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CID-11 TDAH: Entenda o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurodesenvolvimental que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo, desde crianças até adultos. Compreender esse transtorno é fundamental para promover diagnósticos precoces, tratamentos eficazes e uma melhor qualidade de vida para os indivíduos afetados. Com a adoção do CID-11 (Classificação Internacional de Doenças, 11ª edição), os critérios diagnósticos e as definições relacionadas ao TDAH foram atualizados, facilitando uma abordagem mais precisa e moderna.

Neste artigo, exploraremos o CID-11 em relação ao TDAH, abordando definições, critérios diagnósticos, diferenças em relação ao CID-10, tratamentos disponíveis, mitos e verdades, além de responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.

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O que é o CID-11 e sua relação com o TDAH?

O que é o CID-11?

O CID-11 é a versão mais recente da Classificação Internacional de Doenças, publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa classificação é utilizada mundialmente para padronizar diagnósticos médicos, epidemiológicos e estatísticos relacionados à saúde.

Lançada oficialmente em 2022, a atualização do CID trouxe diversas mudanças nas categorias de doenças, incluindo uma definição atualizada e mais precisa do TDAH, alinhada às pesquisas científicas mais recentes.

Como o CID-11 define o TDAH?

Diferentemente do CID-10, que classifica o TDAH como “Transtorno de hiperatividade com déficit de atenção”, o CID-11 apresenta uma descrição mais detalhada, reconhecendo o TDAH como um transtorno neurodesenvolvimento com múltiplas manifestações, podendo variar de leve a grave.

De acordo com o CID-11, o TDAH é caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere na função ou desenvolvimento. Essa definição amplia a compreensão do transtorno, levando em consideração diferentes apresentações clínicas.

Diferenças entre CID-10 e CID-11 no diagnóstico do TDAH

AspectoCID-10CID-11
Nome da classificaçãoTranstorno hiperativo com déficit de atençãoTranstorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
Número de categoriasCategorias distintas para hiperatividade e TDAHPode ser classificado como transtorno neurodesenvolvimento com sintomas variados
Enfoque na apresentação clínicaSeparação entre hiperatividade e desatençãoReconhecimento de manifestações variadas na mesma condição
Critérios diagnósticosMenor detalhamentoCritérios mais detalhados e atualizados, com uso de escala de gravidade

Para compreender melhor, confira a página oficial da OMS sobre o CID-11 e como ele aprimora os critérios diagnósticos do TDAH.

Sintomas do TDAH segundo o CID-11

Sintomas de desatenção

  • Dificuldade em manter o foco em tarefas ou atividades
  • Comete erros por descuido nas atividades escolares ou profissionais
  • Parece não ouvir quando falado diretamente
  • Perde objetos necessários para tarefas ou atividades
  • Esquecer-se de realizar tarefas diárias

Sintomas de hiperatividade e impulsividade

  • Inquietação, como mexer as mãos ou os pés
  • Dificuldade em permanecer sentado por longos períodos
  • Sensação de inquietação constante
  • Falar excessivamente
  • Interromper ou se intrometer em conversas ou jogos

"O TDAH não é apenas uma condição da infância; muitos adultos convivem com o transtorno e enfrentam desafios similares", destaca o especialista em neurodesenvolvimento Dr. Carlos Silva.

Diagnóstico do TDAH no âmbito do CID-11

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do TDAH segundo o CID-11 deve ser realizado por profissionais de saúde qualificados, como psiquiatras, neurologistas ou psicólogos clínicos, com base em critérios específicos, história clínica detalhada e observação do comportamento.

Critérios diagnósticos principais segundo o CID-11

  • Presença de sinais de desatenção e/ou hiperatividade/impulsividade por pelo menos 6 meses
  • Manifestação de sintomas desde a infância (mesmo que não reconhecidos na época)
  • Os sintomas causam prejuízo significativo na vida social, escolar ou profissional
  • Os sintomas não podem ser explicados por outros transtornos ou condições médicas

Para facilitar o entendimento, confira a tabela de critérios diagnósticos do CID-11.

