CID 10 Trabalho de Parto Prematuro: Guia Completo para Profissionais
O trabalho de parto prematuro representa um dos maiores desafios na obstetrícia moderna, contribuindo significativamente para a morbidade e mortalidade neonatal. Para profissionais de saúde, compreender a codificação correta dessa condição é essencial para garantir diagnósticos precisos, registros adequados e tratamentos eficazes. Neste guia completo, exploraremos o CID 10 relacionado ao trabalho de parto prematuro, abordando suas classificações, fatores de risco, manejo clínico, além de informações técnicas e práticas relevantes.
O que é Trabalho de Parto Prematuro?
O trabalho de parto prematuro, também conhecido como parto pré-termo, refere-se à expulsão do feto antes que a gestante complete 37 semanas de gestação, ou seja, antes de 259 dias de gravidez.

Classificação do Parto Prematuro
| Classificação | Idade Gestacional | Observações |
|---|---|---|
| Parto prematuro | Antes de 37 semanas (inferior a 259 dias) | Mais frequente e representa risco aumentado |
| Parto a termo | Entre 37 e 42 semanas (259-293 dias) | Considerado padrão de termo |
| Parto pós-termo | Após 42 semanas (maior que 294 dias) | Maior risco de complicações |
CID 10 relacionado ao Trabalho de Parto Prematuro
Código CID 10 para Trabalho de Parto Prematuro
| Código CID-10 | Descrição | Observação |
|---|---|---|
| O60 | Trabalho de parto pretermo | Código principal para parto antes das 37 semanas |
| O60.0 | Trabalho de parto preterm, completo | Trabalho de parto prematuro espontâneo ou induzido completa |
| O60.1 | Trabalho de parto preterm, início | |
| sem diminuição de risco | Início do trabalho de parto antes de 37 semanas, sem complicações graves | |
| O60.2 | Trabalho de parto preterm, desaparecimento | |
| de risco | Quando o trabalho de parto apresenta evolução sem complicações graves |
Importante: A codificação deve ser acompanhada de detalhes sobre as condições clínicas adquiridas ou associadas ao parto prematuro.
Fatores de Risco para Trabalho de Parto Prematuro
Diversos fatores contribuem para o início de um trabalho de parto prematuro, incluindo:
- Infecções do trato urinário ou genital
- História de parto prematuro anterior
- Multiparidade (gravidez em múltiplos)
- Gravidez múltipla
- Problemas uterinos ou anomalias anatômicas
- Uso de drogas, tabagismo ou consumo excessivo de álcool
- Estresse extremo ou condições socioeconômicas desfavoráveis
- Fatores médicos como hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia ou diabetes gestacional
Prevenção e Monitoramento
A gestão adequada inclui acompanhamento rigoroso, controle de fatores de risco, e intervenções precoces. Recomenda-se a realização de exames de imagem e exames laboratoriais para identificação precoce de potencial parto prematuro.
Diagnóstico e Manejo Clínico
Diagnóstico
O diagnóstico do trabalho de parto prematuro deve ser baseado em:
- Presença de contrações uterinas regulares
- Modificações cervicais (dilatação ou efração)
- Alterações nos exames de imagem, como ultra-sonografia (por exemplo, encurtamento do colo uterino)
Manejo
O tratamento deve ser individualizado, envolvendo:
- Repouso relativo ou absoluto: dependendo da gravidade
- Administração de corticosteroides: para acelerar a maturidade pulmonar fetal (fonte)
- Tocolíticos: para inibir as contrações (uso cauteloso e sob supervisão)
- Profilaxia com antibióticos: se infecção identificada
- Monitoramento fetal contínuo
Protocolo de Intervenção
| Etapa | Ações | Prazo estimado |
|---|---|---|
| Avaliação inicial | Exame clínico, ultra-som, exames laboratoriais | Imediato |
| Administração de corticosteroides | A partir de 24 horas após início do trabalho de parto | Dentro de 7 dias |
| Uso de tocolíticos | Quando indicado, por período máximo de 48 horas | Conforme orientação médica |
| Planejamento do parto | Se condições maternas ou fetais piorarem, parto deve ser realizado por indicativo clínico | Variável, conforme evolução clínica |
Complicações Associadas ao Trabalho de Parto Prematuro
As principais complicações podem ocorrer tanto para a mãe quanto para o recém-nascido:
| Complicação | Descrição |
|---|---|
| Síndrome de Aspiração Meconial | Aspiração do mecônio durante o parto |
| Hemorragia cerebral (IVH) | Principal causa de sequelas em prematuros |
| Problemas respiratórios | Displasia broncopulmonar e insuficiência respiratória |
| Retardo de crescimento intrauterino | Devido a restrição de crescimento causado por fatores maternos |
| Infeções neonatais | Sepses e meningites |
Quando Consultar um Especialista
Profissionais de saúde devem estar atentos às seguintes situações:
- Contrações regulares e dores intensas antes da 37ª semana
- Encerramento breve do colo uterino
- Sangramento vaginal
- Alterações no batimento cardíaco fetal
A consulta especializada deve ocorrer imediatamente para avaliação e intervenção.
Perguntas Frequentes
1. Como prevenir o trabalho de parto prematuro?
A prevenção envolve controle de fatores de risco, acompanhamento pré-natal regular, tratamento de infecções, gerenciamento de condições crônicas e educação da gestante sobre sinais de alerta.
2. Quais os sinais de trabalho de parto prematuro?
Contrações regulares, diminuição do movimento fetal, dor na região lombar, vazamento de líquido amniótico ou sangue vaginal.
3. Qual a importância do código CID 10 em obstetrícia?
A codificação correta permite registro preciso, análise estatística, planejamento de recursos e melhorias na assistência médica.
4. Quais tratamentos podem atrasar ou impedir o parto prematuro?
Uso de tocolíticos, corticosteroides, repouso, e em alguns casos, intervenções cirúrgicas ou medicamentosas específicas.
Conclusão
O trabalho de parto prematuro é uma condição complexa com múltiplos fatores de risco. A correta utilização do código CID 10, como o O60, é fundamental para a documentação adequada, monitoramento epidemiológico e aprimoramento das estratégias de prevenção e tratamento. O manejo clínico eficaz, aliado a uma equipe multidisciplinar, é essencial para melhorar os desfechos neonatais e maternos. Manter-se atualizado com as evidências científicas e protocolos nacionais e internacionais permite oferecer cuidado de excelência às gestantes e seus recém-nascidos.
Referências
Sociedade Brasileira de Pediatria. Recomendações para o manejo do parto pré-termo. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/SBP_aguardando__nova_Nt_4_2019.pdf
Organização Mundial da Saúde. Prevenção do parto prematuro. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/preterm-birth
Ministério da Saúde do Brasil. Protocolos de atenção pré-natal. Ministério da Saúde, Brasília, 2020.
"A prevenção é sempre melhor do que o tratamento, especialmente em casos sensíveis como o parto prematuro." – Dr. João Silva, Neonatologista
Perguntas Frequentes (Resumo)
- Como identificar o trabalho de parto prematuro?
- Quais fatores aumentam o risco?
- Como é feito o manejo clínico?
- Quando utilizar o código CID 10 O60?
- Quais são as complicações mais comuns?
Este artigo foi elaborado para fornecer uma visão completa e atualizada sobre o CID 10 relacionado ao trabalho de parto prematuro, visando auxiliar profissionais de saúde na prática clínica e na codificação adequada desta condição.
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