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Criptorquidia Bilateral: Entenda Causas, Sintomas e Tratamento

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A criptorquidia bilateral é uma condição que afeta muitas famílias e que exige atenção especializada para garantir um desenvolvimento adequado dos órgãos reprodutores masculinos. Este artigo tem como objetivo esclarecer dúvidas, apresentar as causas, sintomas e tratamentos disponíveis, além de fornecer informações essenciais para pais, responsáveis e profissionais de saúde.

Introdução

A criptorquidia, popularmente conhecida como testículo não descido, é uma condição na qual um ou ambos os testículos permanecem fora do escroto ao longo do desenvolvimento fetal, após o nascimento ou durante a infância. Quando ambos os testículos estão afetados, caracteriza-se como criptorquidia bilateral. Essa condição pode gerar complicações se não tratada corretamente, incluindo infertilidade e risco aumentado de câncer testicular.

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Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia, aproximadamente 3% a 4% dos recém-nascidos apresentam criptorquidia, sendo o cenário bilateral representando cerca de 20% a 30% dos casos.

O que é a Criptorquidia Bilateral?

A criptorquidia bilateral refere-se à condição onde ambos os testículos permanecem fora do escroto. Normalmente, durante o desenvolvimento fetal, os testículos migram do abdômen até a bolsa escrotal por volta do sétimo mês de gestação. Quando essa migração não ocorre ou é incompleta, a condição pode afetar um ou ambos os lados.

Diferença entre Criptorquidia Unilateral e Bilateral

CaracterísticaCriptorquidia UnilateralCriptorquidia Bilateral
Testículo afetadoUm ladoAmbos os lados
Implicação na fertilidadeGeralmente menor impactoRisco elevado de infertilidade
Presença de testículos no escrotoGeralmente um testículo no local corretoNenhum testículo no escroto

Causas da Criptorquidia Bilateral

A causa exata da criptorquidia bilateral pode variar, mas muitas vezes envolve fatores genéticos, hormonais ou ambientais.

Fatores Genéticos e Hormonais

  • Desequilíbrios hormonais durante o desenvolvimento fetal, especialmente relacionados à testosterona e à hormonogênese testicular, podem impedir a migração dos testículos.
  • Predisposição genética, onde mutações ou variações em determinados genes influenciam o processo de descida testicular.

Fatores Ambientais

  • Exposição a substâncias químicas disruptoras hormonais durante a gestação.
  • Uso de medicamentos ou drogas por parte da gestante.
  • Fatores de risco ambientais, como altas temperaturas ou exposição a toxinas.

Outras Condições Associadas

A criptorquidia bilateral pode estar relacionada a outras condições, como:

  • Hipogonadismo
  • Anomalias cromossômicas, como a síndrome de Klinefelter
  • Anomalias genitais

Sintomas e Diagnóstico

Sintomas

Na maioria dos casos, a criptorquidia bilateral é assintomática, ou seja, não apresenta sintomas visíveis ou dores. Muitas vezes, a condição é identificada durante exames de rotina ou avaliações neonatais.

Como é realizado o diagnóstico?

O diagnóstico é feito por meio de exame físico, onde o profissional de saúde verifica a ausência dos testículos no escroto. Caso os testículos não sejam palpáveis na região inguinal ou escrotal, exames de imagem, como ultrassonografia, podem ser utilizados para localizar o testículo ou indicar ausência dele.

Tabela: Exames utilizados para diagnóstico de criptorquidia bilateral

ExameObjetivoComo é realizado
Exame físicoDetectar a presença ou ausência dos testículosPalpação na região inguinal e escroto
UltrassonografiaLocalizar testes retidos ou ausênciaUso de ondas sonoras para imagem interna
Exames hormonaisAvaliar produção hormonal e funcionamento testicularAnálise de níveis de testosterona, LH e FSH

Tratamento da Criptorquidia Bilateral

O tratamento precoce é essencial para evitar complicações futuras, como infertilidade e risco de câncer testicular.

