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Cid Choque Séptico de Foco Pulmonar: Orientações e Procedimentos

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O choque séptico de foco pulmonar é uma condição médica grave que representa uma emergência hospitalar. Caracteriza-se pela resposta sistêmica exacerbada do organismo à infecção pulmonar, levando à hipotensão persistente, disfunção de múltiplos órgãos e risco de óbito. Compreender seus mecanismos, sinais, prevenção e tratamento é fundamental para profissionais de saúde e familiares de pacientes. Este artigo aborda de forma detalhada o CID (Código Internacional de Doenças) relacionado ao choque séptico de foco pulmonar, suas causas, diagnóstico, manejo clínico e estratégias de prevenção.

O que é o choque séptico de foco pulmonar?

O choque séptico de foco pulmonar é uma manifestação clínica de uma sepse originada de uma infecção pulmonar severa, como pneumonia bacteriana, viral ou micobacteriana. Quando não tratada precocemente, essa condição evolui para uma disfunção circulatória grave, resultando em hipotensão persistente, má perfusão tecidual e falência de múltiplos órgãos.

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Definição segundo o CID

O CID (Código Internacional de Doenças) que corresponde ao choque séptico de foco pulmonar, geralmente, é o CID-10: A41.9 - Sepsis, não especificada. Quando se especifica o foco, utiliza-se códigos complementares, como:

Código CID-10Descrição
J15.9Pneumonia, bactérias não especificadas
J80Síndrome do desconforto respiratório adulto (SDRA)
A41.9Sepsis, não especificada

Entretanto, para a condição de choque séptico, usa-se o código A41.9 como classificação geral, podendo ser complementado com o foco pulmonar.

Causas do choque séptico de foco pulmonar

A principal causa do choque séptico de foco pulmonar é uma infecção pulmonar grave que evolui para sepse, envolvendo agentes como:

  • Bactérias: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Staphylococcus aureus, entre outros.
  • Vírus: Influenza, COVID-19 (SARS-CoV-2).
  • Micobactérias: Mycobacterium tuberculosis.

A seguir, uma tabela sintetiza as principais manifestações clínicas e fatores de risco.

Fatores de riscoManifestações clínicasDiagnóstico diferencial
IdososFebre alta, taquicardia, confusãoInfarto, insuficiência cardíaca
ImunossupressãoDispneia, tosse produtiva, calafriosAsma, bronquite crônica
Toxicidade por medicamentosEstado de confusão, hipotensão, sudoreseIntoxicação, hipertensão grave
Pacientes com doenças crônicasDificuldade respiratória, fadiga, febre moderadaInsuficiência renal, congestão pulmonar

Diagnóstico do CID choque séptico de foco pulmonar

O diagnóstico precoce é fundamental e envolve uma combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e de imagem.

Avaliação clínica

  • Sinais de sepse: febre ou hipotermia, taquicardia, taquipneia, confusão mental.
  • Sinais de choque: hipotensão persistente, pallor, sudorese fria, extremidades frias.
  • Sinais respiratórios: dificuldade de respirar, cianose, taquipneia.

Exames laboratoriais

  • Hemograma completo
  • Gasometria arterial
  • Cultura de sangue, escarro ou outros materiais respiratórios
  • Exames de função hepática, renal e coagulação
  • Proteína C-reativa (PCR) e proteína de fase aguda

Exames de imagem

  • Raio-X de tórax: evidencia infiltração pulmonar, consolidamentos ou síndrome do desconforto respiratório adulto (SDRA).
  • Tomografia computadorizada (quando necessário): detalhamento de lesões pulmonares.

Manejo clínico do choque séptico de foco pulmonar

O tratamento do choque séptico de foco pulmonar exige abordagem multidisciplinar e rápida intervenção.

Medidas iniciais

  • Garantia da via aérea e respiração (oxigênio suplementar ou ventilação mecânica se necessário).
  • Reposição volêmica com soluções cristaloides de forma agressiva para estabilizar a pressão arterial.
  • Administração de antibióticos empiricos de amplo espectro após coleta de culturas.
  • Uso de vasopressores, como norepinefrina, em casos de hipotensão refratária.

Protocolos de tratamento

De acordo com o Surviving Sepsis Campaign, recomenda-se o seguinte:

PassoAçãoObjetivo
1Avaliação rápida e início de fluidoterapiaRestabelecer volume circulatório
2Coleta de hemoculturas antes do uso de antimicrobianosIdentificação do agente etiológico
3Administração de antibióticos de amplo espectroControlar infecção
4Monitoramento contínuo de sinais vitais e perfusãoDetectar alterações precocemente
5Ajuste de terapia conforme resposta clínicaOtimizar tratamento

Cuidados adicionais

  • Controle da febre
  • Suporte ventilatório avançado quando indicado
  • Monitoramento de diurese e função renal
  • Tratamento de complicações, como síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)

Tratamento de complicações

  • Insuficiência renal aguda
  • Coagulação intravascular disseminada (CID)
  • Disfunção hepática

Para uma abordagem mais detalhada, consulte o site oficial do Surviving Sepsis Campaign.

Prevenção do choque séptico de foco pulmonar

A prevenção é fundamental para evitar seu desenvolvimento. Algumas estratégias incluem:

  • Vacinação contra pneumonia pneumocócica e influenza.
  • Controle e manejo adequado de doenças crônicas.
  • Higiene respiratória e uso de máscara em ambientes de alto risco.
  • Educação sobre sinais de infecção respiratória e busca precoce por atendimento médico.
  • Uso adequado de antimicrobianos para evitar resistência bacteriana.

Perguntas frequentes

1. Qual a diferença entre sepse e choque séptico?

A sepse é uma resposta inflamatória sistêmica a uma infecção, enquanto o choque séptico é a fase mais grave, em que há disfunção circulatória que pode levar à falência de órgãos e risco de morte.

2. Como identificar sinais precoces de choque séptico?

Sinais iniciais incluem febre, taquicardia, taquipneia, confusão mental e hipotensão que não responde à reposição de fluidos.

3. É possível prevenir o choque séptico de foco pulmonar?

Sim, por meio de vacinação, tratamento adequado de infecções respiratórias, higiene e controle de doenças crônicas.

4. Quanto tempo leva para o tratamento gerar melhora?

Depende da gravidade e do momento do diagnóstico, mas intervenções precoces podem melhorar significativamente o prognóstico.

Conclusão

O CID choque séptico de foco pulmonar representa uma emergência médica que requer reconhecimento rápido, diagnóstico preciso e tratamento imediato. A compreensão de suas causas, sinais clínicos e protocolos de manejo potencializa a chance de sobrevida do paciente. A prevenção por meio de vacinação, higiene e controle de doenças é a melhor estratégia para reduzir sua incidência. Profissionais da saúde e famílias devem estar atentos aos sinais iniciais para agir prontamente, minimizando as complicações e otimizando os resultados clínicos.

Referências

  1. Rhodes A, Evans LE, Alhazzani W, et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock 2021. Intensive Care Med. 2021; 47: 1181–1247. Link externo

  2. Organização Mundial da Saúde (OMS). Prevenção de infecções respiratórias

  3. Ministério da Saúde. Protocolo de Tratamento do Sepse e Choque Séptico, versão 2022.

“O reconhecimento precoce e o tratamento adequado podem salvar vidas. A atenção às infecções pulmonares é essencial na prevenção do choque séptico.”