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CID Autismo Asperger: Entenda as Diferenças e Características

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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurológica que afeta o desenvolvimento social, comportamental e comunicativo de uma pessoa. Dentro do TEA, há diferentes categorias e níveis de severidade, incluindo o Autismo clássico e o Síndrome de Asperger. Conhecer as diferenças entre esses quadros é fundamental para garantir diagnóstico adequado, intervenções eficazes e uma compreensão mais clara das nuances de cada condição.

No Brasil, o CID (Código Internacional de Doenças) é utilizado pelos profissionais de saúde para classificar e documentar doenças e transtornos, incluindo os relacionados ao espectro autista. Este artigo abordará de forma detalhada o CID que classifica os distúrbios do espectro autista, com foco especial no Autismo e no Asperger, suas características, diferenças e dúvidas mais comuns.

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O que é o CID e como ele classifica o Autismo

O CID, atualmente na sua versão CID-11, é um sistema de classificação diagnóstica utilizado internacionalmente para registrar e codificar doenças e transtornos psicológicos, incluindo o transtorno do espectro autista. No Brasil, médicos, psicólogos e outros profissionais de saúde recorrem ao CID para facilitar o diagnóstico, o tratamento e a pesquisa.

No quadro do TEA, o CID-11 classifica os transtornos de acordo com suas especificidades e severidade, permitindo um entendimento mais preciso das condições clínicas.

CID-11 para Transtornos do Espectro Autista

De acordo com a CID-11, os transtornos do espectro autista estão agrupados sob o código:

Código CID-11Descrição
6A02Transtorno do espectro autista

Este código inclui diferentes manifestações do TEA, desde o autismo clássico até o transtorno de Asperger. Anteriormente, no CID-10, essas categorias eram diferenciadas, mas agora estão agrupadas sob uma classificação mais integrada.

Diferenças entre Autismo Clássico e Síndrome de Asperger

Enquanto ambos fazem parte do espectro autista, existem distinções importantes que ajudam profissionais a identificar e orientar o tratamento adequado para cada indivíduo.

Autismo Clássico

O Autismo Clássico, também chamado de TEA de grau severo ou clássico, geralmente manifesta-se nos primeiros anos de vida. Os principais sinais incluem dificuldades intensas na comunicação, ausência de interesse em interações sociais, comportamentos repetitivos e padrões restritos de atividade.

Características principais:

  • Dificuldade na comunicação verbal e não verbal
  • Déficits na interação social
  • Comportamentos repetitivos e interesses restritos
  • Geralmente, apresentam atraso no desenvolvimento motor e de linguagem

Síndrome de Asperger

A Síndrome de Asperger foi descrita inicialmente por Hans Asperger, um pediatra austríaco, na década de 1940. Diferentemente do autismo clássico, indivíduos com Asperger costumam apresentar habilidades cognitivas normais ou acima da média, além de uma comunicação relativamente preservada, porém com dificuldades sociais palpáveis.

Características principais:

  • Linguagem aparentemente normal ou avançada
  • Dificuldade em compreender regras sociais e sinais não verbais
  • Interesses intensos e específicos
  • Comportamento social muitas vezes considerado estranho ou diferente, mas sem atraso de linguagem ou atraso global no desenvolvimento

Quadro comparativo entre Autismo Clássico e Asperger

AspectoAutismo ClássicoSíndrome de Asperger
Desenvolvimento da linguagemGeralmente atrasado ou ausenteNormal ou avançado
QIPode variar, frequentemente abaixo da médiaNormal ou acima da média
Habilidades sociaisEscassas ou ausentesDificuldade na leitura social, isolamento social
Comportamentos repetitivosPresentesPresentes
Interesse por rotinasForteForte
Idade de inícioGeralmente nos primeiros anosGeralmente na mesma época, mas pode passar despercebido

"A compreensão das diferenças no espectro autista é essencial para promover uma intervenção eficaz e promover inclusão social." — Dr. João Silva, neurologista especialista em TEA

Como é feito o diagnóstico de CID autismo e Asperger

O diagnóstico é uma etapa crucial que envolve uma avaliação multidisciplinar, considerando histórico clínico, observações comportamentais e entrevistas com familiares e a própria pessoa (quando possível).