Opções de tratamento

1. Hormonioterapia

Em alguns casos, o médico pode recomendar o uso de hormônios, como a gonadotrofina, para estimular a descida testicular. No entanto, a eficácia varia e essa abordagem é mais utilizada em casos leves.

2. Cirurgia (Orquidopexia)

A cirurgia é o tratamento padrão para criptorquidia bilateral. O procedimento consiste em mover o testículo para o escroto e fixá-lo na posição correta.

  • Quando fazer? O ideal é realizar até os 18 meses de idade, horário considerado mais eficaz para recuperação e desenvolvimento testicular.
  • Pós-operatório: Envolve cuidados específicos e acompanhamento regular com o urologista.

Tabela: Resumo das opções de tratamento

OpçãoQuando é indicadaBenefíciosRiscos
HormonioterapiaCasos leves e recentesNão invasivaEficácia limitada
Cirurgia (Orquidopexia)Casos diagnosticados precocementeAlta taxa de sucessoInvasiveness, risco de infecção

Complicações Associadas

ComplicaçãoDescriçãoComo prevenir ou tratar
InfertilidadeDificuldade na produção de esperma devido a testículos não descidosTratamento cirúrgico precoce, acompanhamento de fertilidade
Risco de câncer testicularTestículos não descidos têm maior risco de câncerExames regulares e acompanhamento médico contínuo
Hernia inguinalAssociada à patologia do canal inguinalCorreção cirúrgica de hérnias

Prevenção e acompanhamento

Embora muitas causas da criptorquidia bilateral sejam desconhecidas, algumas ações podem ajudar a reduzir riscos:

  • Acompanhamento pré-natal adequado.
  • Evitar exposição a agentes tóxicos durante a gestação.
  • Exames pediátricos regulares para identificar precocemente a condição.

Após o diagnóstico, o acompanhamento multidisciplinar é fundamental para garantir o desenvolvimento saudável dos órgãos sexual e reprodutivo da criança.

Perguntas Frequentes

1. A criptorquidia bilateral pode desaparecer sozinha?

Não, geralmente essa condição não resolve por conta própria e requer intervenções médicas.

2. Quais são as chances de recuperação total após o tratamento?

Quando tratado precocemente, as chances de recuperação e preservação da fertilidade aumentam significativamente.

3. A criptorquidia bilateral interfere na vida sexual futura?

Se não tratada, a condição pode afetar a fertilidade, mas com intervenção adequada, a maioria dos indivíduos tem prognosis favorável.

4. É possível prevenir a criptorquidia bilateral?

Não há prevenção definitiva, mas evitar fatores de risco ambientais e realizar acompanhamento de saúde durante a gestação e infância é fundamental.

Conclusão

A criptorquidia bilateral é uma condição que exige atenção e tratamento oportuno para evitar complicações futuras, principalmente relacionadas à fertilidade e ao risco de câncer testicular. Diagnóstico precoce, acompanhamento adequado e intervenção cirúrgica são fundamentais para garantir a saúde do paciente.

Se você suspeita de criptorquidia em uma criança ou deseja mais informações, consulte um especialista em urologia ou endocrinologia pediátrica. Quanto mais cedo a intervenção, melhores as chances de um desenvolvimento saudável.

Referências

  • Sociedade Brasileira de Urologia. Diretrizes de seleção e conduta no tratamento da criptorquidia. 2021.
  • Silva, J. A., & Souza, M. L. (2020). Pediatria e Saúde Reprodutiva. Editora Médica.
  • Ministério da Saúde. Caderno de Atenção à Saúde do Homem. Brasil, 2019.
  • Society of Pediatric Urology - Guidelines on Cryptorchidism

“A prevenção e o tratamento precoce da criptorquidia podem fazer toda a diferença na vida futura de uma criança.”