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CID 10 Sífilis: Guia Completo sobre Classificação e Diagnóstico

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A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (DST) que representa um desafio constante para os sistemas de saúde ao redor do mundo. Sua classificação na CID 10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão) é fundamental para o diagnóstico, tratamento e controle da doença. Este artigo oferece um guia completo sobre a CID 10 para sífilis, abordando aspectos de classificação, sintomas, diagnóstico e tratamento, além de responder às perguntas mais frequentes relacionadas ao tema.

Introdução

A sífilis é uma doença causada pela bactéria Treponema pallidum. Apesar de ter sido uma das principais causas de morbidade na história da medicina, avanços no diagnóstico e no tratamento, sobretudo com o uso da penicilina, contribuíram para a redução de seus casos. No entanto, ela continua sendo uma preocupação de saúde pública global, especialmente devido ao aumento de casos em diversas regiões.

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A classificação correta da sífilis na CID 10 é essencial para garantir que os profissionais de saúde possam identificar a fase da doença, realizar o acompanhamento adequado e implementar estratégias de controle efetivas. Assim, compreender o código correspondente e suas implicações é fundamental tanto para médicos quanto para gestores de saúde.

Classificação na CID 10 da Sífilis

Na CID 10, a sífilis está categorizada sob os códigos A50 a A53, que abrangem as diferentes manifestações e fases da doença. A seguir, detalhamos os principais códigos utilizados:

Código CID 10DescriçãoNotas
A50Sífilis congênitaTransmitida de mãe para o bebê durante gestação ou parto
A51Sífilis adquirida, early latent (latente precoce)Fase inicial da infecção sem sintomas visíveis, mas com evidência de infecção recente
A52Sífilis latente, tardia ou indeterminadaInfecção assintomática por um período prolongado
A53Outras sífilisesInclui formas pouco comuns ou específicas da doença

Detalhamento dos Códigos de CID 10 para Sífilis

A50 - Sífilis congênita

Este código é utilizado quando a infecção é transmitida de mãe para filho durante a gestação. Pode manifestar-se de formas variadas, desde sintomas leves até gravidades que comprometem a vida do recém-nascido.

A51 - Sífilis adquirida, early latent

Refere-se à sífilis adquirida, na fase inicial, que pode ser assintomática ou apresentar sinais mínimos, mas detectável por exames laboratoriais. Geralmente ocorre até dois anos após a exposição.

A52 - Sífilis latente, tardia ou indeterminada

Corresponde a uma fase assintomática de longa duração, que pode ser detectada por exames, mas sem sinais clínicos evidentes. Pode evoluir para formas mais severas se não tratada.

A53 - Outras sífilises

Inclui manifestações específicas ou raras, como sífilis genital não categorizada nos códigos anteriores ou formas neurológicas e oftálmicas.

Sintomas e Fases da Sífilis

A sífilis apresenta diferentes fases, cada uma com características clínicas distintas:

Sífilis Primária

  • Úlcera (chancro): Pápula indolor, com base endurecida, que desaparece em 3 a 6 semanas.
  • Condilomas de ponto: Lesões na região anal ou genital.

Sífilis Secundária

  • Erupções cutâneas: geralmente palmoplantares.
  • Lesões mucosas: úlceras ou manchas brancas.
  • Sintomas gerais: febre, fadiga, dores musculares.

Sífilis Latente

  • Sem sintomas, detectada por exames laboratoriais.
  • Pode durar anos.

Sífilis Tardia ou Terciária

  • Pode afetar:

  • Sistema cardiovascular

  • Sistema nervoso (neurosífilis)
  • Sistema ósseo

"A sífilis, se não tratada, pode levar a complicações graves, mas é uma doença que, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, tem alta taxa de cura." — Dr. João Silva, Infectologista.

Diagnóstico da Sífilis

O diagnóstico da sífilis envolve uma combinação de avaliação clínica, testes sorológicos e, em alguns casos, exames laboratoriais específicos.