Tratamentos para o TDAH

Abordagens farmacológicas

Os medicamentos estimulantes, como o metilfenidato e as anfetaminas, são frequentemente utilizados na gestão clínica do TDAH, ajudando a melhorar a atenção, controlar a impulsividade e reduzir a hiperatividade.

Terapias não farmacológicas

  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
  • Intervenções psicológicas para desenvolver habilidades sociais
  • Orientação e suporte escolar
  • Treinamentos de pais e familiares

Estilo de vida e estratégias de manejo

Adotar rotinas, estabelecer limites claros, usar agendas e lembretes, além de manter uma alimentação equilibrada e prática regular de exercícios, são estratégias eficazes para o manejo do TDAH.

Referências externas para mais informações

Para aprofundar-se na temática, acesse os links abaixo:- Associação Brasileira do TDAH (ABDA)- Organização Mundial da Saúde - CID-11

Mitos e verdades sobre o TDAH

MitoVerdade
O TDAH é causado por má criação ou faltas de disciplinaNão, é uma condição neurobiológica com fatores genéticos e neurológicos.
Adultos não podem ter TDAHFalso, o transtorno pode persistir na vida adulta.
Medicamentos solucionam o problema imediatamenteOs medicamentos ajudam, mas precisam de acompanhamento e uso contínuo.
Crianças com TDAH não querem obedecer ou fazer bagunçaSão sintomas neurológicos, não uma questão de vontade ou má conduta.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. O que causa o TDAH?

Acredita-se que fatores genéticos, neurológicos e ambientais estejam relacionados à causa do TDAH. Estudos indicam uma forte componente hereditária, além de alterações em regiões cerebrais envolvidas na atenção e controle dos impulsos.

2. O TDAH pode ser prevenido?

Não há uma forma conhecida de prevenir o TDAH, mas o diagnóstico precoce e um tratamento adequado podem minimizar os impactos na vida do indivíduo.

3. Como saber se meu filho tem TDAH?

Se perceber sintomas persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade, consulte um profissional de saúde para avaliação especializada. O diagnóstico precisa ser realizado por um especialista qualificado.

4. O TDAH é apenas uma fase?

Não. Embora alguns sintomas possam diminuir com a idade, o TDAH é um transtorno neurodesenvolvimento que geralmente requer manejo ao longo da vida.

5. O TDAH tem cura?

Não há cura definitiva, mas há tratamentos eficazes que controlam os sintomas, permitindo uma vida plena e produtiva.

Conclusão

O entendimento do CID-11 sobre o TDAH representa um avanço importante na classificação e diagnóstico do transtorno. Com uma definição mais clara, critérios mais precisos e reconhecimento da diversidade de manifestações, profissionais de saúde podem oferecer tratamentos mais eficazes e personalizados.

O TDAH é uma condição complexa, mas com a combinação de medicamentos, terapias, estratégias de manejo e suporte adequado, as pessoas podem aprender a conviver com os sintomas e alcançar seu potencial máximo. A conscientização e educação contínua são essenciais para combater preconceitos e oferecer um ambiente mais comprensivo e inclusivo.

Se você suspeita que alguém próximo a você possa estar com TDAH, procure ajuda especializada. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de uma intervenção bem-sucedida.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde. CID-11: Classificação Internacional de Doenças. Disponível em: https://www.who.int/classifications/classification-of-diseases
  • Associação Brasileira do TDAH (ABDA). O que é o TDAH? Disponível em: https://abda.org.br
  • Ministério da Saúde. Guia de diagnóstico e tratamento do TDAH. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
  • American Psychiatric Association. DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª edição.

Este artigo foi elaborado para fornecer informações educativas e não substitui a avaliação ou o tratamento por profissionais de saúde qualificados.