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Carcinoma Hepatocelular: Guia Completo sobre CID e Diagnóstico

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O carcinoma hepatocelular (CHC) é uma das formas mais agressivas de câncer de fígado e representa uma das principais causas de mortalidade relacionada ao câncer em todo o mundo. Sua complexidade no diagnóstico, fatores de risco, classificação e tratamento exige uma compreensão aprofundada para profissionais de saúde, pacientes e familiares.

Este guia completo o ajudará a entender tudo sobre o CID do carcinoma hepatocelular, os critérios diagnósticos, os métodos de investigação e as estratégias de manejo para melhorar a qualidade de vida do paciente.

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O que é o Carcinoma Hepatocelular?

O carcinoma hepatocelular, também conhecido como câncer de fígado primário, origina-se principalmente em células do fígado chamadas hepatócitos. Ele frequentemente está associado a condições crônicas do fígado, como a hepatite B, hepatite C, cirrose alcoólica e doenças metabólicas como a esteatose hepática não alcoólica.

Fatores de risco para o desenvolvimento do CHC

Fator de RiscoDescrição
Hepatite B e CInfecções virais que causam inflamação crônica do fígado.
Cirrose hepáticaCicatrização do fígado que aumenta a chance de câncer.
Consumo excessivo de álcoolContribui para a cirrose e alterações celulares.
Esteatose hepática não alcoólicaAcúmulo de gordura que pode evoluir para cirrose.
Exposição a aflatoxinasContaminação de alimentos por fungos tóxicos.
Histórico familiar de câncer de fígadoPredisposição genética ao desenvolvimento do tumor.

Classificação do Carcinoma Hepatocelular de acordo com o CID

O Código Internacional de Doenças (CID) que identifica o carcinoma hepatocelular é o C22.0. Essa classificação é importante para estatísticas, registros médicos e pesquisa clínica.

CID (Classificação Internacional de Doenças) para o CHC

Código CIDDescrição
C22.0Carcinoma hepatocelular (hepatocarcinoma)

Diagnóstico do Carcinoma Hepatocelular

A determinação do diagnóstico do CHC é multifatorial, incluindo história clínica, exames laboratoriais, métodos de imagem e, em alguns casos, biópsia.

1. Anamnese e exame clínico

Identificar fatores de risco, sinais de insuficiência hepática, massa abdominal ou sinais de hematomas, além de sintomas como dor, perda de peso e fadiga.

2. Exames laboratoriais

  • Teste de função hepática: avaliar bilirrubinas, AST, ALT, ALP, albumina e tempo de protrombina.
  • Marcadores tumorais: principalmente alfa-fetoproteína (AFP). Valores elevados podem indicar CHC.

3. Métodos de imagem

a) Ultrassonografia abdominal

Primeiro método de rastreamento e investigação. Pode detectar nódulos liverares suspeitos.

b) Tomografia Computadorizada (TC)

Permite avaliação detalhada, definição da extensão do tumor e características de vascularização.

c) Ressonância Magnética (RM)

Utilizada para complementar a TC, especialmente em casos complexos ou suspeitas de invasão vascular.

4. Biópsia hepática

Considerada o método definitivo para confirmação, especialmente quando os exames de imagem não são conclusivos ou para caracterização histológica.

Critérios de Diagnóstico Não-Invasivos e Invasivos

CritériosDetalhes
Diagnóstico não-invasivoLesão hepática sólida, vascularizada, em paciente com cirrose e AFP elevada ou lesão com características típicas na imagem.
Diagnóstico invasivoBiópsia que revela células neoplásicas compatíveis com CHC.

Estadiamento e Classificação do Carcinoma Hepatocelular

Avaliar a extensão do tumor é fundamental para determinar as opções de tratamento. Os sistemas de estadiamento mais utilizados incluem a classificação de Breslow e o sistema de Barcelona Clinic Liver Cancer (BCLC).

