CID 10 F 72: Entenda o Transtorno de Personalidade Esquiva
O Transtorno de Personalidade Esquiva é uma condição psicológica que afeta a forma como a pessoa percebe a si mesma e interage com o mundo ao seu redor. Classificado pelo código CID 10 F 72, ele é uma das categorias de transtornos de personalidade que demanda atenção especializada. Apesar de não ser tão conhecido quanto outros transtornos, compreender suas características, causas e tratamentos é fundamental para promover uma melhor qualidade de vida para quem sofre com essa condição.
Este artigo tem como objetivo explicar detalhadamente o que é o CID 10 F 72, discutir suas principais manifestações, fatores de risco, diagnóstico, tratamento e oferecer orientações valiosas para familiares e profissionais da saúde mental.

O que é o Transtorno de Personalidade Esquiva?
Definição
O Transtorno de Personalidade Esquiva é uma condição psicológica caracterizada por um padrão duradouro de inibição social, sentimentos de inadequação e alta sensibilidade à crítica. Pessoas com esse transtorno geralmente evitam atividades sociais, relacionamentos e oportunidades por medo de rejeição ou humilhação.
Classificação no CID 10
No CID 10, o transtorno é classificado como F 72 e faz parte do grupo de transtornos de personalidade, mais precisamente sob o código F60, que abrange diferentes tipos de transtornos de personalidade.
Tabela 1: Classificação do CID 10 F 72
| Código CID | Descrição | Categoria |
|---|---|---|
| F60.6 | Transtorno de personalidade esquiva | Transtornos de personalidade |
Características do Transtorno de Personalidade Esquiva
Principais sintomas
- Inibição social excessiva, mesmo desejando conexão com as pessoas;
- Medo intenso de crítica ou rejeição, levando ao isolamento;
- Sentimentos de inadequação e baixa autoestima;
- Evitar atividades que envolvam contato social ou novas experiências;
- Sensibilidade extrema a comentários negativos ou feedbacks críticos;
- Dificuldade em estabelecer relacionamentos íntimos por medo de rejeição.
Diferenças em relação a outros transtornos
Ao contrário do timidez comum, o transtorno de personalidade esquiva é mais intenso, persistente e prejudica significativamente a vida do indivíduo. É importante distinguir o transtorno de outras condições, como transtorno de ansiedade social, embora haja sobreposição.
Causas e fatores de risco
A origem do Transtorno de Personalidade Esquiva ainda não é totalmente compreendida, mas estudos indicam uma combinação de fatores biológicos, ambientais e pessoais.
Fatores genéticos
Existem evidências de predisposição genética, onde familiares próximos podem apresentar sintomas semelhantes. Essa hereditariedade sugere que fatores genéticos desempenham papel na vulnerabilidade ao transtorno.
Experiências na infância
Experiências de rejeição, abuso, ou críticas severas na infância aumentam o risco de desenvolver o transtorno. Crianças que crescem em ambientes de aceitação limitada tendem a internalizar esses padrões de comportamento.
Personality traits
Indivíduos com alta sensibilidade emocional, baixa autoestima e falta de habilidades sociais também apresentam maior probabilidade de desenvolver o transtorno.
Diagnóstico
Critérios clínicos
O diagnóstico do CID 10 F 72 é realizado por profissionais de saúde mental através de entrevistas clínicas detalhadas, avaliação do histórico de vida e uso de instrumentos padronizados.
Perguntas frequentes no diagnóstico
- Você evita situações sociais por medo de ser julgado?
- Você sente que é inadequado ou inferior às outras pessoas?
- Suas ações são influenciadas pelo medo de rejeição?
Tratamento do CID 10 F 72
Terapias recomendadas
- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): ajuda a modificar padrões de pensamento negativos e promove habilidades sociais.
- Terapia de grupo: oferece um ambiente seguro para praticar interações sociais.
- Medicamentos: podem ser utilizados para tratar sintomas de ansiedade ou depressão concomitantes, sob recomendação médica.
Importância do apoio familiar
O suporte de familiares e amigos próximos é fundamental na recuperação. Compreender e estimular o indivíduo ajuda na redução do isolamento social.
Prognóstico
Com tratamento adequado, muitas pessoas conseguem gerenciar os sintomas e melhorar sua autoestima e habilidades sociais. Porém, o transtorno pode persistir por toda a vida se não for tratado.
Como lidar com o transtorno de personalidade esquiva
- Incentive a busca por ajuda profissional;
- Promova um ambiente de aceitação e compreensão;
- Evite críticas ou cobranças excessivas;
- Estimule pequenas ações sociais de forma gradual;
- Reforce os avanços, por menores que sejam.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. CID 10 F 72 é um transtorno de personalidade severo?
Sim, caracteriza-se por uma inibição social significativa que prejudica a vida do indivíduo, embora apresente possibilidades de gerenciamento através de tratamento adequado.
2. Como diferenciar o transtorno esquiva de timidez comum?
A timidez é passageira e não impede o funcionamento diário, enquanto o transtorno esquiva é mais intenso, persistente e causa sofrimento e isolamento prolongados.
3. O transtorno pode desaparecer com o tempo?
Com tratamento adequado e suporte, os sintomas podem ser controlados e a qualidade de vida melhorada. No entanto, requer intervenção contínua.
4. Pessoas com transtorno de personalidade esquiva podem ter relacionamentos amorosos?
Sim, embora a dificuldade seja maior devido ao medo de rejeição, com apoio psicológico, podem estabelecer e manter relacionamentos saudáveis.
Conclusão
O CID 10 F 72, representando o Transtorno de Personalidade Esquiva, é uma condição que exige atenção especializada e compreensão. Muitas pessoas convivem com esse distúrbio sem saber, o que aumenta seu sofrimento e limitações sociais.
No entanto, é fundamental salientar que o tratamento, que combina terapia, apoio emocional e, quando necessário, medicação, pode transformar a vida desses indivíduos, ajudando-os a superar seus medos e inseguranças. Como afirmou Carl Jung, renomado psicólogo, "Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta", ressaltando a importância do autoconhecimento e do cuidado psicológico.
Se você ou alguém que conhece apresenta sinais do transtorno, procure ajuda profissional. Com dedicação e o suporte adequado, a jornada rumo ao equilíbrio psicológico é possível.
Referências
- World Health Organization. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). 10ª revisão. 1992.
- American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). 2013.
- Ministério da Saúde. Transtornos de Personalidade: Guia para Avaliação e Tratamento. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
- Portal da Psicologia — Informações sobre transtornos de personalidade.
- Psicologia Viva — Psicólogos especializados em transtornos de personalidade.
Este artigo foi elaborado com o objetivo de fornecer informações educativas e não substitui avaliação ou tratamento profissional.
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