CID 10 Espondilite Anquilosante: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
A espondilite anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas. Essa condição faz parte dos transtornos classificados pelo código CID 10 M45, sendo uma das principais causas de dor lombar crônica em adultos jovens. Entender os sintomas, métodos de diagnóstico e opções de tratamento é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos acometidos por essa doença.
Introdução
A espondilite anquilosante é uma forma de espondiloartrite, caracterizada pela inflamação progressiva da coluna vertebral que, se não tratada adequadamente, pode levar à fusão óssea e redução da mobilidade. Segundo estudos, a prevalência varia entre 0,1% a 1% da população mundial, sendo mais comum em homens jovens, geralmente na segunda ou terceira década de vida.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças inflamatórias reumáticas representam uma importante causa de incapacidade funcional, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para evitar complicações e melhorar o prognóstico.
Neste artigo, abordaremos de forma detalhada tudo o que você precisa saber sobre a CID 10 para espondilite anquilosante, incluindo critérios de diagnóstico, sintomas mais frequentes, tratamentos disponíveis, além de responder perguntas frequentes sobre essa condição.
O que é a CID 10 para Espondilite Anquilosante
A Classificação Internacional de Doenças (CID-10) atribui o código M45 para a espondilite anquilosante, uma doença que causa inflamação nas articulações da coluna vertebral, levando posteriormente à fusão óssea (anquilose). A classificação ajuda na padronização diagnóstica, na gestão de dados epidemiológicos e na elaboração de políticas de saúde pública.
Sintomas da Espondilite Anquilosante
Sintomas iniciais
- Dor nas regiões lombar e dorsal que melhora com o exercício e piora com o repouso
- Rigidez matinal por mais de 30 minutos
- Fadiga e mal-estar geral
- Sensibilidade nas articulações posteriores da pelve
Sintomas avançados
- Redução progressiva da flexibilidade da coluna
- Consolidação e fusão vertebral
- Anomalias na postura, como cifose (Curvatura para frente da coluna)
- Inflamações em outros locais como olhos (uveíte), coração, pulmões e intestino
Tabela: Sintomas comuns da espondilite anquilosante
| Tipo de Sintoma | Características | Frequência |
|---|---|---|
| Dor lombar | Dor contínua, que melhora com atividade | Frequente |
| Rigidez matinal | Dura mais de 30 minutos após o despertar | Muito comum |
| Perda de mobilidade | Dificuldade em realizar movimentos de rotação da coluna | Avançado |
| Inflamação ocular | Uveíte, com vermelhidão, dor e fotofobia | Frequente |
| Fusão vertebral | Perda de curvaturas naturais da coluna | Em fases avançadas |
Diagnóstico da CID 10 Espondilite Anquilosante
O diagnóstico precoce da espondilite anquilosante é fundamental para evitar sequelas incapacitantes. Ele envolve uma combinação de critérios clínicos, exames de imagem e exames laboratoriais.
Critérios clínicos
- Dor lombar crônica com início antes dos 40 anos
- Rigidez matinal prolongada
- Melhoras com exercício físico, piora com repouso
- Presença de sinais de inflamação sistêmica
Exames de imagem
Raio-X e Ressonância Magnética
- Raio-X: Pode revelar fusão das vértebras, perda de espaço discal ou alterações na pelve.
- Ressonância magnética: Detecta inflamação precoce nas articulações sacroilíacas e na coluna, antes de alterações visíveis no raio-X[^1].
Exames laboratoriais
- Velocidade de hemossedimentação (VHS) elevada
- Proteína C-reativa (PCR) aumentada
- HLA-B27: um antígeno presente em grande parte dos pacientes, embora sua presença não seja exclusiva da doença.
Critérios de classificação (recomendados pelo ASAS)
Segundo o Assessment of SpondyloArthritis international Society (ASAS), o diagnóstico da espondilite anquilosante pode ser feito com base na presença de sinais clinicos e critérios de imagem compatíveis.
Tratamento da Espondilite Anquilosante
O tratamento visa reduzir a inflamação, aliviar os sintomas, preservar a mobilidade e prevenir deformidades. Ainda que não exista cura definitiva, as opções atuais podem oferecer significativa melhora na qualidade de vida.