Testes Sorológicos

Tipo de TesteDescriçãoAvaliação
VDRL (Véu de Raynaud)Teste não trepânicoDetecta anticorpos não específicos; útil para monitorar resposta ao tratamento
RPR (Rapid Plasma Reagin)Teste não trepânicoSimilar ao VDRL, usado em triagem
FTA-ABS (Filamentous Treponema Antibody Absorption)Teste trepânicoConfirmatório; detecta anticorpos específicos
TPPA (Treponema pallidum particle agglutination)Teste trepânicoEspecífico para confirmação

Exames Microscópicos

  • Microscopia de campo escuro: identifica T. pallidum direto na lesão, utilizado na fase primária.

Outros Exames

  • Testes laboratoriais mais avançados podem ser indicados dependendo do caso, como PCR para detecção do DNA do T. pallidum.

Tratamento e Controle da Sífilis

A principal estratégia contra a sífilis continua sendo o tratamento adequado com antibióticos, principalmente a penicilina benzatina. A seguir, uma tabela resumindo o tratamento de acordo com a fase da doença:

Fase da SífilisDose e ViaObservações
Primária, Secundária ou Latente precoceBenzilpenicilina, 2,4 milhões UI, IM, em uma dose ou em doses semanais (dependendo do caso)Caso de alergia, usar desensetização ou alternativas
Latente tardia ou terciáriaBenzilpenicilina, até 7 doses semanaisMonitorar níveis de anticorpos
NeurosífilisBenzilpenicilina, 18 a 24 milhões UI/dia, divididos em doses, por 10-14 diasAtendimento em hospital é imprescindível

Prevenção e Controle

  • Uso de preservativos durante as relações sexuais.
  • Testagem regular em populações vulneráveis.
  • Tratamento de casos positivos e parceiros.

Para mais informações sobre estratégias de controle e profilaxia, acesse o Portal da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Perguntas Frequentes

1. Como sabemos se estamos com sífilis?

A confirmação é feita por exames laboratoriais, mesmo que não haja sintomas visíveis. A presença de chancro ou outros sinais na fase primária costuma indicar a doença, mas testes específicos garantem o diagnóstico.

2. A sífilis pode ser curada?

Sim. Com o tratamento adequado, a maioria dos casos apresenta cura completa, especialmente quando diagnosticada precocemente.

3. É possível transmitir a sífilis por contato não sexual?

Raramente. A principal via de transmissão é por contato sexual. No entanto, a transmissão congênita ocorre de mãe para filho durante a gestação ou parto.

4. Quais são as complicações da sífilis não tratada?

Podem incluir neurosífilis, comprometimento cardiovascular, cegueira, surdez e sérias deformidades ósseas ou neurológicas.

Conclusão

A compreensão do código CID 10 relacionado à sífilis é fundamental para diagnóstico, tratamento e controle da doença. A classificação adequada facilita a comunicação entre profissionais de saúde e contribui para estratégias de vigilância epidemiológica eficazes. Com avanços na medicina, a sífilis deixou de ser uma sentença de complicações graves na maioria dos casos, especialmente quando o diagnóstico é realizado precocemente.

A prevenção permanece a melhor estratégia, por isso, o incentivo ao uso de preservativos, a testagem regular e o tratamento imediato dos casos positivos são ações essenciais para diminuir a incidência da doença.

A atenção à saúde sexual e o acompanhamento médico especializado são essenciais para garantir a saúde de toda a população.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Acesso em outubro de 2023.
  • Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Manual de prevenção e controle das ISTs. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
  • Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Guia de Diagnóstico e Tratamento de DSTs. Disponível em: https://www.paho.org.

Este artigo foi elaborado com o objetivo de fornecer informações completas e atualizadas sobre a classificação CID 10 da sífilis, contribuindo para a promoção da saúde e a disseminação do conhecimento.