CID B18.2: Diagnóstico e Tratamento da Hepatite Crônica B
A hepatite B é uma infecção viral que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, podendo evoluir para formas crônicas e levar a complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. Dentro do sistema de classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o código CID B18.2 refere-se especificamente à "Hepatite crônica B". Este artigo visa oferecer uma compreensão detalhada sobre o diagnóstico, tratamento, fatos importantes e dúvidas frequentes relacionados à hepatite B crônica.
Introdução
A hepatite B é causada pelo vírus da hepatite B (VHB) e é transmitida principalmente por contato com sangue e fluidos corporais infectados. Quando a infecção persiste por mais de seis meses, ela é classificada como hepatite B crônica, representando um desafio para profissionais de saúde e pacientes devido ao risco de desenvolver complicações severas. A classificação CID B18.2 é fundamental para identificar, registrar e tratar de forma eficiente esses casos.

O que é a hepatite B crônica (CID B18.2)?
A hepatite B crônica é uma condição na qual o vírus permanece no organismo por longos períodos, levando a uma inflamação contínua do fígado. Essa inflamação pode causar danos às células hepáticas, levando a cicatrizes (fibrose), cirrose e aumento do risco de carcinoma hepatocelular.
Causas e transmissão
O vírus da hepatite B é altamente contagioso e pode ser transmitido por:
- Relações sexuais sem proteção
- Uso compartilhado de seringas
- Transfusão de sangue contaminado
- De mãe para filho durante o parto
Sintomas comuns
Muitas pessoas com hepatite B crônica permanecem assintomáticas por anos, contudo, alguns sinais podem surgir, como:
- Fadiga
- Icterícia (coloração amarelada da pele e olhos)
- Dor abdominal
- Urina escura
- Perda de apetite
Diagnóstico da hepatite B crônica
O diagnóstico é baseado em exames laboratoriais específicos que identificam a presença do vírus e avaliam o estado do fígado.
Exames laboratoriais essenciais
| Exame | Descrição | Objetivo |
|---|---|---|
| HBsAg | Antígeno de superfície do vírus da hepatite B | Detectar presença do vírus |
| Anti-HBc (total) | Anticorpos contra o núcleo do vírus | Confirmar infecção passada ou presente |
| DNA do VHB | Quantificação do vírus no sangue | Avaliar carga viral |
| AST e ALT | Enzimas hepáticas | Avaliar o estado de inflamação |
| FibroTest / Elastografia | Avaliação não invasiva de fibrose hepática | Avaliar dano no fígado |
| Biópsia hepática (quando indicada) | Remoção de uma pequena parte do fígado para análise | Confirmar grau de fibrosis e inflamação |
Importância do acompanhamento médico
O acompanhamento periódico com hepatologista é fundamental para monitorar a progressão da doença, ajustar o tratamento e prevenir complicações.
Tratamento da hepatite B crônica (CID B18.2)
O tratamento visa controlar a replicação viral, reduzir a inflamação no fígado e prevenir a progressão para cirrose ou câncer de fígado.
Opções de tratamento disponíveis
Medicamentos antivirais
- Tenofovir disoproxil fumarato
- Entacavir
- Pegiladainterferona alfa
Esses medicamentos ajudam a suprimir o vírus, diminuindo sua carga viral e reduzindo o risco de complicações.
Terapia de suporte
- Alimentação equilibrada
- Evitar consumo de álcool
- Controle de fatores de risco para doenças hepáticas
Tabela: Resumo das opções de tratamento para hepatite B crônica
| Tratamento | Vantagens | Considerações |
|---|---|---|
| Tenofovir e Entecavir | Alta eficácia na supressão viral | Monitoramento renal necessário |
| Pegilada interferona alfa | Pode induzir cura em alguns casos | Efeitos colaterais como fadiga e febre |
| Monitoramento periódico | Avaliação contínua do fígado | Essencial em casos inativos |
Prevenção da hepatite B
A principal estratégia de prevenção é a vacinação, que é altamente eficaz e recomendada para todas as faixas etárias, especialmente para grupos de risco.
Medidas adicionais
- Uso de preservativos
- Evitar compartilhamento de agulhas
- Testar e tratar gestantes infectadas para prevenir transmissão ao recém-nascido
Para mais informações sobre vacinação, consulte o site Ministério da Saúde.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. A hepatite B crônica é curável?
Nem sempre. Embora o tratamento possa controlar a infecção e prevenir complicações, a cura completa ocorre em alguns casos, especialmente com terapias atuais. A maioria dos pacientes precisa de acompanhamento contínuo.
2. Quem deve fazer exames de hepatite B?
Indivíduos com risco aumentado, como profissionais de saúde, pessoas que vivem em regiões endêmicas, usuários de drogas, pessoas com relações sexuais sem proteção e gestantes.
3. Como saber se tenho hepatite B crônica?
Através de exames laboratoriais específicos, como o HBsAg e a carga viral (DNA do VHB). Consulte um hepatologista para avaliação adequada.
4. Posso fazer atividades físicas durante o tratamento?
Sim, atividades físicas leves a moderadas são recomendadas, desde que o paciente esteja sob acompanhamento médico e não apresente contraindicações específicas.
Conclusão
A hepatite B crônica, representada pelo CID B18.2, é uma condição que, se não tratada corretamente, pode evoluir para complicações graves. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem controlar a doença, melhorar a qualidade de vida e evitar a progressão para cirrose ou câncer de fígado. A vacinação e as medidas preventivas continuam sendo as ferramentas mais eficazes para reduzir a incidência da hepatite B.
É fundamental que os indivíduos em risco realizem exames periódicos e mantenham uma rotina de acompanhamento com profissionais especializados.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Hepatite B. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/hepatitis-b
- Ministério da Saúde. Hepatites Virais. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-z/hepatites-virais
- Oliveira, R. et al. (2020). Guia de Diagnóstico e Tratamento da Hepatite B. Revista Brasileira de Hepatologia.
Considerações finais
A compreensão da CID B18.2 e suas implicações é essencial para o manejo adequado da hepatite B crônica. Com avanços na medicina, tratamentos mais eficazes estão disponíveis, melhorando significativamente o prognóstico dos pacientes. A combinação de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento contínuo constitui a melhor estratégia para combater essa doença e promover a saúde hepática no Brasil e no mundo.
"A prevenção é sempre o melhor remédio."
MDBF