MDBF Logo MDBF

CID Coledocolitíase: Causas, Sintomas e Tratamentos Eficazes

Artigos

A coledocolitíase, conhecida por muitos como "pedra na vesícula que migra para o ducto biliar", é uma condição que afeta um número significativo de pessoas em todo o mundo. Essa condição ocorre quando cálculos biliares se deslocam do ducto cístico para o ducto colédoco, bloqueando a passagem da bile e podendo levar a complicações sérias, como inflamação e infecções. Compreender suas causas, sintomas e tratamentos é fundamental para um diagnóstico precoce e uma gestão eficaz. Neste artigo, exploraremos detalhadamente a coledocolitíase, abordando seus aspectos mais relevantes e fornecendo informações essenciais para pacientes e profissionais de saúde.

O que é a CID Coledocolitíase?

A coledocolitíase, classificada na tabela internacional de doenças CID-10 como K80.1, refere-se à presença de cálculos no ducto colédoco. O ducto colédoco é o canal que transporta a bile do fígado e da vesícula para o intestino delgado, desempenhando papel crucial na digestão de gorduras.

cid-coledocolitiase

Diferença entre litíase biliar e coledocolitíase

Enquanto a litíase biliar é a formação de cálculos na vesícula, a coledocolitíase ocorre quando esses cálculos migrando resultam na obstrução do ducto colédoco. Muitas vezes, os cálculos biliares podem ser assintomáticos, mas sua migração e blocos podem causar complicações.

Causas da Coledocolitíase

Formação de cálculos biliares

A principal causa da coledocolitíase é a formação de cálculos na vesícula biliar, que posteriormente migram para o ducto colédoco. Esses cálculos são compostos principalmente por colesterol ou pigmento, dependendo de fatores metabólicos e ambientais.

Fatores de risco

Fator de RiscoDescrição
ObesidadeAumenta a produção de colesterol na bile, favorecendo a formação de cálculos.
IdadePessoas acima de 40 anos apresentam maior incidência.
Histórico familiarPredisposição genética pode influenciar a formação de cálculos.
Doenças do fígadoAlgumas doenças hepáticas estão associadas à formação de cálculos pigmentares.
Dieta inadequadaConsumo excessivo de gordura e baixo consumo de fibras facilitam a formação de cálculos.
GestaçãoAlterações hormonais favorecem a estase biliar e formação de cálculos pigmentares.

Outras causas menos comuns

  • Infecções biliopancreáticas
  • Anomalias congênitas do ducto biliar
  • Cálculos pigmentares decorrentes de hemólise

Sintomas da Coledocolitíase

Sintomas clássicos

  • Dor no quadrante superior direito: intensa, contínua ou intermitente, podendo irradiar para as costas ou escápula.
  • Icterícia: coloração amarelada da pele e olhos devido à obstrução do fluxo da bile.
  • Fezes claras ou esbranquiçadas: devido à baixa deulsificação de pigmentos biliares na intestino.
  • Urina escura: causada pelo aumento da bilirrubina na urina.
  • Náusea e vômito: frequentemente associados à dor ou às complicações inflamatórias.

Sintomas mais graves

  • Febre alta com calafrios: indicativo de colangite.
  • Sensibilidade abdominal intensa: sinais de inflamação avançada ou necrose.
  • Sinais de sepse: condição de emergência que requer atendimento imediato.

Segundo a Sociedade Brasileira de Hepatologia, "a coledocolitíase pode evoluir de forma assintomática para manifestações agudas, exigindo uma abordagem rápida e efetiva."

Diagnóstico da Coledocolitíase

Exames laboratoriais

ExameDescriçãoIndicador possível
BilirrubinaExclusão de obstruçãoAumento indica obstrução biliar.
Fosfatase alcalinaIndicador de obstruçãoNíveis elevados sugerem patologia no ducto biliar.
GGTDetecta disfunção biliarNíveis elevados são comuns na coledocolitíase.
HemogramaAvalia infecção ou inflamaçãoLeucocitose pode indicar complicação infecciosa.

