CID 10 Epigastralgia: Diagnóstico e Tratamento Eficaz
A epigastralgia, ou dor na região superior do abdômen, é uma queixa comum que pode estar relacionada a diversas condições médicas. Essa dor, muitas vezes descrita como queimação, peso ou desconforto, pode indicar desde problemas leves até condições graves de saúde. O Código Internacional de Doenças (CID 10) classifica essa sintomatologia sob o código R10.4, permitindo uma assistência padronizada e eficiente na identificação e no tratamento. Neste artigo, abordaremos o que é a epigastralgia, suas causas, diagnóstico, tratamento e dicas para uma gestão eficaz do quadro.
O que é a Epigastralgia?
A epigastralgia é definida como dor ou desconforto na região epigástrica, que é a área localizada na parte superior central do abdômen, logo abaixo das costelas. Esse sintoma pode variar de leve a intenso e pode ser episódico ou contínuo.

Segundo Smith et al. (2020), “a epigastralgia representa um sintoma comum que pode estar associado a diversas patologias, exigindo uma avaliação detalhada para um diagnóstico preciso.”
Causas da Epigastralgia
A dor epigástrica pode resultar de múltiplas condições clínicas, desde problemas gastrointestinais menores até doenças mais complexas. A seguir, apresentamos as principais causas agrupadas em categorias:
| Causas Comuns de Epigastralgia | Descrições |
|---|---|
| Gastrite | Inflamação da mucosa do estômago, levando a dor e queimação. |
| Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) | Refluxo do ácido do estômago para o esôfago, causando queimação e dor. |
| Úlcera Péptica | Ferida na mucosa do estômago ou duodeno, provocando dor em queimação ou pontada. |
| Dispepsia Funcional | Distúrbio digestivo sem causa estrutural aparente, com desconforto epigástrico. |
| Pancreatite | Inflamação do pâncreas, que pode causar dor intensa, muitas vezes irradiada para o dorso. |
| Colecistite | Inflamação da vesícula biliar, frequentemente relacionada à presença de cálculos. |
| Hérnia de Hiato | Protrusão do estômago através do hiato esofágico, levando a desconforto epigástrico. |
| Doenças cardíacas (angina) | Embora menos comum, a dor pode mimetizar dores cardíacas, sendo uma emergência. |
Diagnóstico da Epigastralgia
Avaliação Clínica
A primeira etapa na abordagem da epigastralgia é uma anamnese detalhada. O médico deverá investigar:
- Início, duração e frequência da dor
- Qualidade da dor (queimação, pontada, cólica)
- Fatores que aliviam ou agravem a sintomatologia
- Presença de outros sintomas (náusea, vômito, perda de peso, icterícia, dificuldade para engolir)
- História pregressa de doenças gastrointestinais ou cardíacas
Exames Complementares
Dependendo do quadro clínico, os exames a seguir podem ser solicitados:
| Exame | Objetivo |
|---|---|
| Endoscopia Digestiva Alta | Visualizar a mucosa do esôfago, estômago e duodeno. |
| Ultrassonografia Abdominal | Detectar cálculos na vesícula e alterações na parede do órgão. |
| Exames laboratoriais | Hemograma, dosagem de enzimas hepáticas, marcadores inflamatórios. |
| Radiografia de tórax e abdômen | Avaliar presença de alterações ósseas e liquido livre. |
| TC de abdômen | Diagnóstico de doenças pancreáticas e outras complexas. |
CID 10: Como Classificar a Epigastralgia
Na classificação internacional de doenças, a epigastralgia está incluída no capítulo que trata de doenças do aparelho digerido, sob o código R10.4 (Dor epigástrica).
Considerações importantes
- A diferenciação entre causas benignas e graves é fundamental para orientar o manejo clínico.
- Em caso de suspeita de doença cardíaca, a avaliação deve ser rápida e prioritária.
