CID 10 Cefaleia Crônica: Guia Completo para Diagnóstico e Tratamento
A cefaleia crônica é uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, comprometendo a qualidade de vida, produtividade e bem-estar emocional de seus portadores. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a dor de cabeça é uma das queixas mais comuns na prática clínica, e a classificação da CID-10 inclui a cefaleia crônica na categoria de transtornos cefaléias de longa duração. Este artigo busca oferecer um guia completo sobre o tema, abordando aspectos diagnósticos, critérios clínicos, tratamentos disponíveis e recursos importantes, além de esclarecer dúvidas comuns sobre o assunto.
O que é a Cefaleia Crônica?
A cefaleia crônica é definida como uma dor de cabeça que ocorre por pelo menos 15 dias por mês, durante mais de 3 meses consecutivos. Essa condição pode causar impactos sociais, emocionais e físicos significativos, demandando atenção especializada e um tratamento adequado.

Definição de CID-10 para Cefaleia Crônica
Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), a cefaleia crônica está relacionada principalmente às seguintes categorias:
| Código CID-10 | Descrição |
|---|---|
| G43.2 | Enxaqueca crônica |
| G44.3 | Cefaleia crônica não especificada |
| G44.4 | Cefaleia tensional crônica |
Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS)
Diagnóstico da Cefaleia Crônica
Critérios Diagnósticos da CID-10
Segundo a CID-10, para o diagnóstico de cefaleia crônica, é necessário atender aos seguintes critérios:
- Dor de cabeça presente por pelo menos 15 dias por mês, durante pelo menos 3 meses.
- A dor pode variar em intensidade, frequência e localização.
- Exclusão de causas secundárias que justifiquem a cefaleia, como tumores, infecções ou traumatismos cranianos.
Avaliação Clínica
A avaliação clínica deve incluir:
- Anamnese detalhada: duração, localização, intensidade, fatores desencadeantes e fatores que aliviam.
- Exame neurológico completo.
- Investigação de fatores de risco e uso de medicamentos.
Exames Complementares
Embora a maioria dos casos seja diagnóstica clínicamente, alguns exames podem ser indicados para excluir causas secundárias:
| Exame | Indicação |
|---|---|
| Tomografia computadorizada | Suspeita de tumor, hematoma ou lesão estrutural |
| Ressonância Magnética | Avaliação detalhada de estruturas cerebrais |
| Exames laboratoriais | Investigar causas metabólicas ou infecciosas |
Tipos de Cefaleia Crônica
Conhecer os tipos de cefaleia ajuda no direcionamento do tratamento. Veja a seguir as principais:
Cefaleia Tensional Crônica
A mais comum entre os tipos de cefaleia crônica, caracterizada por uma dor de leve a moderada intensidade, muitas vezes com sensação de pressão ou faixa ao redor da cabeça.
Enxaqueca Crônica
Caracterizada por episódios de dor pulsátil, geralmente unilaterais, que podem ser acompanhados de náusea, vômito, sensibilidade à luz e ao som.
Cefaleia Crônica Não Especificada
Quando a dor não se encaixa exatamente em outros critérios, mas persiste de forma crônica, é categorizada nesta classe.
Tratamento da Cefaleia Crônica
O tratamento eficaz deve ser individualizado, considerando a causa, os fatores desencadeantes e a gravidade dos sintomas.
Abordagem Farmacológica
| Classe de Medicamento | Exemplos | Objetivo |
|---|---|---|
| Analgésicos (anti-inflamatórios) | Paracetamol, dipirona | Controle da dor aguda |
| Triptanos | Sumatriptano, zolmitriptano | Tratamento da enxaqueca |
| Antidepressivos (nortriptilina) | Nortriptilina | Profilaxia da cefaleia tensional e enxaqueca |
| Anticonvulsivantes | Topiramato, ácido valproico | Prevenção de crises de enxaqueca |
Tratamentos Não Farmacológicos
- Psicoterapia, incluindo terapia cognitivo-comportamental.
- Técnicas de relaxamento e biofeedback.
- Mudanças no estilo de vida: dieta, sono regular, redução do estresse.
- Fisioterapia e práticas de exercícios físicos.
Cuidados a Longo Prazo
Devido à natureza recorrente da cefaleia crônica, a continuidade do tratamento e acompanhamento médico são essenciais para ajustar terapias e evitar a chronificação.
Prognóstico e Prevenção
O prognóstico varia de acordo com o tipo de cefaleia e a resposta ao tratamento. Algumas estratégias importantes para prevenir o agravamento incluem:
- Identificação e controle dos fatores desencadeantes.
- Uso racional de medicamentos.
- Estilo de vida saudável.
- Procura de atendimento médico regular.
Tabela: Diferenças entre Cefaleia Tensional e Enxaqueca Crônica
| Características | Cefaleia Tensional Crônica | Enxaqueca Crônica |
|---|---|---|
| Dor | Leve a moderada, pressão, aperto | Pulsátil, unilaterais, intensa |
| Frequência | ≥15 dias por mês | Pode ser diária ou frequente |
| Sintomas associados | Raramente náusea ou vômito | Náusea, vômito, fotofobia, fonofobia |
| Resposta ao tratamento | Variável | Geralmente bom com profilaxia |
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A cefaleia crônica pode desaparecer sozinha?
Em alguns casos, a cefaleia pode diminuir com mudanças no estilo de vida ou tratamento adequado, mas muitas vezes requer acompanhamento médico contínuo para controle.
2. Quais são as principais causas da cefaleia crônica?
As causas podem incluir fatores neurológicos, estresse, uso abusivo de medicamentos, fatores hormonais e fatores ambientais.
3. Existe cura para a cefaleia crônica?
Não há uma cura definitiva, mas o tratamento adequado pode controlar significativamente os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
4. Quando procurar um especialista?
Caso a dor seja intensa, repentina, acompanhada de sintomas neurológicos (como visão turva, fraqueza), ou persistente apesar do tratamento, busque orientação médica especializada.
Conclusão
A cefaleia crônica, classificada na CID-10 sob diferentes códigos, representa um desafio diagnóstico e terapêutico que exige uma abordagem multidisciplinar. O entendimento dos critérios diagnósticos, as diferenças entre os tipos de cefaleia e o uso de tratamentos farmacológicos e não farmacológicos são essenciais para promover o controle da condição e melhorar a qualidade de vida do paciente. A busca por informações precisas, o acompanhamento médico regular e a adoção de hábitos saudáveis são fundamentais na gestão da cefaleia crônica.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10).
- Instituto de Medicina Intensiva – Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo. Guia para Diagnóstico e Tratamento de Cefaleia.
- Ministério da Saúde – Brasil. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Cefaleia.
- Sociedade Brasileira de Cefaleia. (2020). Diagnóstico e Tratamento da Cefaleia Crônica. Disponível em: www.soccef.org.br
"A dor de cabeça é uma condição comum, mas sua complexidade exige atenção e conhecimento para que possamos oferecer o melhor cuidado."
MDBF