CID 10 F90.1; Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) - Guia Completo
O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma das condições neuropsiquiátricas mais comuns em crianças, adolescentes e até adultos. Classificado na CID 10 pelo código F90.1, o TDAH apresenta sintomas que impactam significativamente na vida acadêmica, social e profissional de quem convive com ele. Este guia completo tem como objetivo esclarecer dúvidas, oferecer informações atualizadas e orientar pais, professores, profissionais de saúde e indivíduos sobre esse transtorno tão relevante na saúde mental contemporânea.
Nos últimos anos, o entendimento acerca do TDAH evoluiu bastante, ampliando a perspectiva de que ele não é apenas uma condição infantil, mas pode persistir na vida adulta. Assim, a busca por diagnóstico, tratamento e compreensão adequada é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos afetados.

O que é o CID 10 F90.1?
Definição e Classificação
O CID 10 F90.1 refere-se ao Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), uma condição neurológica que caracteriza-se por um padrão persistente de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Esses sintomas devem estar presentes por um período de pelo menos seis meses e comprometer o funcionamento social, acadêmico ou profissional.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o TDAH é uma das perturbações neurodesenvolvimentais mais prevalentes, afetando aproximadamente 5% das crianças em idade escolar. A prevalência também é significativa em adultos, com estimativas apontando para cerca de 2,5% a 4% da população adulta mundial.
Sintomas do TDAH
Os sintomas do TDAH podem variar em intensidade e apresentação, podendo se dividir em três categorias principais:
- Desatenção: dificuldade de manter o foco, cometer erros por descuido, perder objetos, esquecimento de compromissos.
- Hiperatividade: inquietação, dificuldade de ficar parado, sensação de agitação constante.
- Impulsividade: dificuldade de esperar a sua vez, interromper os outros, agir sem pensar nas consequências.
Diagnóstico
O diagnóstico do TDAH deve ser realizado por um profissional de saúde mental qualificado, levando em consideração avaliações clínicas detalhadas, entrevistas com familiares e professores, e uso de instrumentos padronizados. Não há exame laboratorial específico para confirmar o transtorno; trata-se de uma avaliação clínica criteriosa.
Características do TDAH em Crianças e Adultos
Embora os sintomas de TDAH possam parecer semelhantes em diferentes idades, sua manifestação varia ao longo do ciclo de vida.
TDAH em Crianças
Na infância, o TDAH costuma se apresentar com maior intensidade de hiperatividade e impulsividade. Crianças podem apresentar:
- Dificuldade em permanecer sentadas
- Problemas para concluir tarefas
- Freqente interrupção em sala de aula
- Comportamento impulsivo que pode gerar problemas sociais
TDAH em Adultos
Em adultos, os sintomas podem se transformar em dificuldades de organização, procrastinação, desmotivação e problemas de relacionamento. A hiperatividade física tende a diminuir, mas a inquietação mental persiste.
Tabela comparativa: TDAH em crianças x adultos
| Aspecto | Crianças | Adultos |
|---|---|---|
| Hiperatividade | Inquietação motora intensa | Sensação de inquietação, menor movimento físico |
| Comportamento impulsivo | Interrupções frequentes, fala impulsiva | Decisões precipitadas, dificuldade de esperar |
| Atenção | Dificuldade de focar em tarefas escolares | Problemas na organização, procrastinação |
| Sintomas emocionais | Irritabilidade, baixa tolerância à frustração | Problemas de autoestima, ansiedade |
Causas e Fatores de Risco
O TDAH é uma condição multifatorial, onde fatores genéticos desempenham papel central. Estudos indicam que o risco de desenvolver o transtorno é maior se houver casos na família.
Fatores genéticos
Pesquisas sugerem que o TDAH tem forte componente hereditário, com herança de genes ligados à dopamina, neurotransmissor envolvido na atenção e no controle de impulsos.
Fatores ambientais
- Exposição a toxinas durante a gestação (como álcool, tabaco, drogas)
- Baixo peso ao nascer
- Prematuridade
- Ambientes de alto estresse familiar
Tratamento do TDAH
O tratamento do TDAH deve ser multidisciplinar, envolvendo medicamentos, terapia psicológica, intervenções educacionais e mudanças no estilo de vida.
Medicações
Os fármacos psicostimulantes, como metilfenidato e anfetaminas, são frequentemente utilizados e possuem comprovada eficácia. Além disso, medicamentos não estimulantes também podem ser indicados.
Psicoterapia
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é eficaz para ajudar o paciente a desenvolver habilidades de organização, controle emocional e manejo da impulsividade.
Intervenções educacionais
Adaptação do ambiente escolar, uso de recursos pedagógicos específicos e acompanhamento frequente são essenciais para promover o学习 sucesso.
Estilo de vida
Rotinas estruturadas, exercícios físicos, alimentação equilibrada e técnicas de mindfulness contribuem para o controle dos sintomas.
Considerações Importantes e Legislação
Em muitos países, incluindo o Brasil, o diagnóstico de TDAH pode garantir acessos a direitos específicos na educação e na saúde. O Lei nº 12.764/2012, por exemplo, reconhece o transtorno como uma deficiência, assegurando direitos de inclusão social e acesso a tratamentos.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. O TDAH desaparece com o tempo?
Não necessariamente. Em alguns casos, sintomas podem diminuir com a maturidade, mas muitos adultos continuam apresentando sinais de TDAH, mesmo que em intensidade reduzida.
2. O TDAH pode ser curado?
Não existe cura definitiva para o TDAH. No entanto, com o tratamento adequado, é possível gerenciar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida.
3. Quais profissionais devo procurar?
Psiquiatras, psicólogos, neuropediatras e neuropsicólogos são os profissionais indicados para diagnóstico e tratamento do TDAH.
4. Como posso ajudar meu filho com TDAH na escola?
Procure conversar com a equipe pedagógica, solicitar adaptações necessárias, reforçar rotinas e oferecer apoio emocional constante.
5. O TDAH pode coexistir com outras condições?
Sim. O TDAH frequentemente ocorre juntamente com outras condições, como ansiedade, depressão, dificuldades de aprendizagem e transtornos de conduta.
Conclusão
O CID 10 F90.1 é uma classificação que representa o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, uma condição que impacta a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. A compreensão, diagnóstico precoce e tratamento adequado são essenciais para promover uma melhor qualidade de vida.
Apesar de ser uma condição neurodesenvolvimental, o TDAH pode ser gerenciado com sucesso por meio de estratégias integradas que envolvem medicamentos, terapias e suporte social. A informação, empatia e acompanhamento contínuo fazem toda a diferença na trajetória de quem convive com o transtorno.
“O primeiro passo para ajudar alguém com TDAH é entender que eles não escolhem ter esses sintomas, assim como não escolheriam ser diferentes.” — Autor desconhecido
Para aprofundar seu conhecimento, consulte também materiais disponíveis em sites especializados, como o Ministério da Saúde e o Instituto Brasileiro de Neurodesenvolvimento.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Lausanne: OMS, 1992.
- Ministério da Saúde. Atenção ao Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.
- Biederman, J., & Faraone, S. V. (2005). Attention-deficit hyperactivity disorder. The Lancet, 366(9481), 237-248.
- Silva, C. F., & Machado, A. K. (2017). TDAH na infância e adolescência: diagnóstico e tratamento. Revista Brasileira de Pediatria, 95(3), 316-324.
- Lei nº 12.764/2012. Dispõe sobre o atendimento às pessoas com transtorno do espectro autista e dá outras providências.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
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