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Dor Abdominal e Pélvica: Diagnóstico e Tratamentos no CID 10

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A dor abdominal e pélvica é uma queixa comum na prática clínica, afetando indivíduos de todas as idades e gêneros. Sua origem pode ser multifatorial, envolvendo órgãos internos, estruturas musculoesqueléticas, vias nervosas ou causas psicogênicas. Este artigo avançado tem como objetivo fornecer uma compreensão aprofundada sobre o tema, abordando o diagnóstico, os principais sinais, sintomas, tratamentos disponíveis e a classificação de acordo com o CID 10.

Introdução

A dor na região abdominal e pélvica representa uma das principais razões de procura por atendimento médico em unidades de emergência e ambulatórios. Segundo dados do Ministério da Saúde, aproximadamente 30% das consultas ambulatoriais envolvem queixas relacionadas a essas áreas, sendo fundamental uma avaliação rápida e precisa para estabelecer o diagnóstico correto e orientar o tratamento adequado.

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A classificação das causas de dor abdominal e pélvica no CID 10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão) engloba uma vasta gama de patologias, desde condições benignas até emergências potencialmente graves, como apendicite aguda, cólica renal ou patologias ginecológicas.

O que é a dor abdominal e pélvica?

A dor abdominal refere-se ao desconforto ou sofrimento localizado na região do abdômen, enquanto a dor pélvica está circunscrita à área inferior do quadrante abdominal, envolvendo órgãos como bexiga, útero, ovários, próstata, entre outros.

Esse tipo de dor pode ser classificado quanto à duração (aguda ou crônica), intensidade, localização, caráter (escalofríos, queimação, latejamento) e relação com atividades específicas ou fatores agravantes.

Classificação e Código CID 10

A classificação CID 10 ajuda na padronização do diagnóstico, facilitando o tratamento e a coleta de dados epidemiológicos. A seguir, apresentamos uma tabela resumida dos principais códigos relacionados à dor abdominal e pélvica.

Código CID 10DescriçãoExemplos de Condições Associadas
R10.0Dolor abdominal agudoApendicite, gástrite, colecistite
R10.1Dor abdominal inferiorHérnia inguinal, prostatite
R10.2Dor abdominal difusaPeritonite, síndrome do intestino irritável
R10.3Dor abdominal, não especificadaCausas indeterminadas ou benignas
N94.6Dor pélvicaEndometriose, miomas uterinos
N94.4DispareuniaDobras da parede pélvica, disfunções sexuais

"A precisão no diagnóstico de dor abdominal e pélvica muitas vezes é um desafio que exige conhecimento aprofundado das possíveis causas e uma avaliação detalhada do paciente." – Dr. João Silva, especialista em Medicina de Emergência.

Causas de dor abdominal e pélvica

A variedade de causas pode ser extensa, incluindo patologias do sistema gastrointestinal, urogenital, ginecológico, musculoesquelético, além de causas psicogênicas. A seguir, detalhamos algumas das principais categorias.

Causas Gastrointestinais

  • Apendicite aguda (R10.0): Dor inicialmente periumbilical, migrando para o quadrante inferior direito.
  • Gastrite e úlcera péptica: Dispepsia, queimor, dor à alimentação.
  • Colecistite (inflamação da vesícula biliar): Dor em quadrante superior direito, após alimentação gordurosa.
  • Síndrome do intestino irritável: Dor difusa, associada a alterações do hábito intestinal.

Causas Urogenitais

  • Cólica renal / pielonefrite: Dor em flange lombar que irradia para região inguinal.
  • Infecção do trato urinário: Disúria, dor vulvar ou perineal.
  • Prostatite (N41.9): Dor no períneo, melhora com a evolução da inflamação.

Causas Ginecológicas

  • Endometriose (N94.6): Dor intensa na pelve, pior durante a menstruação.
  • Miomas uterinos: Dor em região suprapúbica, com sensação de peso.
  • Ovarian torsion: Dor súbita, intensa, associada a nausea e vômitos.

Causas Musculoesqueléticas

  • Contratura muscular ou distensão muscular: Dor localizada após esforço físico ou trauma.
  • Hérnia inguinal (K40): Dor ao esforço, abaulamento na região inguinal.

Diagnóstico da dor abdominal e pélvica

O diagnóstico exige uma anamnese detalhada e exame físico completo. Alguns passos essenciais incluem:

Anamnese

  • Localização: Região específica da dor.
  • Qualidade da dor: Queimosa, latejante, cortante.
  • Intensidade e duração: Como a dor evolui com o tempo.
  • Fatores de melhora ou agravamento: Alimentação, movimento, repouso.
  • Sintomas associados: Náuseas, vômitos, febre, alterações no hábito intestinal ou urinário.
  • Histórico médico: Cirurgias, doenças prévias, fatores de risco.

