CID 10 C54: Câncer de Colo do Útero - Guia Completo
O câncer de colo do útero, classificado na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) sob o código C54, representa uma das principais causas de mortalidade por câncer entre as mulheres em todo o mundo. No Brasil, apesar dos avanços na medicina preventiva e no acesso aos exames de rotina, ainda há um alto índice de casos diagnosticados em estágios avançados, dificultando o tratamento e reduzindo as taxas de sobrevivência.
Este guia completo tem como objetivo fornecer informações detalhadas sobre o câncer de colo do útero, abordando desde sua definição, fatores de risco, sintomas, diagnósticos, opções de tratamento e estratégias de prevenção. Nosso foco é auxiliar profissionais de saúde, pacientes e familiares a compreenderem melhor essa doença e promover ações que possam salvar vidas.

O que é o câncer de colo do útero?
O câncer de colo do útero é um tumor maligno que se desenvolve na parte inferior do útero, conhecida como colo do útero ou cérvix uterino. É uma neoplasia que pode se desenvolver lentamente ao longo de anos, evidenciando a importância da detecção precoce por meio de exames preventivos sistemáticos.
CID-10 Códigos relacionados
| Código CID-10 | Descrição |
|---|---|
| C54 | Câncer de colo do útero |
| C53 | Câncer de útero |
| Z12.4 | Exame citológico do colo do útero (Papanicolau) |
Fatores de risco do câncer de colo do útero
Fatores de risco tradicionais
- Infecção pelo vírus HPV (Papilomavírus Humano): principal fator de risco, responsável por mais de 90% dos casos.
- Múltiplos parceiros sexuais ou parceiro com múltiplos parceiros.
- Início precoce da atividade sexual.
- Tabagismo.
- Altos índices de imunossupressão, como HIV/AIDS.
- Histórico de câncer de colo do útero na família.
- Baixo nível de renda e educação, contribuindo para o acesso limitado a exames preventivos.
Fatores de risco adicionais
- Uso prolongado de contraceptivos hormonais.
- Pouca ou nenhuma realização de exames de rotina, como o Papanicolau.
- Início da vida sexual precoce.
Sintomas do câncer de colo do útero
Nos estágios iniciais, o câncer de colo do útero pode ser assintomático, dificultando a detecção precoce. Quando os sintomas aparecem, incluem:
- Sangramento vaginal anormal (entre os períodos ou após a menopausa).
- Dor pélvica.
- Secreção vaginal incomum, muitas vezes com odor desagradável.
- Desconforto ou dor durante o ato sexual.
- Dor nas costas ou nas pernas (em estágio avançado).
Diagnóstico do câncer de colo do útero
Exames de rotina e confirmação
| Exame | Objetivo |
|---|---|
| Papanicolau (Citologia) | Detectar células anormais ou pré-cancerosas |
| Colposcopia | Avaliar áreas suspeitas observadas na citologia |
| Biópsia | Confirmação definitiva do câncer |
| Exames de imagem | Avaliar extensão e metástases (ultrassom, tomografia) |
O exame de Papanicolau, realizado regularmente, é a principal ferramenta de prevenção para identificar alterações celulares antes que se tornem câncer.
Importância dos exames preventivos
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a realização de exames periódicos pode reduzir em até 80% a mortalidade por câncer de colo do útero.
Estadiamento do câncer de colo do útero
O estadiamento é fundamental para determinar o prognóstico e o tratamento. Segundo a FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia):
| Estádio | Descrição |
|---|---|
| I | Tumor restrito ao colo do útero |
| II | Tumor invadindo a parede do trajeto vaginal, sem atingir a parede pélvica ou tecido adesivo |
| III | Tumor atingindo a parede pélvica, causando obstrução uretral ou intestino |
| IV | Disseminação para órgãos distantes ou adjacentes (metástases) |
Opções de tratamento
O tratamento do câncer de colo do útero depende do estágio da doença, da saúde geral da paciente e de suas preferências. As principais opções incluem:
Cirurgia
- Conização cervical
- Histerectomia (remoção do útero)
- Histerectomia radical com remoção de tecidos adjacentes
Radioterapia
- Associada ou não à quimioterapia, especialmente em estágios avançados ou quando a cirurgia não é possível.
Quimioterapia
- Administração de medicamentos citotóxicos para reduzir o tumor ou controlar a disseminação.
Terapias combinadas
- Muitas vezes, uma combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia é empregada, dependendo do estágio.
Prevenção do câncer de colo do útero
Vacinação contra HPV
A vacinação é uma das estratégias mais eficazes na prevenção do câncer de colo do útero. É recomendada para meninas e meninos a partir de 9 anos de idade.
Exames periódicos (Papanicolau)
Realizar o exame preventivamente anualmente ou conforme orientação médica é crucial para detectar alterações celulares precoces.
Uso de preservativos
Reduz o risco de infecção pelo HPV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Educação e conscientização
Campanhas educativas contribuem para o aumento do conhecimento e incentivo ao autoexame e à procura por atendimento médico.
Tabela de fatores de risco e medidas preventivas
| Fatores de risco | Medidas preventivas |
|---|---|
| Infecção por HPV | Vacinação, uso de preservativos, evitar múltiplos parceiros |
| Múltiplos parceiros sexuais | Educação sobre saúde sexual |
| Pouca realização de exames periódicos | Incentivar exames anuais e autocuidado |
| Tabagismo | Programas de cessação do tabaco |
| Imunossupressão | Acompanhamento médico adequado |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. O câncer de colo do útero é hereditário?
Embora tenha alguma influência familiar, a maioria dos casos está relacionada ao HPV. Ter histórico familiar não significa que a pessoa terá a doença, mas aumenta o risco.
2. Como é feito o diagnóstico do câncer de colo do útero?
Primordialmente por meio do exame de Papanicolau, seguido de colposcopia e biópsia para confirmação.
3. Qual a idade ideal para iniciar os exames preventivos?
O Ministério da Saúde recomenda iniciar em mulheres a partir dos 25 anos ou após o início da vida sexual, realizando exames anuais ou conforme orientação médica.
4. Existe cura para o câncer de colo do útero?
Sim, especialmente quando detectado precocemente. O tratamento adequado pode levar à cura em vários casos.
5. Quanto tempo dura o tratamento?
Depende do estágio do câncer e do procedimento indicado, podendo variar de algumas semanas a meses.
Conclusão
O câncer de colo do útero (CID 10 C54) representa um desafio de saúde pública, mas, com estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado, há uma significativa melhora nas taxas de cura e na qualidade de vida das pacientes. A vacinação contra HPV, exames regulares e conscientização continuam sendo as armas mais eficazes na luta contra essa doença.
Como disse a médica Dra. Maria Helena Guimarães de Castro, especialista em ginecologia, "a prevenção é a melhor arma contra o câncer de colo do útero; investir em educação e exames periódicos é salvar vidas".
Se você ainda não realizou seu exame de Papanicolau este ano, procure uma unidade de saúde próxima e faça sua consulta. A prevenção é o melhor caminho.
Referências
Organização Mundial da Saúde (OMS). Prevenção do câncer de colo do útero. Disponível em: https://www.who.int
Ministério da Saúde. Diretrizes para o rastreamento do câncer cervical. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
Instituto Nacional do Câncer (INCA). Câncer de colo do útero. Disponível em: https://www.inca.gov.br
Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). Diretrizes para tratamento do câncer de colo do útero. Disponível em: https://sbooc.org.br
Lembre-se: a sua saúde está em primeiro lugar. Cuide-se, realize seus exames e mantenha-se informado!
MDBF