CID 10 F60.2 - Transtorno da Personalidade Borderline: Guia Completo
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), classificado na CID 10 sob o código F60.2, é uma condição psicológica que afeta significativamente a vida de quem o possui, influenciando seus relacionamentos, emoções e comportamentos. Apesar de ser um dos transtornos de personalidade mais conhecidos, ainda há bastante confusão e estigma associados ao tema. Este artigo tem como objetivo oferecer um guia completo sobre o CID 10 F60.2, abordando suas características, sintomas, causas, diagnóstico, tratamento e dicas importantes para quem convive com essa condição.
O que é o CID 10 F60.2?
O código F60.2 na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) refere-se ao Transtorno de Personalidade Borderline. Essa condição é caracterizada por um padrão constante de instabilidade nas relações interpessoais, na autoimagem e na afetividade, além de uma impulsividade marcante.

Definição e características principais
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Transtorno de Personalidade Borderline apresenta-se com padrões persistentes de instabilidade emocional, comportamentos impulsivos e dificuldades nas relações sociais e familiares. Pessoas com esse transtorno muitas vezes experimentam emoções intensas e rápidas, que podem oscilar entre a tristeza profunda e a euforia.
Características do Transtorno de Personalidade Borderline
Sintomas comuns
- Instabilidade emocional: mudanças rápidas de humor que podem durar horas ou dias.
- Medo intenso de abandono: preocupação constante que leva a esforços desesperados para evitar a separação.
- Dificuldade nas relações interpessoais: relações intensas e instáveis, passando de idealização a desvalorização.
- Comportamentos impulsivos: gastos excessivos, abuso de substâncias, comportamento sexual irresponsável ou automutilação.
- Imagem própria instável: sensação de vazio e dificuldades em manter uma autoimagem coerente.
- Ideação paranoide ou dissociação sob estresse.
Tabela de sintomas do CID 10 F60.2
| Categoria | Sintomas |
|---|---|
| Instabilidade emocional | Humores intensos, irritabilidade, ansiedade |
| Medo de abandono | Comportamento desesperado para evitar separação |
| Relações interpessoais | Relações de alta intensidade e conflito |
| Impulsividade | Impulsos que colocam a si ou aos outros em risco |
| Autoimagem instável | Sentimentos de vazio, dúvidas sobre si mesmo |
| Comportamento autodestrutivo | Automutilação, tentativa de suicídio |
Causas e fatores de risco
Embora as causas exatas ainda não sejam completamente compreendidas, diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento do F60.2:
- Genética: histórico familiar de transtornos de personalidade ou problemas psiquiátricos.
- Trauma na infância: abuso, negligência, abandono ou outras experiências traumáticas na infância.
- Disfunções neurobiológicas: desequilíbrios nos neurotransmissores que regulam o humor.
- Ambiente familiar disfuncional: relações familiares conturbadas, negligência ou excesso de críticas.
Segundo a psicoterapeuta Dra. Ana Paula Nóbrega, "a combinação de fatores biológicos e ambientais predispoe ao desenvolvimento do Transtorno Borderline, mas a terapia adequada pode promover uma melhora significativa."
Diagnóstico do CID 10 F60.2
Como é realizado?
O diagnóstico do F60.2 é clínico, realizado por um psiquiatra ou psicólogo qualificado, que avalia os sintomas conforme critérios estabelecidos na CID 10. Não há exames laboratoriais específicos; a avaliação inclui entrevista clínica, histórico de vida e análise comportamental.
Perguntas frequentes sobre diagnóstico
É possível diagnosticar esse transtorno na infância?
Resposta: Geralmente, os sintomas se manifestam na adolescência ou na idade adulta jovem. Diagnósticos precoces podem ajudar no manejo precoce.O transtorno pode ser confundido com outros transtornos mentais?
Resposta: Sim, sinais similares podem ocorrer em outros transtornos, como Transtorno Bipolar ou Transtorno de Impulsividade. A avaliação profissional é essencial.
Tratamento do CID 10 F60.2
Tipos de abordagens terapêuticas
| Tipo de Tratamento | Descrição | Eficácia |
|---|---|---|
| Psicoterapia | Terapias específicas, como Terapia Dialética Comportamental (TDC) e Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). | Altamente recomendada e eficiente na redução de sintomas. |
| Medicação | Antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos para controlar sintomas específicos. | Complementar ao tratamento psicológico. |
| Grupos de apoio | Apoio de grupos e redes de suporte para compartilhar experiências. | Auxilia na redução do sentimento de isolamento. |
Terapia Dialética Comportamental (TDC)
A TDC foi desenvolvida especificamente para tratar o TPB, focando na regulação emocional, tolerância ao sofrimento e fortalecimento dos relacionamentos. Segundo estudos, pacientes submetidos à TDC apresentam melhora significativa na estabilidade emocional e no controle impulsivo.
Importância do acompanhamento profissional
O tratamento do CID 10 F60.2 requer acompanhamento contínuo por profissional qualificado, além de apoio familiar e social. Com diagnóstico precoce e terapias adequadas, é possível alcançar uma melhora significativa na qualidade de vida.
Dicas para quem convive com o transtorno
- Buscar ajuda especializada assim que perceber sintomas.
- Manter uma rotina estruturada e saudável.
- Desenvolver habilidades de enfrentamento emocional.
- Participar de grupos de apoio e terapia.
- Informar amigos e familiares sobre o transtorno para garantir compreensão e suporte.
Perguntas frequentes (FAQ)
O Transtorno Borderline é incurável?
Resposta: Não, o TPB não tem cura definitiva, mas é totalmente tratável. Com terapia e medicamentos, muitas pessoas conseguem viver de forma equilibrada.
É possível conviver com o transtorno sem tratamento?
Resposta: Embora seja possível, a ausência de tratamento aumenta o risco de complicações, como automutilação, tentativas de suicídio e problemas nas relações.
Quais profissionais devo procurar?
Resposta: Psiquiatras, psicólogos e terapeutas especializados em transtornos de personalidade são indicados para diagnóstico e tratamento.
Quais são os riscos de não tratar o CID 10 F60.2?
Resposta: Os riscos incluem aprofundamento dos sintomas, dificuldades nas relações, automutilação e maior chance de comorbidades psiquiátricas.
Conclusão
O CID 10 F60.2, que corresponde ao Transtorno de Personalidade Borderline, é uma condição que afeta profundamente a vida de quem convive com ela. Entretanto, com diagnóstico correto, tratamento adequado e suporte multidisciplinar, é possível obter uma melhora significativa e promover uma maior qualidade de vida. É fundamental combater o estigma e entender que o TPB é uma condição clínica, que requer atenção, paciência e compreensão.
Para saber mais, visite os sites oficiais da Associação Brasileira de Psiquiatria e o Ministério da Saúde.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. CID-10: Classificação Internacional de Doenças. 10ª edição, 2010.
- Linehan, M. M. (1993). Cognitive-Behavioral Treatment of Borderline Personality Disorder.
- American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5).
- Nóbrega, A. P. (2022). "Terapia Dialética Comportamental: uma abordagem eficaz para transtornos de personalidade". Revista Brasileira de Psicoterapia.
- Ministério da Saúde. (2023). Guia de Diagnóstico e Tratamento do Transtorno Borderline.
Este artigo foi elaborado para informar e orientar sobre o CID 10 F60.2 e o Transtorno de Personalidade Borderline, promovendo conscientização e incentivo ao cuidado profissional.
MDBF