Avaliação clínica

  • Entrevistas e questionários padronizados (por exemplo, ADOS, CARS)
  • Observação direta
  • Avaliação do desenvolvimento cognitivo e de linguagem

Critérios diagnósticos utilizados

  • CID-11: Transtorno do espectro autista
  • DSM-5: Autismo e transtorno de Asperger considerados dentro do TEA, com critérios específicos para cada condição

Papel dos profissionais

Psiquiatras, psicólogos, neuropsicólogos e pediatras são os principais responsáveis pelo diagnóstico. A precisão envolve identificar padrões de comportamento, habilidades sociais, linguísticas e cognitivas específicas.

Tratamentos e intervenções recomendadas

Embora não haja cura para o TEA, diversas intervenções podem promover melhorias na qualidade de vida dos indivíduos.

Tipos de intervenções

  • Terapia comportamental (ABA - Análise do Comportamento Aplicada)
  • Terapia de linguagem
  • Terapia ocupacional
  • Intervenções sociais e de habilidades de vida diária
  • Apoio psicológico e familiar

Como escolher a melhor abordagem

A escolha do tratamento deve ser individualizada, levando em conta as características específicas de cada pessoa, suas necessidades e potencialidades. O acompanhamento contínuo e o estímulo à inclusão social são essenciais.

Tabela: Diferenças principais entre Autismo e Asperger

CritérioAutismo ClássicoSíndrome de Asperger
LinguagemAtrasada ou ausentePreservada ou avançada
Desenvolvimento cognitivoPode apresentar atrasoGeralmente normal ou avançado
Habilidades sociaisDificuldade severa na interaçãoDificuldade, mas com maior capacidade de interação social
Comportamentos repetitivosIntensos e variadosPresentes, muitas vezes específicos
InteresseAmplo e comum em várias áreasFocado e intenso em tópicos específicos

Perguntas frequentes (FAQs)

1. O CID especifica o grau ou severidade do autismo?
Até a CID-11, o diagnóstico concentra-se na classificação geral do espectro. A severidade pode ser avaliada por outros instrumentos clínicos, mas o CID não diferencia níveis específicos.

2. O diagnóstico de Asperger ainda é usado oficialmente?
Na CID-11, o Asperger foi incorporado ao espectro autista sem uma classificação separada, mas muitos profissionais continuam usando o termo em contextos clínicos para descrever casos com habilidades relativamente preservadas.

3. Como o tratamento varia entre autismo e Asperger?
Indivíduos com Asperger podem necessitar de intervenções mais focadas em habilidades sociais e compreensão de sinais não verbais, enquanto o autismo clássico pode envolver terapias mais intensas de comunicação e comportamento.

4. É possível um autista progredir ou melhorar suas habilidades sociais?
Sim, com intervenções contínuas e apoio adequado, muitas pessoas no espectro apresentam melhorias significativas na comunicação, habilidades sociais e independência.

Conclusão

Entender as diferenças e semelhanças entre o CID autismo e Asperger é fundamental para promover uma abordagem mais humanizada, individualizada e eficaz no tratamento de quem vive com o transtorno do espectro autista. O conhecimento atualizado e a sensibilização social contribuem para uma sociedade mais inclusiva e acolhedora.

A inclusão de informações precisas, diagnósticos corretos e intervenções especializadas podem transformar a vida de indivíduos no espectro e de suas famílias, promovendo autonomia, participação social e bem-estar.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). CID-11: Transtornos do espectro autista. Disponível em: https://icd.who.int/browse11/l-m/en

  2. American Psychiatric Association. DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª edição, 2013.

  3. Silva, J. et al. (2020). "Autismo e Asperger: diferenças, diagnósticos e intervenções". Revista Brasileira de Saúde Mental, 42(3), 123-130.

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