adequada e tranquilizadora, promovendo o bem-estar da criança.
Referências
Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde – Saúde da Criança. Brasília: Ministério da Saúde; 2020.
World Health Organization. International Classification of Diseases (ICD-10). 2019.
NeuroscienceOnline. Convulsões febris e epilepsia. Disponível em: https://neuroonline.org
Sociedade Brasileira de Neurologia. Tratamento e manejo das crises convulsivas na infância. Disponível em: https://sbn.org.br
Lembre-se: Ao presenciar uma crise convulsiva, mantenha a calma, proteja a criança e procure ajuda médica imediata. A informação e o acompanhamento adequado são essenciais para garantir a saúde e o desenvolvimento seguro do seu filho.
MDBF