CID 10 Politraumatismo: Guia Completo de Diagnóstico e Tratamento
O politraumatismo é uma condição de alta complexidade que envolve a combinação de múltiplas lesões graves em diferentes regiões do corpo, geralmente resultantes de acidentes de grande impacto, como acidentes de trânsito, quedas de altura ou agressões físicas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o politraumatismo é uma das principais causas de mortalidade, especialmente entre vítimas jovens.
No Brasil, a classificação internacional de doenças, CID-10 (Código Internacional de Doenças, 10ª revisão), reconhece o politraumatismo como um quadro clínico que demanda uma abordagem integrada e multidisciplinar para garantir o melhor prognóstico possível. Este artigo visa oferecer um guia completo sobre o CID 10 relacionado ao politraumatismo, abordando desde a definição até o tratamento, passando por diagnóstico, prognóstico e cuidados de emergência.

O que é o CID 10 Politraumatismo?
Definição de Politraumatismo
Politraumatismo refere-se a uma condição em que o paciente sofre múltiplas lesões graves simultaneamente, podendo incluir fraturas, hemorragias, lesões em órgãos internos e traumas na cabeça, costas, membros ou outras regiões corporais. Essa condição requer avaliação rápida e tratamento imediato, pois o risco de complicações e óbito é elevado.
Classificação pela CID-10
Na CID-10, o politraumatismo é classificado sob S00 a T14, dependendo da localização e gravidade das lesões. A classificação específica é:
- T07 – "Traumatismo múltiplo de órgãos e sistemas, de localização não especificada"
ou
- T02. – "Politraumatismo (múltiplas lesões graves em diferentes partes do corpo)"
É importante destacar que, na prática clínica, o termo "politraumatismo" geralmente não possui um código único, sendo classificado de acordo com as lesões predominantes e circunstâncias do trauma.
Diagnóstico do CID 10 Politraumatismo
Avaliação inicial
A abordagem à vítima de politraumatismo deve seguir a sequência ABCDE:
- A - Vias aéreas
- B - Respiração
- C - Circulação
- D - Diversos (drogas, dores, fatores ambientais)
- E - Exposição e avaliação de lesões
Exames complementares
Imagens
| Exame | Finalidade | Observação |
|---|---|---|
| Radiografia | Detectar fraturas e deslocamentos | Geralmente o primeiro exame solicitado |
| Tomografia Computadorizada (TC) | Avaliação detalhada de cabeça, pescoço, tórax, abdome e pelve | Essencial em trauma crânio-encefálico e trauma abdominal |
| Ultrassonografia FAST | Avaliação rápida de hemorragias na cavidade abdominal | Utilizado em emergências |
| Ressonância Magnética | Diagnóstico de lesiones em tecidos moles e neurológicas | Indicado em casos não urgentes |
Classificação de gravidade
Para avaliar o risco de vida e necessidade de intervenção, utiliza-se a escala de Abbreviated Injury Scale (AIS) e o Injury Severity Score (ISS), que quantificam a gravidade das lesões.
Tratamento do CID 10 Politraumatismo
Cuidados de Emergência
O gerenciamento do politraumatismo envolve uma abordagem rápida e precisa, priorizando os fatores que ameaçam a vida:
Estabilização inicial
- Garantir vias aéreas pérvias
- Manutenção da respiração e ventilação
- Controle de hemorragias
- Fixação de fraturas expostas
- Manutenção da temperatura corporal
Tratamento específico
Após estabilização, o foco passa para o tratamento das lesões específicas, que pode incluir:
- Cirurgias de emergência
- Intervenções ortopédicas
- Cuidados intensivos
- Uso de medicamentos para controle da dor e prevenção de infecções
Cuidados multidisciplinares
O tratamento de politraumatismos demanda uma equipe composta por médicos especialistas em trauma, cirurgiões, ortopedistas, neurologistas, fisioterapeutas e outros profissionais, dependendo da gravidade das lesões.
Prognóstico e Prevenção
Prognóstico
O desfecho do politraumatismo depende de fatores como:
- Tempo de resposta ao atendimento
- Gravidade das lesões
- Comorbidades do paciente
- Qualidade do atendimento pré-hospitalar e hospitalar
"A rapidez no atendimento craneal e a integração dos recursos médicos têm papel decisivo na sobrevivência de vítimas politraumatizadas." (Silva, 2020)
Medidas preventivas
- Uso de equipamentos de segurança (cinto de segurança, capacete)
- Respeito às leis de trânsito
- Educação sobre prevenção de acidentes
- Manutenção de ambientes seguros
Tabela: Classificação das Lesões em Politraumatismo (CID-10)
| Código CID-10 | Descrição | Exemplos de Lesões | Estado de Gravidade |
|---|---|---|---|
| T07 | Traumatismo múltiplo de órgãos e sistemas de localização não especificada | Acidentes com múltiplas lesões | Grave |
| T02.1 | Politraumatismo de região cefálica | Traumatismo craniano, rosto | Grave a moderada |
| T02.2 | Politraumatismo de região torácica | Fraturas de costelas, pneumotórax | Moderada a grave |
| T02.3 | Politraumatismo de região abdominal | Lesões hepáticas, splênicas | Grave |
| T02.4 | Politraumatismo de membros superiores | Fraturas, luxações | Variável |
Perguntas Frequentes
1. Quais são as principais causas de politraumatismo?
As causas mais comuns incluem acidentes de trânsito (colisões, acidentes motociclistas), quedas de altura, acidentes no ambiente de trabalho e agressões físicas.
2. Como é feito o diagnóstico de politraumatismo?
A avaliação inicial é feita através do exame clínico junto com exames de imagem, como radiografias, tomografias e ultrassonografias, para determinar a extensão das lesões.
3. Qual a diferença entre traumatismo simples e politraumatismo?
O traumatismo simples envolve uma única lesão de menor gravidade, enquanto o politraumatismo envolve múltiplas lesões graves que podem comprometer múltiplos órgãos ou sistemas.
4. Quais são os principais desafios no tratamento do politraumatismo?
A rapidez na estabilização, o gerenciamento das múltiplas lesões e a coordenação da equipe multidisciplinar são os principais desafios.
5. Como prevenir o politraumatismo?
Utilizando equipamentos de segurança, promovendo campanhas educativas, respeitando as leis de trânsito e mantendo ambientes seguros.
Conclusão
O politraumatismo, classificado na CID-10 sob códigos como T07, representa uma emergência médica de alto risco que requer atenção imediata e um manejo integrado para reduzir a mortalidade e melhorar as chances de recuperação. A compreensão da classificação, diagnósticos precoces, estabilização adequada e tratamento especializado podem transformar uma situação potencialmente fatal em uma recuperação bem-sucedida.
A prevenção continua sendo a melhor estratégia, e ações como o uso de equipamentos de proteção e o respeito às normas de segurança são essenciais para diminuir a incidência de politraumatismos. A educação e conscientização da sociedade são aliados importantes nesta luta contra as causas de acidentes que resultam nesse quadro crítico.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Internacional de Doenças – CID-10
- Ministério da Saúde. Protocolos de atendimento ao politraumatizado. Disponível em: Ministério da Saúde - Protocolos
- Silva, J. (2020). "Abordagem do trauma cranioencefálico em politraumatizados." Revista Brasileira de Medicina de Emergência, 26(2), 125-130.
Links externos relevantes
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