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CID 10 Síncope: Guia Completo Sobre Diagnóstico e Tratamento

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A síncope é uma condição clínica que afeta milhares de pessoas ao redor do mundo, sendo responsável por uma parcela significativa das emergências médicas. No Código Internacional de Doenças (CID 10), ela é classificada sob o código R55. Este artigo tem como objetivo fornecer um guia completo sobre o diagnóstico, tratamento, classificação e aspectos relevantes relacionados à síncope, com foco no CID 10, além de abordar as dúvidas mais frequentes e oferecer recomendações baseadas na literatura médica atual.

Introdução

A síncope, muitas vezes descrita popularmente como "desmaio", é uma perda temporária de consciência e tonicidade postural, resultante de uma redução transitória do fluxo sanguíneo cerebral. Apesar de comum, sua etiologia pode variar desde condições benignas até causas potencialmente fatais, como arritmias cardíacas ou doenças neurológicas. Por isso, compreender suas características, classificação e manejo adequado é fundamental para profissionais de saúde e pacientes.

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Como afirmou o cardiologista brasileiro Dr. José Carlos Araújo, "a síncope é uma manifestação clínica que exige atenção detalhada para evitar desfechos adversos, especialmente em populações vulneráveis."

O que é a Síncope?

A síncope é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como "uma perda súbita e transitória de consciência, com recuperação espontânea, causada por uma diminuição temporária do fluxo sanguíneo cerebral".

Causas Comuns de Síncope

  • Vasovagal (réflexa): a mais comum, relacionada à resposta vasovagal.
  • Hipotensão ortostática: queda da pressão arterial ao ficar de pé.
  • Cardíaca: causada por arritmias, obstruções ou cardiopatias.
  • Neurológica: por eventos cerebrovasculares ou doenças neurológicas.
  • Outras causas: hipoglicemia, anafilaxia, entre outras.

Classificação da Síncope Segundo o CID 10

De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID 10), a síncope está categorizada sob o código R55. Sua classificação detalhada envolve:

Código CID 10DescriçãoComentários
R55SíncopePerda transitória de consciência
R55.0Síncope devido à hipotensãoCausada por queda da pressão arterial
R55.1Síncope por vasovagalReflexa, com ativação vagal
R55.2Síncope por distúrbios do ritmo cardíacoInclui bradicardia, taquicardia
R55.8Outras formas de síncopeInclui causas não especificadas
R55.9Síncope, não especificadaDiagnóstico incerto ou inconclusivo

Importante: A correta classificação é fundamental para o planejamento do diagnóstico e tratamento adequado.

Diagnóstico da Síncope

Anamnese e Exame Físico

"A história clínica detalhada é o pilar do diagnóstico da síncope, pois muitas vezes ela aponta a causa subjacente." — Dr. Maria Silva, especialista em Cardiologia.

A entrevista deve abordar:- Detalhes do episódio (quais foram os sintomas, duração, fatores desencadeantes e premonitórios)- História de doenças cardíacas ou neurológicas- Uso de medicamentos- Hábitos de vida (exercícios, tabagismo, álcool)

Exames Complementares

ExameObjetivoQuando solicitar
Eletrocardiograma (ECG)Detectar arritmias ou condutas cardíacas anormaisEm todos os casos
Teste de inclinação (Tilt Test)Avaliar respostas vasovagaisSuspeita de síncope vasovagal
Ultrassonografia Doppler carotídeoInvestigar causas neurológicasQuando há suspeita neurológica
Exames laboratoriaisAvaliar anemia, glicemia, eletrólitosQuando indicado
Holter ou monitorização contínuaDetecção de arritmias intermitentesSuspeita de causas cardíacas

Diagnóstico Diferencial

  • Transtornos neurológicos (ataques epilépticos)
  • Hipoglicemia
  • Convulsões
  • Ataques cerebrovasculares

Quick tip: Um exame de ressonância magnética cerebral pode ser indicado se houver suspeita de causas neurológicas.

