CID 10 Parasitose Intestinal: Tudo Sobre Diagnóstico e Tratamento
As parasitoses intestinais representam um grupo de infecções causadas por organismos que invadem o sistema gastrointestinais, sendo responsáveis por milhões de casos ao redor do mundo, especialmente em regiões com saneamento básico precário. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que mais de 1,5 bilhão de pessoas estejam infectadas por parasitas intestinais, tornando-as um problema de saúde pública global. No Brasil, a prevalência é significativa, afetando principalmente populações rurais e urbanas com condições sanitárias insuficientes.
Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o CID 10 referente às parasitoses intestinais, discutindo o diagnóstico, opções de tratamento, prevenção, além de responder às perguntas mais frequentes. Nosso objetivo é fornecer informações úteis para profissionais de saúde, estudantes e a população em geral interessada em compreender melhor esse tema.

O que é CID 10 parasitose intestinal?
O CID 10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão) é um sistema utilizado mundialmente para codificar doenças e problemas de saúde. Para parasitoses intestinais, o código principal é B80, que abrange as diversas infecções causadas por parasitas intestinais, incluindo protozoários e helmintos.
Classificação das parasitoses intestinais
| Código CID 10 | Sigla | Parasito(s) Comum(ns) | Tipo de Parasita | Doença Associada |
|---|---|---|---|---|
| B80 | Parasitoses intestinais | Ascaris lumbricoides | Helmintos | Ascariase |
| B81 | Amebíase | Entamoeba histolytica | Protozoário | Amebíase |
| B82 | Giardíase | Giardia lamblia | Protozoário | Giardíase |
| B83 | Helmintoses | Ancylostoma, Necator | Helmintos | Ancilostomíase, Necatoríase |
| B84 | Outras parasitoses intestinais | - | - | Diversas infecções menos comuns |
Diagnóstico de parasitose intestinal
Diagnosticar parasitose intestinal pode ser desafiador, pois muitos casos podem ser assintomáticos ou apresentar sintomas inespecíficos. O diagnóstico envolve uma combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais.
Sinais e sintomas comuns
- Dor abdominal
- Diarreia ou prisão de ventre
- Perda de peso
- Anemia
- Náuseas e vômitos
- Fadiga
- Presença de muco ou sangue nas fezes
Exames laboratoriais
Exame coproparasitológico
É o principal método diagnóstico. Consiste na análise de uma ou mais amostras de fezes para identificar ovos, protozoários ou adultos do parasita. Recomenda-se a realização de pelo menos três amostras em dias diferentes para aumentar a sensibilidade.
Outros exames complementares
- Séries de exames de sangue (hemograma, pesquisa de anemia)
- Endoscopia digestiva, em casos específicos
- Testes sorológicos para certos parasitas
Como interpretar os resultados
A presença de ovos ou protozoários no exame coproparasitológico confirma o diagnóstico de parasitose intestinal. Entretanto, a ausência de parasitas não exclui a infecção, principalmente se os sintomas persistirem.
Tratamento das parasitoses intestinais
O tratamento varia de acordo com o parasita identificado, a gravidade da infecção e a condição do paciente. Geralmente, envolve o uso de medicamentos antiparasitários específicos, além de medidas de higiene e saneamento.
Medicações comuns
| Parasita | Medicação de escolha | Dose típica | Observações |
|---|---|---|---|
| Ascaris lumbricoides | Albendazol, Mebendazol | Albendazol 400 mg, dose única; Mebendazol 100 mg/12h por 3 dias | Repetir o tratamento se necessário |
| Entamoeba histolytica | Metronidazol, Tinidazol | Metronidazol 750 mg a 1,5 g/dia por 5-10 dias | Controle com exames pós-tratamento |
| Giardia lamblia | Metronidazol, tinidazol | Metronidazol 2 g/dia por 2 dias ou 250-750 mg/12h por 5-7 dias | |
| Outras parasitoses | De acordo com o parasita específico | Conformando a bula do medicamento | Sempre sob orientação médica |
Medidas complementares
- Manter higiene pessoal e das mãos
- Ensacar e descartar fezes adequadamente
- Evitar o consumo de alimentos e água contaminados
- Desinfetar roupas de cama e utensílios
Considerações importantes
Segundo o Ministério da Saúde, “o tratamento das parasitoses deve ser acompanhado de ações educativas e de saneamento básico, visando à eliminação do parasita na comunidade”.
Prevenção das parasitoses intestinais
A prevenção é fundamental para evitar a infecção e reinfecção por parasitas intestinais.
Medidas preventivas
- Lavar as mãos frequentemente, especialmente antes das refeições e após usar o banheiro
- Consumir água tratada e alimentos bem higienizados
- Evitar o uso de água contaminada para higiene pessoal
- Praticar saneamento básico adequado, incluindo o descarte correto de dejetos
- Educação em saúde nas comunidades vulneráveis
Importância do saneamento básico
Segundo a UNICEF, “investir em saneamento básico é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a carga de parasitoses e melhorar a saúde pública”.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. Quais são os principais parasitas que causam parasitose intestinal?
Os mais comuns incluem:- Ascaris lumbricoides (lombriga)- Trichuris trichiura (amarele)- Ancylostoma spp. (anchova)- Giardia lamblia- Entamoeba histolytica
2. Como posso saber se estou infectado por parasitas intestinais?
Se apresentar sintomas como dor abdominal, diarreia, perda de peso ou anemia, procure um profissional de saúde para avaliação e realização de exames coproparasitológicos.
3. O tratamento é eficaz para todas as parasitoses intestinais?
Na maioria dos casos, sim, especialmente quando o diagnóstico é precocemente feito e o tratamento é seguido corretamente. A prevenção da reinfecção é essencial.
4. Posso prevenir a parasitose intestinal apenas com medicação?
Não. A medicação trata a infecção, mas a prevenção envolve higiene, saneamento e cuidados com a alimentação para evitar reinfecção.
5. A parasitose intestinal pode ser crônica?
Sim, especialmente se não houver tratamento adequado ou se condições de saneamento permanecem precárias, podendo levar a doenças crônicas como anemia e desnutrição.
Conclusão
As parasitoses intestinais continuam sendo um desafio de saúde pública mundial, mas com diagnóstico precoce, tratamento adequado e ações preventivas, é possível controlá-las e minimizar seus impactos na saúde da população. Como bem afirmou o renomado infectologista Dr. Oswaldo Cruz, “a prevenção é sempre o melhor remédio”, especialmente em doenças relacionadas às condições sanitárias.
Investir em saneamento básico, educação em saúde e acesso a serviços de saúde eficientes são estratégias essenciais para erradicar as parasitoses intestinais e promover uma vida mais saudável para todos.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Parasitic Diseases. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/parasites#tab=tab_1
- Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. Parasitoses intestinais. Brasília: MS, 2020.
- UNICEF. Saneamento Básico e Saúde Pública. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/saude-do-beb%C3%AA/saneamento-basico
Quer saber mais? Consulte também o site do Ministério da Saúde para orientações atualizadas sobre parasitoses intestinais.
MDBF