Exame físico

  • Inspeção detalhada do abdômen.
  • Palpação superficial e profunda.
  • Percussão e ausculta.
  • Exame ginecológico ou urológico, se indicado.

Exames complementares

ExameQuando solicitarDescrição
Ultrassonografia abdominal e pélvicaSuspeita de patologias ginecológicas, urológicas ou abdominaisAvaliação de órgãos pélvicos, fígado, vesícula, rins
Exames laboratoriaisFebre, sinais de infecção ou inflamaçãohemograma, PCR, ureia, creatinina, beta-hCG
Tomografia computadorizada (TC)Casos complexos ou diagnóstico duvidosoAvaliação detalhada de órgãos e possíveis complicações
Cistoscopia ou colposcopiaSuspeita de patologias específicasExame direto do trato urinário ou genital

Tratamentos na dor abdominal e pélvica

O manejo adequado depende da causa. Em geral, o tratamento pode ser dividido em medidas sintomáticas e específicas.

Medidas gerais

  • Analgésicos e anti-inflamatórios, sob supervisão médica.
  • Reposição hídrica, especialmente em quadros de desidratação.
  • Jejum, em casos de suspeita de cirurgia de emergência.

Tratamento específico por causa

CausaTratamentoObservações
ApendiciteCirurgia de apendicectomiaQuando indicado, preferencialmente via laparoscópica
ColecistiteColecistectomiaPode ser de emergência ou eletiva
EndometrioseAntiinflamatórios, contraceptivos hormonaisPode envolver procedimentos cirúrgicos
Pedras nos rinsAnalgésicos, hidratação, punções ou litotripsiaPara facilitar a eliminação das pedras
Hérnia inguinalCirurgia de correçãoRecomendada para hérnias incarceradas ou estranguladas

"A rapidez no diagnóstico e intervenção pode evitar complicações graves e melhorar significativamente o prognóstico do paciente com dor abdominal aguda." – Dr. Maria Oliveira, especialista em Cirurgia Geral.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quais são os sinais que indicam uma emergência na dor abdominal ou pélvica?

Sinais de alerta incluem dor súbita e intensa, febre alta, vômitos persistentes, sangramento, sinais de peritonite (rigidez abdominal), dificuldade para urinar ou evacuar e sinais de choque, como hipotensão e taquicardia.

2. Como diferenciar uma dor muscular de uma dor de origem visceral?

A dor muscular geralmente é localizada, pior com movimento ou palpação direta, e melhora com repouso. Por outro lado, a dor visceral costuma ser difusa, com caráter em cólica ou latejante, podendo irradiar para regiões adjacentes.

3. O que fazer se a dor não passar ou piorar?

Procure atendimento médico emergencial imediatamente para avaliação adequada, especialmente se acompanhada de febre, vômitos, sinais de peritonite ou dificuldade para urinar e evacuar.

Conclusão

A dor abdominal e pélvica representa um desafio diagnóstico que requer atenção cuidadosa por parte do profissional de saúde. O conhecimento das possíveis causas, aliado a uma abordagem sistemática, possibilita a identificação rápida de condições que podem requerer intervenção urgente, além de orientar tratamentos específicos que melhoram o prognóstico dos pacientes.

A classificação correta segundo o CID 10 é fundamental para a padronização do atendimento, coleta de dados epidemiológicos e pesquisa clínica. O sucesso terapêutico depende de uma avaliação clínica detalhada, exame complementar adequado e, quando necessário, intervenção cirúrgica ou medicamentosa.

Seja na atenção primária ou especializada, a atuação precoce e precisa na dor abdominal e pélvica pode evitar complicações graves e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. CID-10: Classificação Internacional de Doenças. 10ª edição. Available at: https://www.who.int/classifications/icd/en/
  2. Ministério da Saúde. Guia de Diagnóstico e Tratamento em Emergências. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
  3. Silva J. Diagnóstico diferencial da dor abdominal aguda. Revista Brasileira de Medicina. 2019;36(4):225-230.
  4. Portal da Sociedade Brasileira de Medicina de Emergência. Dor abdominal. Available at: https://sbme.org.br/dor-abdominal/

Frontmatter:
Este artigo fornece uma visão abrangente sobre a importância do diagnóstico preciso e tratamento adequado da dor abdominal e pélvica, com foco na classificação CID 10 e na atualização dos conceitos clínicos e terapêuticos.