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Doença Arterial Coronariana: Causas, Diagnóstico e Tratamento

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A Doença Arterial Coronariana (DAC) é uma das principais causas de morbidade e mortalidade no mundo todo. Este problema de saúde afeta milhões de pessoas, levando a complicações sérias como o infarto do miocárdio. Neste artigo, vamos explorar detalhadamente as causas, métodos de diagnóstico, opções de tratamento e como prevenir a DAC, com foco na classificação secondo o CID 10, que é fundamental para padronizar a codificação e o estudo da doença.

Introdução

A Doença Arterial Coronariana é caracterizada pela obstrução ou estreitamento das artérias coronárias, que são responsáveis por fornecer sangue ao coração. Quando essas artérias estão comprometidas, o coração pode não receber oxigênio suficiente, resultando em angina, insuficiência cardíaca ou até infarto. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela responde por uma grande parcela das mortes relacionadas a doenças cardiovasculares globalmente.

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Compreender as causas, métodos de diagnóstico eficazes e o tratamento adequado é vital para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reduzir os riscos associados. A seguir, detalharemos todos esses aspectos, em conformidade com a classificação CID 10, que é a base para registros médicos e estudos epidemiológicos.

Causas da Doença Arterial Coronariana (CID 10 I25.1)

Fatores de risco tradicionais

Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da DAC, sendo os principais:

  • Aterosclerose: Acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias.
  • Hipertensão arterial sistêmica: Pressão alta prejudica a integridade das paredes arteriais.
  • Dislipidemia: Níveis elevados de colesterol LDL e baixos de HDL aumentam o risco.
  • Tabagismo: Fator que acelera a formação de placas.
  • Diabetes mellitus: Influencia negativamente a saúde vascular.
  • Obesidade: Aumenta o risco de outros fatores de risco.
  • Sedentarismo e má alimentação: Contribuem para o desenvolvimento de fatores de risco acima.

Fatores não convencionais

Além dos fatores tradicionais, há outros aspectos que podem influenciar o risco de DAC:

  • Predisposição genética;
  • Idade avançada;
  • Estresse psicológico;
  • Consumo excessivo de álcool.

Classificação CID 10 da Doença Arterial Coronariana

Segundo a CID 10, a DAC compreende vários códigos, sendo o mais comum:

Código CID 10DescriçãoDetalhes
I25.1Doença arterial coronariana crônicaInclui angina pectoris estável, obstruções coronarianas crônicas
I25.2Infarto do miocárdio secundário a aterosclerosePode evoluir para complicações agudas

A classificação ajuda a padronizar diagnósticos e tratamentos, facilitando estudos epidemiológicos e políticas públicas.

Diagnóstico da DAC

A detecção precoce é essencial para prevenir complicações graves. Os principais métodos diagnósticos incluem:

Anamnese e exame clínico

  • Pesquisa de sintomas como angina, dispneia, fadiga.
  • Avaliação de fatores de risco.

Exames laboratoriais

  • Perfil lipídico (colesterol total, LDL, HDL, triglicerídeos).
  • Testes de glicemia.

Exames de imagem e funcionais

Eletrocardiograma (ECG)

Detecta alterações isquêmicas ou infartes antigos.

Teste de esforço (Ergometria)

Avalia a resposta do coração ao esforço físico.

Angiotomografia coronariana

Visualiza as artérias com alta precisão, identificando obstruções.

Cateterismo cardíaco e coronariografia

Procedimento invasivo considerado padrão-ouro para avaliação da anatomia coronariana.

Tabela comparativa dos métodos diagnósticos

ExameInvasãoIndicaçãoResultado
ECGNãoAvaliação inicialAlterações isquêmicas ou isquemia
Teste de esforçoNãoSuspeita de angina estávelResultados de capacidade funcional
Angiotomografia coronarianaNãoAvaliação detalhada sem cateterismoImagens das artérias, placas
Cateterismo e coronariografiaSimDiagnóstico definitivo, intervençãoVisualização de obstruções

Tratamento da DAC

As opções de tratamento variam conforme a gravidade e os fatores de risco. O objetivo principal é aliviar sintomas, melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações.