Tratamento da Síncope

O tratamento varia conforme a etiologia. A abordagem deve ser individualizada, combinando medidas não farmacológicas e medicamentosas, além de intervenções específicas.

Medidas Gerais

Mudanças no estilo de vida:
- Evitar fatores desencadeantes (longos períodos em pé, ambientes quentes, desidratação).
- Hidratação adequada.
- Modificar medicamentos que possam contribuir para hipotensão.

Protocolos de emergência:
- Colocar o paciente em posição de deitar com pernas elevadas.
- Manter vias aéreas pérvias e monitorar sinais vitais.
- Observar por possíveis causas graves.

Tratamentos Específicos

Para Síncope Vasovagal

  • Técnicas de manobra vagal como a manobra de Valsalva e estímulo do nervo vagal.
  • Medicação (quando refratária) com β-bloqueadores ou ansiolíticos.

Para Síncope Cardíaca

  • Dispositivos de marcapasso para bradicardia ou bloqueios cardíacos.
  • Intervenções cirúrgicas ou farmacológicas para tratar arritmias.
TratamentoIndicaçãoConsiderações
MarcapassoDisfunções do ritmo cardíaco, bradicardia severaQuando indicado por cardiologista
Uso de β-bloqueadoresSíncope vasovagal recorrenteAvaliar resistência ao tratamento
Modificação do estilo de vidaTodos os tipos de síncopeEstratégia de primeira linha

Quando Procurar Atendimento de Emergência?

Procure um serviço de urgência se o paciente apresentar:- Desmaios recorrentes- Sintomas neurológicos associados (paralisia, confusão)- Dor torácica- Dispneia- Palpitações intensas- Perda de consciência prolongada

Prevenção e Controle

A prevenção envolve o controle dos fatores de risco cardiovascular, adesão ao tratamento de condições predisponentes e acompanhamento médico regular. O acompanhamento multidisciplinar é fundamental para manter a qualidade de vida do paciente com episódio de síncope.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quais são as principais causas de síncope?

As principais causas incluem síncope vasovagal, hipotensão ortostática, arritmias cardíacas e condições neurológicas. Cada caso requer investigação específica.

2. Como é feito o diagnóstico da síncope?

Por meio da anamnese detalhada, exame físico, exames complementares como ECG, teste de inclinação e monitorização Holter, conforme suspeita clínica.

3. Existe tratamento para síncope?

Sim, depende da causa. Pode envolver mudanças de estilo de vida, medicamentos, dispositivos implantáveis ou procedimentos cirúrgicos.

4. É possível prevenir episódios de síncope?

Sim, principalmente através do controle dos fatores de risco, hidratação adequada e evitando fatores desencadeantes.

5. Quando a síncope é considerada uma emergência?

Quando associada a sintomas neurológicos, dor torácica, dispneia ou episódios frequentes que comprometam a saúde do paciente.

Conclusão

A síncope, apesar de muitas vezes parecer um episódio isolado, requer atenção e investigação minuciosa para identificar sua causa e evitar complicações futuras. Seguir as orientações do CID 10 (R55) e uma conduta clínica adequada garantem uma abordagem eficaz, promovendo a recuperação e a prevenção de novos episódios.

Lembre-se de que a avaliação multidisciplinar e o acompanhamento contínuo são essenciais para o sucesso do tratamento e a qualidade de vida do paciente.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças - CID-10. 10ª revisão. 2019.
  2. Brignole M, Moya A, Andersen K, et al. Guidelines on management of syncope. Europace. 2018;20(1):e1-e67.
  3. Sander M, Thoma T, Störk S. Síncope: diagnóstico e manejo. Revista Brasileira de Cardiologia. 2020; 33(3): 392-400.
  4. Sociedade Brasileira de Cardiologia

Este conteúdo foi elaborado para fins educativos e não substitui a avaliação médica profissional.