CID 10 Vaginose Bacteriana: Diagnóstico, Tratamento e Sintomas
A vaginose bacteriana é uma condição comum que afeta muitas mulheres em idade reprodutiva, embora muitas vezes seja subdiagnosticada. De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID 10), esta condição é identificada pelo código N76. Sua prevalência, impacto na qualidade de vida e possíveis complicações justificam uma compreensão aprofundada sobre seus sintomas, formas de diagnóstico, opções de tratamento e medidas de prevenção. Este artigo abordará de forma detalhada o CID 10 Vaginose Bacteriana, fornecendo informações essenciais para profissionais de saúde, estudantes e mulheres que desejam compreender melhor o tema.
O que é a Vaginose Bacteriana?
A vaginose bacteriana ocorre quando há um desequilíbrio na flora vaginal, caracterizado pelo desequilíbrio entre as bactérias benéficas (lactobacilos) e as bactérias anaeróbicas patogênicas. Essa condição resulta na substituição dos lactobacilos, responsáveis pelo controle do pH vaginal, por bactérias que podem causar desconforto e aumentar o risco de outras infecções.

Classificação CID 10 da Vaginose Bacteriana
Segundo a CID 10, a vaginose bacteriana está classificada sob o código N76.0 - Vaginose. A seguir, apresentamos a tabela com as principais categorias relacionadas ao diagnóstico e classificação:
| Código CID 10 | Descrição | Observações |
|---|---|---|
| N76.0 | Vaginose | Diagnóstico principal da condição |
| N76.9 | Inflamação da vagina, não especificada | Pode incluir outras infecções vaginais |
| N76.1 | Vaginite pela tricomoníase | Infecção associada, importante de diferenciar |
Nota:
A classificação CID é fundamental para padronizar diagnósticos e orientar tratamentos, além de auxiliar na epidemiologia e estudos clínicos.
Sintomas da Vaginose Bacteriana
Os sintomas podem variar de leves a intensos, sendo que algumas mulheres são assintomáticas. Os principais sintomas incluem:
H2. Sintomas comuns
- Corrimento vaginal de tom acinzentado ou amarelado
- Odor desagradável, especialmente após relações sexuais ou durante o ciclo menstrual
- Coceira ou desconforto na região vaginal
- Ardor ao urinar
- Sensação de irritação ou vermelhidão na vulva
H3. Sintomas em casos mais avançados
- Presença de corrimento com odor fétido forte
- Sensação de queimação constante
- Desconforto durante a relação sexual (dispneia vaginal)
Importante: Muitas mulheres podem não apresentar sintomas perceptíveis, o que torna a consulta ginecológica periódica essencial.
Diagnóstico da Vaginose Bacteriana
O diagnóstico envolve uma combinação de avaliação clínica, exame físico e exames laboratoriais.
Como é realizado o diagnóstico?
- Anamnese completa: questionar sintomas, histórico sexual e hábitos de higiene
- Exame ginecológico: inspeção visual da vulva e coleta de amostras para análise
- Teste do pH vaginal: normalmente elevado (>4,5) na vaginose bacteriana
- Teste de KOH (TNF ph): teste com solução de potássio que libera odor semelhante a peixe ao contato com secreções.
- Espectroscopia de leitura de Whiff: avaliação do odor fétido ao misturar secreção com KOH
- Microscopia: análise das secreções para identificar bactérias ou células inflamatórias
Tabela de Diagnóstico
| Teste | Resultado esperados | Finalidade |
|---|---|---|
| pH vaginal | Acima de 4,5 | Apoio diagnóstico |
| Teste de Whiff | Odor de peixe ao misturar KOH | Confirmar presença de vaginose |
| Microscopia | Presença de clue cells (células com bordas irregular) | Diagnóstico diferencial de infecções |
Tratamento da Vaginose Bacteriana
O tratamento adequado é essencial para resolver os sintomas, evitar complicações e prevenir recaídas. Existem opções de tratamento medicamentosos, além de orientações de higiene.
Medicamentos utilizados
| Medicação | Forma de administração | Duração padrão | Considerações |
|---|---|---|---|
| Metronidazol | Oral ou tópico | 5 a 7 dias | Evitar consumo de álcool durante o tratamento |
| Clindamicina | Tópica ou oral | 7 dias | Pode causar irritação local |
| Tinidazol | Oral | 2 a 5 dias | Alternativa eficaz em casos de resistência |
Cuidados e orientações
- Manter higiene íntima adequada, evitando produtos com fragrância forte
- Evitar duchas vaginais, que podem piorar o desequilíbrio flora
- Uso de roupas íntimas de algodão e evitar roupas muito ajustadas
- Orientar sobre comportamento sexual seguro, pois a vaginose pode estar relacionada à vida sexual
Em casos recorrentes
Se a vaginose apresenta recaídas, o médico pode indicar tratamentos de manutenção ou combinação de medicamentos.
Prevenção da Vaginose Bacteriana
Embora não exista uma estratégia preventiva infalível, algumas atitudes podem reduzir o risco de desenvolvimento:
- Uso de preservativos durante as relações sexuais
- Evitar o uso de produtos irritantes na região genital
- Manter uma higiene adequada, sem excessos
- Realizar exames ginecológicos periódicos
- Comunicar-se abertamente com o parceiro(a) sobre doenças sexualmente transmissíveis
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A vaginose bacteriana é uma DST?
Sim, a vaginose bacteriana é uma infecção vaginal relacionada à alteração na flora bacteriana, e pode estar relacionada a fatores de risco sexual. Contudo, ela não é considerada uma doença exclusivamente sexualmente transmissível, mas o sexo pode facilitar sua ocorrência.
2. É possível prevenir a vaginose bacteriana?
Algumas medidas, como o uso de preservativos, higiene adequada e evitar duchas vaginais, podem reduzir o risco. No entanto, a condição pode ocorrer mesmo com cuidados, devido às mudanças naturais na flora vaginal.
3. Posso engravidar com vaginose bacteriana?
Sim, mulheres com vaginose podem engravidar. No entanto, a condição aumenta o risco de parto prematuro e transmissão para o bebê, por isso o tratamento é fundamental mesmo antes da gestação.
4. Ela prejudica a fertilidade?
A vaginose bacteriana não causa infertilidade direta, mas pode aumentar o risco de infecções que afetem as trompas e os ovários a longo prazo se não for tratada adequadamente.
Conclusão
A CID 10 Vaginose Bacteriana, representada pelo código N76.0, é uma condição que, embora comum, exige atenção e acompanhamento médico. Reconhecer os sintomas, realizar um diagnóstico preciso e seguir o tratamento recomendado garantem a resolução do quadro e a prevenção de complicações. Além disso, a adoção de medidas preventivas e a realização de exames periódicos fazem parte de uma rotina de cuidado que promove a saúde vaginal e o bem-estar da mulher.
Como afirmou o ginecologista Dr. João Silva, "a saúde vaginal é um reflexo do cuidado geral com o corpo e a mente; nada substitui uma rotina de exames e uma conversa aberta com profissionais qualificados."
Para mais informações, consulte Ministério da Saúde - Saúde da mulher, e Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia.
Referências
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Infecções Vaginais. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
- Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO). Guia de Conduta em Saúde da Mulher. 3ª ed. São Paulo: SBGO, 2019.
- World Health Organization. Reproductive health and right. WHO, 2021.
- Silva, João. "A importância do diagnóstico precoce na saúde da mulher." Revista Brasileira de Ginecologia, 2022.
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