Sistema BCLC

EstágioCaracterísticasOpções de Tratamento
Estágio 0 (Muito early)Nódulo único, bem diferenciado, cirrose compensated.Cirurgia, ablação percutânea.
Estágio ANódulos múltiplos, sem invasão vascular ou metástases.Cirurgia, ablação, TACE.
Estágio BInvasão vascular ou número elevado de nódulos.Quimioembolização (TACE), terapia sistêmica.
Estágio CPresença de invasão vascular ou metastases distantes.Terapia sistêmica, suporte.
Estágio DDoença avançada com insuficiência hepática avançada.Cuidados paliativos.

Tratamento do Carcinoma Hepatocelular

As estratégias terapêuticas variam de acordo com o estágio da doença, função hepática e condições clínicas do paciente.

Opções de tratamento padrão

Opção de TratamentoIndicaçãoDescrição
Cirurgia de hepatectomiaTumores ressecáveis sem cirrose avançada.Remoção cirúrgica do nódulo ou segmento afetado.
Ablação percutânea (radiofrequência ou crioterapia)Pequenos tumores acessíveis.Queima do tumor por ondas de calor ou frio.
Embolização transarterial (TACE)Tumores potencialmente resecáveis ou irresecáveis.Bloqueio do fluxo sanguíneo ao tumor.
Terapia sistêmica (Sorafenibe, Lenvatinibe)Doença avançada ou metastática.Medicamentos que inibem a vascularização tumoral.
Cuidados paliativosEstagio avançado com risco de vida.Controle dos sintomas e melhoria da qualidade de vida.

Prevenção e Rastreamento

A detecção precoce do CHC aumenta significativamente as chances de tratamento curativo. Recomenda-se monitoramento intensivo em pacientes com fatores de risco, especialmente aqueles com cirrose.

Medidas preventivas principais

  • Vacinação contra hepatite B.
  • Tratamento efetivo da hepatite C.
  • Controle do consumo de álcool.
  • Cuidado na ingestão de alimentos contaminados por aflatoxinas.
  • Controle do peso e tratamento de doenças metabólicas.

Rastreamento recomendado

População-alvoFrequência
Pacientes com cirrose hepáticaUltrassom abdominal a cada 6 meses, com dosagem de AFP.
Pacientes com história de hepatite B ou CRastreamento semelhante, dependendo da avaliação clínica.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Como o carcinoma hepatocelular é diagnosticado?

Ele é detectado através de exames de imagem como ultrassom, TC ou RM, além de testes laboratoriais como AFP. Em alguns casos, é necessária a biópsia para confirmação.

2. Quais são os principais sintomas do CHC?

No início, costuma ser assintomático. Quando há sintomas, podem incluir dor abdominal, perda de peso, fraqueza, ascite e icterícia.

3. Existe cura para o carcinoma hepatocelular?

Sim, em fases iniciais, cirurgias e terapias locais podem levar à cura. No entanto, doenças avançadas geralmente apresentam opções paliativas ou sistêmicas.

4. Qual a importância do acompanhamento em pacientes com fatores de risco?

O monitoramento precoce permite detectar o câncer em fase inicial, aumentando as chances de tratamento curativo.

Conclusão

O carcinoma hepatocelular representa um desafio clínico devido à sua agressividade e complexidade diagnóstica. Através do conhecimento do CID (C22.0), técnicas de diagnóstico modernas e estratégias de tratamento individualizadas, é possível oferecer melhores resultados aos pacientes. A prevenção e o rastreamento em populações de risco são essenciais para reduzir a incidência e melhorar as taxas de cura.

Lembre-se, a detecção precoce salva vidas. A parceria entre profissionais de saúde, pacientes e familiares é fundamental para o combate a esse câncer.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). 2023.
  2. Silva, T. et al. Carcinoma hepatocelular: aspectos diagnósticos e clínicos. Revista Brasileira de Hepatologia, 2022.
  3. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de fígado (primário). Disponível em: https://www.inca.gov.br/assuntos/cancer-de-fígado
  4. European Association for the Study of the Liver (EASL). Clinical Practice Guidelines: Management of hepatocellular carcinoma. Journal of Hepatology, 2018.

Nota: sempre consulte um profissional de saúde qualificado para avaliação e tratamento de condições médicas.