Mudanças no estilo de vida

  • Alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e grãos integrais;
  • Prática regular de exercícios físicos;
  • Controle do peso;
  • Abandono do tabagismo;
  • Controle do estresse e sono adequado.

Tratamento medicamentoso

Medicamentos utilizados

ClasseExemplosObjetivo
BetabloqueadoresMetoprolol, propranololReduzir a frequência cardíaca e a angina
NitratosNitroglicerinaVasodilatação e alívio da dor anginosa
AntiplaquetáriosAspirina, clopidogrelPrevenir formação de novas placas
Corticosteroides (quando necessário)-Controle de inflamações se houver comorbidades

Tratamentos invasivos

Angioplastia com stent

Procedimento que abre a artéria obstruída e mantém a passagem com stent.

Cirurgia de revascularização miocárdica (bypass)

Indicado em casos de múltiplas obstruções, envolvendo cirurgia de ponte de safena ou arterial mamária.

Tabela de opções de tratamento

TratamentoIndicaçãoBenefícios
Mudanças no estilo de vidaTodas as fasesRedução de risco, melhora da saúde
MedicaçãoAngina estável e instávelControle dos sintomas e eventos
Angioplastia com stentObstruções de artérias específicasAlívio rápido, reabilitação rápida
Cirurgia de bypassObstruções múltiplas ou complexasRevascularização extensa

Como prevenir a DAC

A prevenção é fundamental para reduzir a incidência de DAC e suas complicações. As principais estratégias incluem:

  • Manter uma alimentação saudável;
  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • Controlar fatores de risco como hipertensão, diabetes e dislipidemia;
  • Suspender o tabagismo;
  • Realizar exames periódicos.

Perguntas Frequentes

1. Quais os principais sintomas da Doença Arterial Coronariana?

Os sintomas mais comuns incluem angina pectoris (sensação de dor ou queimação no peito), que pode irradiar para o braço esquerdo, pescoço ou mandíbula, além de falta de ar, fadiga e sudorese.

2. Como posso saber se tenho DAC?

O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica, exames laboratoriais e de imagens, como o teste de esforço, ecocardiograma, angiotomografia ou coronariografia.

3. A DAC é curável?

Atualmente, a DAC não tem cura, mas pode ser controlada e gerenciada eficazmente através de mudanças no estilo de vida, medicações e, quando necessário, procedimentos invasivos.

4. Quais fatores aumentam meu risco de desenvolver DAC?

Fatores como tabagismo, hipertensão, diabetes, dislipidemia, obesidade, sedentarismo e histórico familiar aumentam significativamente a probabilidade de desenvolver a doença.

5. Como posso reduzir meus riscos?

Adotar uma alimentação saudável, manter-se ativo, evitar o tabaco, controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia são medidas essenciais.

Conclusão

A Doença Arterial Coronariana (CID 10 I25.1) representa um importante desafio para a saúde pública, devido à sua alta prevalência e impacto na mortalidade. Entender suas causas, identificar os fatores de risco, realizar diagnóstico precoce e implementar estratégias de tratamento são passos essenciais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

A prevenção contínua e a adesão ao tratamento têm demonstrado ser eficazes na redução do risco de eventos graves como o infarto do miocárdio. É fundamental que pacientes e profissionais de saúde trabalhem juntos na vigilância e manejo da doença, promovendo um meio de vida mais saudável e evitando complicações futuras.

Como disse o renomado cardiologista Dr. Paulo Lotufo: "A prevenção é a melhor estratégia na luta contra as doenças cardiovasculares".

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Doenças Cardiovasculares. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cardiovascular-diseases-(cvds)
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Doença Arterial Coronariana. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
  3. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes de Doença Arterial Coronariana. Disponível em: https://www.sbc.org.br/documentos/diretrizes