CID 10 Para Depressão: Guia Completo Sobre Classificação e Diagnóstico
A depressão é uma das condições de saúde mental mais comuns no mundo, afetando milhões de pessoas de todas as idades, gêneros e origens. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 264 milhões de pessoas sofrem de algum transtorno depressivo globalmente, tornando-se uma das principais causas de incapacidade. Para que profissionais da saúde possam identificar, classificar e tratar adequadamente essa condição, o CID 10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª revisão) desempenha um papel fundamental.
Este artigo tem como objetivo fornecer um guia completo sobre a classificação da depressão segundo o CID 10, abordando critérios diagnósticos, subtipos, códigos específicos, além de esclarecer dúvidas frequentes e fornecer uma compreensão aprofundada sobre o tema.

O que é o CID 10?
O CID 10 é um sistema de categorização desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), utilizado por profissionais de saúde e órgãos oficiais para classificar doenças e problemas de saúde. Cada condição recebe um código alfanumérico que facilita o registro, a análise epidemiológica e a gestão de recursos de saúde.
Para a depressão, o código principal no CID 10 é F32 e suas subdivisões, além de outras categorias relacionadas, como transtornos recursivos.
Classificação da Depressão no CID 10
Códigos principais relacionados à depressão
| Código | Descrição | Tipo de Depressão |
|---|---|---|
| F32 | Episódio depressivo isolado | Episódio único de depressão |
| F33 | Transtorno depressivo recorrente | Depressão que ocorre várias vezes |
| F34.1 | Estresse neurótico com Humor deprimido | Depressão neurótica |
| F38.0 | Estado emocional mórbido, sem especificação | Depressão não especificada |
| F39 | Transtorno do humor, não especificado | Categoria geral de depressão |
Episódios Depressivos (F32)
O F32 corresponde aos episódios depressivos isolados e subdivide-se de acordo com a gravidade e características de apresentação:
F32.0 — Episódio depressivo leve
- Caracteriza-se por sintomas suficientes para o diagnóstico, mas de intensidade moderada e com impacto limitado na vida diária.
F32.1 — Episódio depressivo moderado
- Apresenta sintomas mais intensos e uma maior interferência nas atividades cotidianas.
F32.2 — Episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos
- Sintomas severos, impacto significativo na funcionalidade, mas sem sintomas psicóticos associados.
F32.3 — Episódio depressivo grave com sintomas psicóticos
- Inclui delírios, alucinações ou outros sintomas psicóticos sincronizados com o humor depressivo.
F32.9 — Episódio depressivo, não especificado
- Quando a gravidade ou características específicas não estão completamente detalhadas.
Transtorno depressivo recorrente (F33)
Este código refere-se a episódios de depressão que se repetem ao longo do tempo, com períodos de remissão entre eles, sendo subdividido em:
| Código | Descrição | Frequência |
|---|---|---|
| F33.0 | Transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderado | Episódios recorrentes de intensidade moderada |
| F33.1 | Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave, sem sintomas psicóticos | Episódios mais severos, sem sintomas psicóticos |
| F33.2 | Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com sintomas psicóticos | Episódios graves com sintomas psicóticos |
| F33.3 | Transtorno depressivo recorrente, episódios parcialmente remissivos | Períodos entre episódios com sintomas leves ou ausentes |
Critérios Diagnósticos de Depressão segundo o CID 10
Critérios principais para diagnóstico de episódio depressivo (F32 – F33):
- Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias.
- Perda de interesse ou prazer em atividades anteriormente apreciadas.
- Alterações no peso ou apetite.
- Distúrbios do sono (insônia ou hipersonia).
- Alterações psicomotoras (agitação ou retardo).
- Fadiga ou perda de energia.
- Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva.
- Dificuldade de pensar, concentrar-se ou tomar decisões.
- Pensamentos de morte ou suicídio.
Para o diagnóstico, pelo menos cinco desses sintomas devem estar presentes na maior parte do dia, quase todos os dias, durante um período de pelo menos duas semanas.
Como o profissional de saúde realiza o diagnóstico?
O diagnóstico de depressão, segundo o CID 10, deve ser realizado por um médico psiquiatra ou profissional de saúde mental qualificado, que avalia os sintomas, história clínica, impacto na vida do paciente e exclui outras possíveis causas para os sintomas apresentados.
Importante: A utilização de instrumentos de avaliação, entrevistas clínicas estruturadas e critérios específicos garantem maior precisão no diagnóstico e na categorização do episódio depressivo.
A importância do CID 10 na prática clínica e na saúde pública
O CID 10 é essencial para:
- Padronizar diagnósticos e facilitar a comunicação entre profissionais de saúde.
- Planejar políticas públicas e estratégias de saúde mental.
- Registrar dados epidemiológicos que auxiliam na compreensão da prevalência e distribuição da depressão.
- Aprimorar tratamentos por identificar a gravidade e o padrão do transtorno.
Segundo a OMS, a classificação correta permite uma intervenção mais eficiente e direcionada, reduzindo o impacto social e econômico da depressão.
Dicas para pacientes e familiares
- Procure ajuda profissional ao perceber sintomas de humor deprimido persistente.
- Não ignore os sinais de depressão, pois o tratamento é eficaz em grande parte dos casos.
- Mantenha uma rotina de atividades físicas, alimentação saudável e sono regular.
- Busque apoio emocional de familiares e amigos.
- Quanto mais cedo for o diagnóstico, melhores serão as chances de recuperação.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Qual o código do CID 10 para depressão?
O principal código para episódios depressivos é F32, e para transtorno depressivo recorrente, F33.
2. Quantos tipos de depressão existem no CID 10?
O CID 10 classifica a depressão em episódios isolados (F32), transtornos recorrentes (F33), além de categorias relacionadas a estados emocionais mórbidos e não especificados.
3. Como saber se uma pessoa está realmente deprimida?
Sintomas como humor persistentemente triste, perda de interesse, alterações no sono e apetite, fadiga, sentimentos de inutilidade e pensamentos suicidas podem indicar depressão. Um diagnóstico formal deve ser feito por um profissional.
4. A depressão sempre requer tratamento medicamentoso?
Nem sempre. O tratamento pode incluir psicoterapia, suporte social, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, medicamentos antidepressivos, dependendo da gravidade e da avaliação médica.
5. Como o CID 10 ajuda no tratamento?
Ao categorizar e classificar a depressão, o CID 10 fornece critérios claros para diagnóstico, orientando profissionais na elaboração de planos de tratamento individualizados e eficazes.
Conclusão
O entendimento do CID 10 para depressão é fundamental para profissionais de saúde, pacientes e familiares. A correta classificação e diagnóstico levam a tratamentos mais eficazes e uma melhor compreensão da prevalência e impacto da depressão na sociedade. Como destacou o psiquiatra Carl Jung, “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”. A atenção aos sintomas e ao diagnóstico precoce podem transformar vidas e promover uma recuperação mais rápida e sustentável.
Se você ou alguém próximo apresenta sinais de depressão, busque ajuda especializada. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de uma vida mais equilibrada e saudável.
Referências
Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). Disponível em: https://icd.who.int/browse10/2019/en
Ministério da Saúde. Guia de Atenção à Saúde Mental. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_atencao_saude_mental.pdf
Instituto de Psicologia de São Paulo. Diagnóstico e classificação da depressão segundo o CID 10. Disponível em: https://www.psicologia.com.br
Este artigo foi elaborado com o objetivo de oferecer informações úteis e confiáveis, mas não substitui avaliação médica especializada.
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