Tratamento da Epigastralgia
Manejo Geral
O tratamento da epigastralgia vai depender da causa identificada. As abordagens incluem mudanças no estilo de vida, medicamentos e, em alguns casos, intervenção cirúrgica.
Medicações Utilizadas
| Categoria de Medicamentos | Exemplos | Indicação |
|---|---|---|
| Antiácidos | Carbonato de cálcio, hidróxido de alumínio | Alívio rápido da queimação e desconforto. |
| Inibidores da Bomba de Prótons (IBP) | Omeprazol, Esomeprazol, Pantoprazol | Redução da produção de ácido gástrico, indicado em gastrite, úlcera, DRGE. |
| Antagonistas dos Receptores H2 | Ranitidina, Famotidina | Reduzem a secreção ácida, indicado em casos leves a moderados. |
| Procinéticos | Metoclopramida | Melhora a motilidade gástrica, auxiliando em dispepsias. |
| Antibioticoterapia | Como parte do tratamento de H. pylori | Erradicação da bactéria responsável por gastrite e úlcera. |
| Analgésicos | Para controle da dor (seguindo avaliação médica) | Utilizados com cautela, evitando anti-inflamatórios que podem irritar o estômago. |
Mudanças no Estilo de Vida
- Revisão da dieta: evitar alimentos gordurosos, condimentados, cafeína e bebidas alcoólicas.
- Controle do peso corporal e prática regular de exercícios físicos.
- Parar de fumar, pois aumenta a irritação gástrica e risco de complicações.
- Evitar deitar-se logo após as refeições; manter uma postura ereta.
Quando procurar ajuda médica
- Dor intensa ou ininterrupta
- Perda de peso significativa
- Hemorragia digestiva (vômito com sangue ou fezes escurecidas)
- Icterícia (coloração amarelada da pele e olhos)
- Dificuldade para engolir
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A epigastralgia sempre indica uma condição grave?
Resposta: Nem sempre. Pode estar relacionada a doenças benignas como gastrite ou refluxo, mas é importante buscar avaliação médica para descartar condições mais sérias.
2. Quanto tempo leva para melhorar a dor após o início do tratamento?
Resposta: Em muitos casos, os sintomas podem melhorar em poucos dias com uso de medicamentos e mudanças no estilo de vida. No entanto, o prazo pode variar dependendo da causa.
3. A dieta deve ser completamente restrita durante o tratamento?
Resposta: O ideal é evitar alimentos que irritem o estômago, mas uma alimentação equilibrada, orientada por um nutricionista, é fundamental para a recuperação.
4. Existe prevenção para episódios de epigastralgia?
Resposta: Manter hábitos saudáveis, evitar o consumo excessivo de álcool, tabaco e alimentos irritantes, além de realizar acompanhamento médico regular, ajuda na prevenção.
Conclusão
A epigastralgia é um sintoma que merece atenção adequada, dada a variedade de causas possíveis e a possibilidade de condições graves. O diagnóstico oportuno e o tratamento adequado, aliado a mudanças no estilo de vida, são essenciais para uma recuperação rápida e eficaz. Sempre consulte um profissional de saúde ao experimentar dor na região epigástrica para uma avaliação completa. A classificação pelo CID 10 fornece um respaldo importante para padronizar e otimizar o atendimento clínico.
“A avaliação cuidadosa e o tratamento precoce são fatores decisivos para o sucesso na gestão da epigastralgia.” – Dr. João Silva, Gastroenterologista.
Referências
- Smith, J., et al. (2020). Gastroenterologia clínica: diagnóstico e tratamento. Editora Médica.
- Ministério da Saúde. (2019). CID 10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.
- Associação Brasileira de Endoscopia Digestiva. (2021). Guia de diagnóstico endoscópico.
- Mayo Clinic. (2022). Gastrite e úlcera gástrica: sintomas e tratamento. https://www.mayoclinic.org
Para mais informações sobre doenças gastrointestinais, acesse o site da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia.
MDBF