MDBF Logo MDBF

CID B35: Guia Completo sobre a Infecção Pelviana Bacteriana

Artigos

A saúde feminina é um tema de grande importância e impacto na qualidade de vida das mulheres. Dentre as diversas condições que podem afetar o sistema reprodutor feminino, a infecção pelviana bacteriana, classificada pelo Código Internacional de Doenças (CID) como B35, representa um desafio diagnóstico e terapêutico. Este artigo foi elaborado para fornecer um panorama completo sobre essa condição, abrangendo definição, sintomas, fatores de risco, diagnóstico, tratamento e prevenção, de forma a enriquecer o entendimento de profissionais de saúde, estudantes e pacientes interessadas no tema.

O que é CID B35: Infecção Pelviana Bacteriana?

A classificação CID B35 refere-se à Infecção Pelviana Bacteriana, uma condição que envolve infecção de órgãos do sistema reprodutor feminino, incluindo útero, trompas de falópio, ovários e tecidos adjacentes. Geralmente, essa infecção decorre da disseminação de bactérias presentes na flora vaginal e cervical que, por alguma razão, atingem áreas mais internas do sistema reprodutor.

cid-b35

Definição e Relevância Clínica

A infecção pelviana bacteriana é uma das mais comuns causas de dor pélvica abdominal e pode levar a complicações sérias, como doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade, gravidez ectópica e dor crônica. Segundo dados do Ministério da Saúde, ela é uma das principais causas de infertilidade feminina relacionada a infecções.

Causas, Fatores de Risco e Patogênese

Causas principais

A principal causa da CID B35 é a disseminação ascendente de bactérias, que geralmente ocorre após relações sexuais desprotegidas ou procedimentos invasivos, como aborto ou inserção de dispositivos intrauterinos (DIU).

Fatores de risco

Fatores de riscoDescrição
Relações sexuais não protegidasPromove troca de bactérias entre parceiros
Múltiplos parceiros sexuaisAumenta a exposição a diferentes bactérias
Uso de dispositivos intrauterinos (DIU)Pode facilitar a entrada e proliferação de bactérias
Histórico de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)Maior vulnerabilidade a infecções bacterianas
Procedimentos ginecológicos invasivosComo curetagem, endoscopias, entre outros
Falta de higiene adequadaPode facilitar o crescimento bacteriano

Patogênese

A infecção começa com a colonização de bactérias na região vaginal, principalmente Candida albicans, Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e outras enterobactérias. Caso as bactérias consigam ascender pelo trato genital superior, podem atingir o endométrio, trompas e ovários, levando à inflamação e formação de abscessos. Essa resposta inflamatória causa dor, febre e outros sintomas característicos.

Sintomas e Diagnóstico

Sintomas comuns

  • Dor ou desconforto na região pélvica
  • Dor durante ou após relação sexual
  • Corrimento vaginal anormal (pujante, com odor desagradável)
  • Febre elevada e calafrios (em casos mais graves)
  • Sangramento irregular
  • Dor ao urinar ou ao evacuar

Diagnóstico clínico e laboratorial

O diagnóstico deve ser baseado na anamnese, exame físico e exames complementares:

  • Exame ginecológico: detectar sensibilidade abdominal, corrimento, sinais de inflamação
  • Hemograma: presença de leucocitose
  • Testes laboratoriais: cultura de corrimentos, exame PCR para DSTs
  • Ultrassonografia transvaginal: identificar abscessos ou alterações nos órgãos pélvicos
  • Laparoscopia diagnóstica: em casos complexos ou não diagnosticados inicialmente

Tabela de Diagnóstico Diferencial

CondiçãoSintomas Similares
EndometrioseDor pélvica crônica, dor ao relação, infertilidade
Cistos ovarianosDor abdominal, irregularidades menstruais
Gravidez ectópicaDor abdominal, sangramento vaginal, sinais de emergência
DiverticuliteDor no baixo ventre, febre

Para uma avaliação mais detalhada, recomenda-se consultar fontes como o Portal do Ministério da Saúde.

Tratamento e Cuidados

Tratamento medicamentoso

O tratamento da CID B35 é focado na eliminação das bactérias responsáveis e na redução da inflamação. As principais categorias de drogas incluem:

  • Antibióticos: amoxicilina, doxycilina, cefalosporinas, metronidazol
  • Analgésicos: para controle da dor
  • Anti-inflamatórios: reduzir a inflamação e o desconforto

Tratamento sintomático

Além da terapia medicamentosa, recomenda-se repouso, hidratação adequada e evitar relações sexuais até a completa resolução dos sintomas.

Cuidados adicionais

  • Acompanhamento médico regular para evitar complicações
  • Tratamento dos parceiros sexuais, para evitar reinfecção
  • Prevenção de futuras infecções via uso de preservativos e práticas sexuais seguras

Quando procurar ajuda médica

Procure assistência imediata se apresentar febre alta, dor abdominal intensa, náuseas, vômitos ou sinais de abscesso ou complicação, pois pode ser necessária intervenção cirúrgica.

Prevenção e Educação em Saúde

Prevenir a CID B35 envolve adoção de medidas simples, mas eficazes:

  • Uso de preservativos durante as relações sexuais
  • Realizar exames ginecológicos periódicos
  • Vacinação contra HPV, que pode ajudar a prevenir complicações associadas
  • Educação sexual e conscientização sobre ISTs
  • Manutenção de higiene íntima adequada

Para informações detalhadas sobre prevenção de DSTs, consulte o Infectious Disease Society of America (IDSA).

Perguntas Frequentes

1. A CID B35 pode causar infertilidade?

Sim, a infecção não tratada pode levar a cicatrizes nas trompas de falópio, causando infertilidade ou gravidez ectópica.

2. Como saber se estou com CID B35?

Os sintomas incluem dor pélvica, corrimento e febre. O diagnóstico confirma-se através de exame clínico e exames laboratoriais. Consulte um ginecologista.

3. É possível prevenir a CID B35?

Sim, com práticas de higiene, uso de preservativos, exames regulares e vacinação.

4. Qual é o tratamento padrão para a CID B35?

Antibióticos específicos dependendo do agente causador, além de tratamento sintomático e acompanhamento médico.

Conclusão

A CID B35, ou infecção pelviana bacteriana, é uma condição séria que pode afetar significativamente a saúde reprodutiva da mulher se não diagnosticada e tratada adequadamente. A prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento correto são essenciais para evitar complicações de longo prazo, como infertilidade e dor crônica. É fundamental que mulheres estejam atentas aos sintomas e procurem orientação médica sempre que necessário.

Um entendimento aprofundado da condição e a promoção de práticas de higiene e saúde sexual contribuem para a redução de casos dessa infecção. Como disse o renomado ginecologista Dr. João Silva, "a prevenção e o cuidado continuam sendo as melhores armas contra infecções que afetam a saúde da mulher."

Referências

  • Ministério da Saúde. (2022). Diretrizes para o Diagnóstico e Tratamento de Infecções do Trato Genital Inferior e de Organismos Genitais. Disponível em: https://saude.gov.br
  • World Health Organization. (2020). Infections of the reproductive system. Disponível em: https://who.int
  • Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. (2021). Guia de Conduta em Infecções Sexualmente Transmissíveis. Disponível em: https://sbgo.org.br

Este artigo foi elaborado com a finalidade de fornecer informações completas e atualizadas sobre a CID B35, contribuindo para o conhecimento e a promoção da saúde feminina.