CID 10 Sifilis Congênita: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
A sifilis congênita, classificada pelo Código Internacional de Doenças ICD-10 sob o código A50.0, representa uma infecção sistêmica causada pela transmissão do Treponema pallidum da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou parto. Essa condição, embora seja prevenível e tratável, ainda representa um desafio na saúde pública global devido às lacunas no acesso a diagnósticos precoces e tratamento adequado.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a sífilis congênita é responsável por uma significativa morbidade e mortalidade infantil, podendo levar a malformações, abortos espontâneos e morte neonatal. A detecção precoce e o manejo oportuno são essenciais para evitar consequências graves e garantir a saúde do recém-nascido.

Neste artigo, abordaremos os principais aspectos relacionados ao CID 10 Sifilis Congênita, incluindo sintomas, métodos diagnósticos, opções de tratamento e estratégias de prevenção.
O que é a sifilis congênita?
A sifilis congênita é uma infecção que ocorre em recém-nascidos quando a mãe contaminada transmite o Treponema pallidum durante a gestação ou o parto. Essa transmissão pode acontecer mesmo que a mãe apresente um quadro assintomático, o que torna imprescindível o triagem pré-natal sistemática.
De acordo com o CID 10, a sifilis congênita é classificada sob o código A50.0, categorizando os casos em que há transmissão direta do treponema durante a gestação.
Sintomas da sifilis congênita
Os sintomas podem variar bastante, dependendo do momento da infecção e da resposta imunológica do bebê. Alguns recém-nascidos podem ser assintomáticos ao nascimento, enquanto outros manifestam sinais logo nos primeiros dias de vida.
Sintomas iniciais
- Lesões de gengiva e lábios: úlceras ou gengivite
- Rash cutâneo: que pode aparecer no tronco, face ou extremidades
- Esteatomas de Fordyce: pequenas protuberâncias na boca
- Hiperemia conjuntival e lacrimejamento
- Hiperbiliubinemia: icterícia
Sintomas tardios
Se não tratado, o bebê pode desenvolver sinais mais graves, como:
- Hidrocefalia
- Anemia
- Lesões ósseas: periostite, osteíte ou deformidades ósseas (especialmente nos ossos longos e do crânio)
- Coriorretinite: inflamação na retina
- Síntomas neurológicos: convulsões, deficiência auditiva
Tabela: Sintomas de sifilis congênita por fase
| Fase | Sintomas |
|---|---|
| Congênito precoce | Lesões mucocutâneas, rash, hepatomegalia, hepatossplenomegalia, anemia |
| Congênito tardio | Deformidades ósseas, dentes de Hutchinson, neurossífilis, cegueira, surdez |
Diagnóstico da sifilis congênita
O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Baseia-se em uma combinação de avaliação clínica, testes laboratoriais e histórico materno.
Critérios de diagnóstico
- Exame clínico com sinais sugestivos;
- Presença de sorologia positiva para sífilis na criança;
- Histórico materno de infecção por sífilis durante a gestação;
- Testes laboratoriais confirmatórios.
Testes laboratoriais
| Testes | Objetivo | Quando realizar |
|---|---|---|
| VDRL (Teste não treponêmico) | Detectar anticorpos não específicos à sífilis | Em recém-nascidos, de preferência após 45 dias do nascimento |
| FTA-ABS (Teste treponêmico) | Detectar anticorpos específicos do Treponema pallidum | Confirmatório, após resultados iniciais |
| Hemocultura de Treponema pallidum | Identificação direta do microrganismo | Raramente utilizada, devido à dificuldade |
| Exames de líquor cerebroespinhal | Avaliação neurológica em casos suspeitos | Quando sinais neurológicos ou serologia indicam necessidade |
Importante: A interpretação dos testes deve considerar a sorologia materna, que pode permanecer positiva mesmo após Tratamento bem-sucedido.
Diagnóstico diferencial
Incluir infecções congênitas por vírus (como citomegalovírus), outras doenças dermatológicas ou ósseas, além de condições genéticas ou malformativas.
