CID 10 S82 6: Guia Completo sobre Fraturas de Tíbia e Fíbula
A medicina moderna proporciona avanços que facilitam a identificação, tratamento e reabilitação de diversas condições ortopédicas. Entre estas, as fraturas de tíbia e fíbula representam uma parcela significativa das lesões traumáticas do aparelho locomotor. Dentro da classificação internacional de doenças (CID 10), o código S82.6 refere-se às fracturas da tíbia e fíbula, do quadrante inferior da perna, condição que pode variar desde uma fratura simples até complicações complexas.
Este artigo tem como objetivo oferecer um guia completo sobre o código CID 10 S82.6, abordando suas informações essenciais, classificação, diagnóstico, tratamento, reabilitação, questões frequentes, e recomendações para pacientes e profissionais da saúde.

O que é a CID 10 S82.6?
A codificação S82.6 no CID-10 refere-se especificamente às fracturas da tíbia e fíbula, do quadrante inferior da perna. Essa classificação é utilizada por profissionais de saúde para registros de estatísticas, planejamento de tratamentos e estudos epidemiológicos.
Definição de Fratura de Tíbia e Fíbula
As fraturas de tíbia e fíbula envolvem a quebra ou fratura dos dois ossos longos que formam a parte inferior da perna. Elas podem ocorrer por traumas diretos, acidentes esportivos, quedas ou acidentes de trânsito.
Epidemiologia
Estudos indicam que as fraturas de tíbia e fíbula representam cerca de 1-2% de todas as fraturas ósseas. São mais comuns em jovens adultos, especialmente durante a prática de esportes de impacto, e em idosos devido à osteoporose (Brooks et al., 2019).
Classificação das Fraturas de Tíbia e Fíbula
As fraturas podem variar conforme sua localização, gravidade e a presença de complicações. A seguir, apresentamos a classificação mais comum utilizada na prática clínica.
Classificação de acordo com a estabilidade
| Tipo de Fratura | Características | Tratamento Geral |
|---|---|---|
| Estável | Fractura sem deslocamento ou desvio, com alinhamento normal dos ossos. | Imobilização com gesso ou órtese |
| Instável | Fratura com deslocamento, desvio ou fragmentação, podendo envolver desalinhamento. | Redução e fixação cirúrgica |
Classificação de acordo com a localização
- Fratura diafisária: na parte média do osso.
- Fratura supra ou infrapatelar: próximo às extremidades superior ou inferior.
- Fratura cominutiva: com múltiplos fragmentos ósseos.
Fraturas abertas e fechadas
- Fratura fechada: sem rompimento de pele.
- Fratura aberta: com comunicação do osso fraturado com o ambiente externo, aumentando risco de infecção.
Diagnóstico das Fraturas de Tíbia e Fíbula
Avaliação Clínica
O diagnóstico inicia-se com uma avaliação detalhada do paciente, incluindo:
- Histórico do trauma.
- Presença de dor intensa, edema, deformidade e incapacidade de movimentar a perna.
- Verificação de sinais de trauma vascular ou neurológico.
Exames de Imagem
Para confirmação, são utilizados exames complementares:
- Raio-X: exame padrão-ouro para visualização da fratura.
- Tomografia computadorizada (TC): quando há fraturas complexas ou suspeita de envolvimento de articulações.
- Ressonância magnética: em casos de lesões associadas de tecidos moles.
Tabela de Diagnóstico
| Exame | Informação obtida | Quando solicitar |
|---|---|---|
| Raio-X | Confirmação da fratura, nível de deslocamento | Primeiro exame na suspeita de fratura |
| TC | Avaliação detalhada de fraturas complexas | Quando a fratura envolve articulações ou múltiplos fragmentos |
| Ressonância Magnética | Lesões de tecidos moles, ligamentos e meniscos | Em casos de suspeita de lesões associadas |
Tratamento das Fraturas de Tíbia e Fíbula
O tratamento varia de acordo com o tipo, localização da fratura, grau de deslocamento e complicações.
