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CID 10 I 10: Hipertensão Essencial Primária e Diagnóstico

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A hipertensão arterial é uma das condições de saúde mais predominantes mundialmente, afetando milhões de pessoas e representando um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, renais e cerebrovasculares. No Brasil, ela é classificada sob o código CID 10 I 10, que corresponde à Hipertensão Essencial ou Primária. Compreender o diagnóstico, os fatores de risco e o manejo adequado dessa condição é fundamental para promover a saúde e prevenir complicações graves. Este artigo aborda de forma detalhada o que é a hipertensão essencial primária, seus critérios diagnósticos, abordagens de tratamento e dicas para o acompanhamento clínico.

O que é o CID 10 I 10?

Definição

A classificação internacional de doenças, CID 10, é uma ferramenta amplamente utilizada na área da saúde para registrar diagnósticos clínicos. O código I 10 refere-se à Hipertensão Primária ou Essencial, que corresponde a episódio de pressão arterial elevada sem uma causa identificável específica, diferentemente da hipertensão secundária, que possui uma causa determinada, como problemas renais ou endócrinos.

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Importância do diagnóstico correto

Identificar corretamente a hipertensão essencial é primordial, pois ela representa aproximadamente 90-95% dos casos de hipertensão arterial. Além disso, sua detecção precoce permite estratégias de intervenção que podem evitar complicações sérias, como infarto, AVC e insuficiência renal.

Hipertensão essencial primária: conceito, causas e fatores de risco

O que caracteriza a hipertensão essencial primária?

A hipertensão essencial é definida por uma elevação sustentada da pressão arterial (PA) devido a fatores que ainda não são totalmente compreendidos. Ela difere da hipertensão secundária, que tem uma causa conhecível, como doenças renais ou alterações hormonais.

Causas e fatores de risco

Embora a causa exata da hipertensão essencial ainda seja incerta, diversos fatores contribuem para seu desenvolvimento:

Fatores de RiscoDescrição
IdadeO risco aumenta com o avanço da idade.
Histórico familiarPredisposição genética é um fator importante.
Obesidade e sobrepesoContribui para o aumento da resistência vascular e cardíaca.
SedentarismoFalta de atividade física limita a capacidade cardiovascular.
Alimentação inadequadaAlto consumo de sódio, gordura saturada e pobre em potássio favorece a elevação da pressão arterial.
Consumo excessivo de álcoolPode aumentar a pressão arterial e sobrecarregar o sistema cardiovascular.
Estresse crônicoContribui para a elevação temporária e sustentada da pressão arterial.
TabagismoOs nicotinos e outras substâncias prejudicam a saúde dos vasos sanguíneos.

Mecanismos fisiopatológicos

A hipertensão primária decorre de uma combinação de fatores, incluindo aumento da resistência vascular periférica, ativação do sistema nervoso simpático, disfunção endotelial e alterações na regulação renal do volume sanguíneo.

Diagnóstico da hipertensão arterial (CID 10 I 10)

Critérios laboratoriais e clínicos

O diagnóstico da hipertensão essencial ocorre a partir da medição de pressão arterial confiável, seguindo os critérios estabelecidos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e outras entidades médicas internacionais.

Como medir a pressão arterial corretamente?

A medição deve ser feita em ambiente tranquilo, com o paciente sentado, braço apoiado na altura do coração, após 5 minutos de repouso, usando equipamento calibrado. Recomenda-se realizar pelo menos duas leituras em dias diferentes.

Critérios diagnósticos

CategoriaValor de Pressão ArterialObservação
Normal< 120 / < 80 mmHgManutenção de hábitos saudáveis.
Elevada (pré-hipertensão)120-129 / < 80 mmHgMonitorar e melhorar estilo de vida.
Hipertensão estágio 1130-139 / 80-89 mmHgPotencial início de tratamento.
Hipertensão estágio 2≥ 140 / ≥ 90 mmHgIniciar ou ajustar tratamento.

Importante: O diagnóstico definitivo deve ser confirmado com leituras em pelo menos duas consultas diferentes.

Exames complementares

Apesar de a hipertensão essencial ser diagnosticada clinicamente, exames complementares ajudam a avaliar danos ou comorbidades:

  • Hemograma completo
  • Creatinina e ureia
  • Perfil lipídico
  • Eletrocardiograma
  • Ecocardiograma, se necessário
  • Exames de imagem renal ou cerebral, em caso de suspeita de complicações

A importância do diagnóstico precoce

Segundo o cardiologista Dr. Carlos Alberto Nery, "a hipertensão muitas vezes é silenciosa, sem sintomas claros, mas seu impacto na saúde é profundo. Detectá-la cedo é fundamental para prevenir suas complicações."