Exames de imagem

Ultrassonografia Hepatobiliar

Exame de primeira linha devido à sua acessibilidade e eficácia na detecção de cálculos na vesícula e no ducto biliar. Pode identificar cálculos e dilatação do ducto.

Colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM)

Permite visualização detalhada do sistema biliar sem invasão. Ideal para confirmção do diagnóstico.

Colangiografia endoscópica retrógrada (CPRE)

Procedimento invasivo, considerado padrão-ouro para diagnóstico e tratamento simultâneo através de uma endoscopia.

Tratamentos para CID Coledocolitíase

Tratamento clínico e expectante

Em casos assintomáticos ou com baixa obstrução, pode-se iniciar com monitoramento e uso de medicamentos que auxiliam na dissolução de cálculos, embora essa abordagem seja limitada.

Tratamento endoscópico

Colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE)

  • Procedimento mais utilizado na remoção dos cálculos do ducto colédoco.
  • Pode incluir a colocação de prótese ou drenagem para aliviar a obstrução.

Litotripsia

Indicação para cálculos muito grandes que não podem ser removidos por métodos convencionais:

  • Lîtotripsia extracorpórea ou interna.

Tratamento cirúrgico

Quando os métodos endoscópicos não são eficazes ou há complicações, realiza-se cirurgia de remoção do cálculos ou mesmo coleção de vesícula em casos de litíase associada.

É importante lembrar que, a prevenção é fundamental, e mudanças no estilo de vida podem atuar como fatores de proteção.

Prevenção e Controle da CID Coledocolitíase

  • Manutenção de uma alimentação equilibrada, com menor consumo de gorduras e açúcar.
  • Controle do peso corporal através de prática de exercícios físicos.
  • Monitoramento regular em pacientes com histórico familiar ou fatores de risco.
  • Tratamento precoce de condições associadas, como hepatites e hemólise.

Perguntas Frequentes

1. Quais são os principais sintomas da coledocolitíase?

Os sintomas mais comuns incluem dor no quadrante superior direito, icterícia, fezes claras, urina escura, náuseas e vômitos. Em casos mais graves, pode ocorrer febre, calafrios e sinais de sepse.

2. Como é feito o diagnóstico da coledocolitíase?

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais (bilirrubina, fosfatase alcalina, GGT) e exames de imagem, como ultrassonografia e CPRE. A endoscopia é fundamental tanto para diagnóstico quanto para tratamento.

3. Quais são os tratamentos disponíveis?

O tratamento mais eficaz costuma ser realizado por meio de CPRE, que remove os cálculos do ducto biliar. Em casos mais complexos, pode ser necessária cirurgia. Mudanças de estilo de vida e acompanhamento médico são essenciais para prevenção.

4. A coledocolitíase pode voltar após o tratamento?

Sim, especialmente se fatores predisponentes persistirem. Portanto, acompanhamento regular e mudanças no estilo de vida são importantes para evitar novas formações de cálculos.

Conclusão

A CID coledocolitíase é uma condição que exige atenção especializada e intervenção rápida para evitar complicações graves, como inflamação, infecção ou insuficiência hepática. O diagnóstico precoce, associado a tratamentos adequados e mudanças no estilo de vida, garante melhores prognósticos e qualidade de vida aos pacientes. A integração entre pacientes e profissionais de saúde é fundamental para o controle e prevenção dessa condição.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Hepatologia. Guia de manejo da litíase biliar. Disponível em: https://www.sbhepatologia.org.br

  2. World Gastroenterology Organisation. Guidelines on the management of biliary tract stones. Disponível em: https://www.worldgastroenterology.org

  3. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para doenças do sistema hepatobiliar. Brasil, 2020.

  4. Silva, M. L. et al. Doença biliar e cálculos: manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento. Revista de Gastroenterologia, v. 12, n. 3, p. 150-165, 2022.

Palavras-chave

CID Coledocolitíase, cálculo biliar, ducto colédoco, sintomas de coledocolitíase, tratamento de cálculos biliares, diagnóstico de litíase biliar, cirurgia, endoscopia, prevenção de cálculos biliares.