Tratamento Conservador
Indicado para fraturas não deslocadas e estáveis:
- Imobilização com gesso gessado ou ortese.
- Controle do edema e dor.
- Imobilização por período determinado, geralmente de 6 a 8 semanas.
Tratamento Cirúrgico
Recomendado para fraturas deslocadas, instáveis ou com fragmentação:
- Fixação interna: utilização de placas, parafusos, pinos e parafusos intramedulares (nail).
- Cirurgia de emergência: em fraturas abertas com risco de infecção ou lesões vasculares.
Considerações Especiais
- Em casos de fraturas abertas, administração de antibióticos e profilaxia antibiótica.
- Controle rigoroso de infecção, especialmente em fraturas expostas.
- Reabilitação precoce após estabilização.
Reabilitação e Prognóstico
A reabilitação visa recuperar força, mobilidade e funções da perna.
Fases de Reabilitação
- Imobilização: controle da dor e edema.
- Fase de mobilidade: inicio de exercícios de amplitudes de movimento (AROM).
- Fortalecimento muscular: exercícios direcionados a recuperar força muscular.
- Retorno às atividades: progressivo, evitando impacto excessivo.
Prognóstico
Com tratamento adequado, a maioria das fraturas se recupera com bom retorno funcional. No entanto, complicações como mal-alinhamento, infecção, atraso na consolidação ou pseudartrose podem ocorrer.
"A reabilitação é uma parte fundamental do tratamento de fraturas, pois garante o retorno à funcionalidade plena." (Silva et al., 2020)
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Quanto tempo leva para uma fratura de tíbia e fíbula cicatrizar?
Geralmente, o tempo de cicatrização varia entre 8 a 12 semanas, dependendo do tipo da fratura, idade do paciente e tratamento realizado.
2. É necessário fazer fisioterapia após uma fratura de perna?
Sim, a fisioterapia é fundamental para recuperar amplitude de movimento, força muscular e minimizar sequelas.
3. Quais os riscos se a fratura não for tratada adequadamente?
Podem ocorrer complicações como infecção, pseudoartrose, deformidades, dor crônica e perda funcional.
4. Qual a diferença entre fratura fechada e aberta?
Fratura fechada não rompe a pele, enquanto na aberta há comunicação com o ambiente externo, aumentando o risco de infecção.
5. É possível praticar esportes após uma fratura dessas?
Após liberação médica e reabilitação adequada, é possível retomar atividades esportivas de baixo impacto, mas sempre sob orientação médica.
Conclusão
As fraturas de tíbia e fíbula, codificadas no CID 10 como S82.6, representam uma lesão traumática comum que requer diagnóstico precoce e tratamento adequado para assegurar a recuperação funcional do paciente. A combinação de avaliação clínica detalhada, exames de imagem precisos e intervenção terapêutica apropriada são essenciais para um bom prognóstico.
A reabilitação, aliada a um acompanhamento multidisciplinar, garante que o paciente retorne às suas atividades cotidianas e esportivas com segurança, minimizando o risco de sequelas permanentes.
Referências
- Brooks, R., et al. (2019). Fraturas de Tíbia e Fíbula: Epidemiologia e Tratamento. Revista Brasileira de Ortopedia, 54(2), 135-142.
- Silva, F. R., et al. (2020). Reabilitação Pós-Fratura de Perna: Protocolos e Resultados. Jornal de Fisioterapia e Reabilitação, 15(3), 123-130.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). CID-10: Classificação Internacional de Doenças. Disponível em: https://www.who.int/classifications/icd/en/
- Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Guia de Fraturas. Disponível em: https://www.sbot.org.br
Este guia completo visa esclarecer dúvidas frequentes, orientar tratamentos e proporcionar uma compreensão abrangente sobre as fraturas de tíbia e fíbula sob o código CID 10 S82.6. Sempre consulte um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados.
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