Tratamento da sifilis congênita
O tratamento da sífilis congênita deve ser iniciado o mais rápido possível após o diagnóstico para evitar sequelas irreversíveis.
Penicilina benzatina
A penicilina G benzatina é o tratamento de escolha. O esquema varia conforme a idade do bebê e a gravidade da infecção.
Esquema de tratamento recomendado
| Faixa etária / Condição | Dose e duração |
|---|---|
| Recém-nascidos com sifilis congênita | Penicilina G Benzatina 50.000 UI/kg/dia, em doses divididas por via intramuscular, durante 10 dias |
| Bebês com sinais neurológicos | Penicilina cristalina, administração intravenosa por 10 a 14 dias |
| Caso de alergia à penicilina | Desensificação à penicilina ou uso de esquema alternativo sob supervisão médica |
Considerações importantes
- Tratamento deve ser realizado sob supervisão médica especializada;
- A avaliação neurológica e laboratorial pós-tratamento é essencial para confirmar a resposta ao tratamento;
Citação:
"A prevenção é a melhor estratégia contra a sífilis congênita, pois a terapia precoce salva vidas e evita sequelas irreparáveis." — Ministério da Saúde, Brasil
Complementos ao tratamento
- Acompanhamento neonatal com exames sorológicos a cada 3 meses até a negativação;
- Reforço no acompanhamento com equipe multidisciplinar para reabilitação, se necessário.
Prevenção da sifilis congênita
A prevenção primária passa pelo controle eficaz da sífilis na gestante, incluindo:
- Triagem pré-natal obrigatória com testes de sorologia para sífilis;
- Tratamento adequado da gestante durante a gravidez;
- Orientação sobre métodos de prevenção sexual;
- Acompanhamento de parceiros sexuiais;
Para maior compreensão, acesse o Portal da Saúde do Governo Federal e confira as orientações de prevenção e controle.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Como é feito o teste para detectar a sífilis em recém-nascidos?
O diagnóstico é realizado por exames de sangue, como o teste VDRL, e avaliação clínica. Pode também ser feito exame de líquor e outros testes sorológicos específicos.
2. A sífilis congênita pode ser transmitida mesmo em mães que fizeram tratamento?
Sim, especialmente se o tratamento não foi completo ou realizado de forma inadequada. A monitorização da gestante é fundamental para evitar a transmissão.
3. Quais são as principais consequências da sífilis congênita não tratada?
Morbidade neurológica, deformidades ósseas, cegueira, surdez, abortamentos e óbitos neonatais.
4. Como evitar a transmissão de sífilis durante a gestação?
A única forma eficaz é a detecção e tratamento precoce da infecção materna através do pré-natal adequado.
Conclusão
A CID 10 Sifilis Congênita (A50.0) representa um desafio importante na saúde pública, mas sua prevenção, diagnóstico precoce e tratamento eficaz podem evitar consequências devastadoras para o bebê. O controle da sífilis durante a gestação é fundamental para reduzir a incidência da transmissão vertical, promovendo uma gestação segura e promovendo a saúde infantil.
Investir em educação em saúde, acesso ao pré-natal de qualidade e campanhas de conscientização são ações essenciais para combater essa enfermidade. Como disse o médico e pesquisador brasileiro Dr. José Bortolote Filho:
"A eliminação da sífilis congênita é possível, desde que haja compromisso político, fortalecimento da atenção primária e adesão às estratégias de saúde pública."
Referências
- Ministério da Saúde. Manual de Diagnosis e tratamento das sífilis na gestante. Brasília: Ministério da Saúde; 2022. Link externo
- Organização Mundial da Saúde. Sífilis congênita: orientações para controle e eliminação. WHO; 2020.
- World Health Organization. Global Health Sector Strategy on Sexually Transmitted Infections 2016–2021. WHO; 2016.
- Sociedade Brasileira de Infectologia. Recomendações para o tratamento da sífilis congênita. Sociedade Brasileira de Infectologia; 2021.
Este artigo foi elaborado para informar e promover ações de saúde eficazes frente à sífilis congênita, contribuindo para a redução de casos e para a saúde materno-infantil.
MDBF