Tratando a hipertensão CID 10 I 10

Mudanças no estilo de vida

A primeira abordagem para pacientes com hipertensão arterial deve incluir mudanças no estilo de vida:

  • Dieta balanceada: Reduzir o consumo de sódio, aumentar a ingestão de frutas, vegetais e fibras.
  • Atividade física regular: Pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana.
  • Controle do peso: Perda de peso em casos de obesidade.
  • Redução do consumo de álcool e tabaco
  • Gerenciamento do estresse

Tratamento medicamentoso

Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar a pressão arterial, inicia-se a terapia medicamentosa, que será individualizada conforme o perfil do paciente. Os principais grupos de medicamentos incluem:

  • Diuréticos
  • Beta-bloqueadores
  • Inibidores da ECA
  • Bloqueadores de receptor de angiotensina (BRA)
  • Cálcio antagonistas

Tabela: Classes de medicamentos antihipertensivos

ClasseMecanismo de AçãoExemplos
Diuréticos de alça e tiazídicosAumentam eliminação de sódio e água, reduzindo o volume sanguíneoHydroclorotiazida, Furosemida
Beta-bloqueadoresReduzem a frequência cardíaca e resistência vascularMetoprolol, Propranolol
Inibidores da ECAVasodilatação, bloqueando a conversão de angiotensina I em IIEnalapril, Ramipril
Cálcio antagonistasRelaxam a musculatura dos vasos sanguíneosAmlodipina, Nifedipina
Bloqueadores de receptor de angiotensina (BRA)Vasodilatação e redução da resistência vascularLosartana, Valsartana

Seguimento clínico

O acompanhamento regular é essencial para ajuste de medicação, avaliação de efeitos colaterais e monitoramento de possíveis danos. Recomenda-se consulta a cada 3 a 6 meses até o controle adequado.

Perguntas frequentes

1. Qual a diferença entre hipertensão primária e secundária?

A hipertensão primária, ou essencial, não possui causa definida, sendo relacionada a fatores genéticos e de estilo de vida. Já a hipertensão secundária decorre de condições específicas, como doenças renais, endocrinopatias ou uso de certos medicamentos.

2. Quais são os sintomas da hipertensão?

Geralmente, a hipertensão é assintomática. Alguns pacientes podem relatar dores de cabeça, cefaleia, tontura ou palpitações, mas esses sintomas não são específicos, por isso a medição regular da pressão arterial é fundamental.

3. A hipertensão pode ser curada?

Na maioria dos casos de hipertensão essencial, o objetivo é o controle adequado da pressão arterial, permitindo uma vida saudável sem complicações. Com o tratamento e mudanças de hábitos, é possível manter a pressão sob controle.

4. Como evitar a hipertensão?

Adotar hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada com baixo sódio, prática regular de exercícios físicos, controle do peso, evitar tabaco e álcool, além de realizar check-ups periódicos, são as melhores estratégias para prevenção.

Conclusão

A CID 10 I 10, referente à hipertensão essencial primária, representa um desafio na saúde pública devido à sua elevada prevalência e risco de complicações sérias. O diagnóstico precoce aliado a uma abordagem multidisciplinar, envolvendo mudanças no estilo de vida, acompanhamento clínico e, quando necessário, medicação, é fundamental para reduzir o impacto desta condição.

A conscientização sobre os fatores de risco, a importância da medição regular da pressão arterial e o acompanhamento médico adequado formam a base para a prevenção eficaz e o manejo bem-sucedido da hipertensão.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes de hipertensão arterial sistêmica. Accessed October 2023.
  2. World Health Organization. Hypertension. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/hypertension.
  3. Ministério da Saúde. Guia de atenção à hipertensão arterial. Ministério da Saúde do Brasil, 2020.
  4. Nery, C. A. et al. “Hipertensão arterial: diagnóstico, tratamento e prevenção.” Revista Brasileira de Cardiologia, 2021.

Quer saber mais? Para aprofundar seus conhecimentos, consulte sempre um profissional de saúde qualificado e mantenha seus hábitos de vida sob controle!