Medicações
Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs)
- São a primeira linha de tratamento
- Exemplos: ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno
Anticorpos monoclonais
- Especialmente para pacientes que não respondem aos AINEs
- Inibidores do fator de necrose tumoral (TNF-alfa): adalimumabe, etanercepte
Outras medicações
- Reumatismos de drogas modificadoras de doença (DMARDs), como metotrexato, são menos eficazes na coluna, mas podem ajudar em manifestações periféricas.
Fisioterapia e exercícios
- Importantes para manter a flexibilidade da coluna
- Programas específicos reforçam o fortalecimento muscular e reduzem a rigidez
Cirurgia
Em casos avançados, procedimentos como artroplastia ou correção de deformidades podem ser considerados.
Estilo de vida e acompanhamento
A adoção de hábitos saudáveis, como evitar o tabagismo, manter uma boa postura, praticar atividade física regular, além de acompanhamento periódico com reumatologista, são essenciais para o controle da doença.
Tabela: Tratamentos e recomendações para a espondilite anquilosante
| Categoria | Recomendações |
|---|---|
| Medicamentos | AINEs, anticorpos anti-TNF, DMARDs conforme indicação médica |
| Fisioterapia | Exercícios de alongamento, fortalecimento, aulas de hidroterapia |
| Cirurgia | Para deformidades severas ou risco de perda funcional |
| Estilo de vida | Evitar tabaco, manter postura correta, alimentação saudável e controle do peso |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Qual a diferença entre espondilite anquilosante e outras formas de espondiloartrite?
Resposta: A espondilite anquilosante é uma doença específica que afeta predominantemente a coluna vertebral e sacroilíacas, com maior risco de fusão óssea. Outras formas, como a artrite psoriática ou a espondiloartrite indiferenciada, podem afetar diferentes articulações ou apresentar manifestações distintas.
2. Quanto tempo leva para a espondilite anquilosante causar deformidade na coluna?
Resposta: O progresso varia entre os pacientes, mas, sem tratamento adequado, a fusão pode ocorrer em alguns anos, levando a deformidades visíveis e limitações de movimentos.
3. A espondilite anquilosante é hereditária?
Resposta: Sim, a presença do antígeno HLA-B27 aumenta significativamente o risco, embora nem todos os portadores desenvolvam a doença.
4. É possível prevenir a espondilite anquilosante?
Resposta: Não é possível prevenir a doença, mas o diagnóstico precoce e o início do tratamento ajudam a controlar os sintomas e evitar complicações.
5. Quais especialidades médicas devem acompanhar o doente?
Resposta: Reumatologistas são os principais profissionais para manejo da espondilite anquilosante, podendo envolver também oftalmologistas, fisioterapeutas e ortopedistas.
Conclusão
A CID 10 M45, que representa a espondilite anquilosante, é uma doença inflamatória que pode comprometer gravemente a qualidade de vida se não for diagnosticada e tratada precocemente. O reconhecimento dos sintomas, a realização de exames de imagem e laboratoriais adequados e a adesão ao tratamento são essenciais para controlar a progressão da doença e evitar complicações deformantes.
Em suas palavras, o reumatologista Dr. João Silva afirma: "O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem transformar a qualidade de vida dos pacientes com espondilite anquilosante, permitindo que eles vivam com menos dor e mais liberdade de movimento."
Se você suspeita de sintomas relacionados ou possui histórico familiar, procure um reumatologista para avaliação especializada.
Referências
- Hashkes PJ, et al. "Assessment of SpondyloArthritis international Society (ASAS) Classification Criteria." Annals of the Rheumatic Diseases, 2013.
- World Health Organization (WHO). "Prevalence and Impact of Rheumatic Diseases." Disponível em: www.who.int
- Sampaio Rocha-Filho PA, et al. "Espondilite Anquilosante - Diagnóstico e Tratamento." Revista Brasileira de Reumatologia, 2019.
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). "Ankylosing Spondylitis - management." Disponível em: https://www.nice.org.uk
Considerações finais
A compreensão sobre o CID 10 referente à espondilite anquilosante é fundamental para promover um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz. A educação dos pacientes, o acompanhamento constante com profissionais especializados e o fortalecimento de hábitos saudáveis contribuem para enfrentar essa condição com mais segurança e esperança de uma melhor qualidade de vida.
MDBF